Fiergs manifesta preocupação com possível tarifa da China sobre carne bovina brasileira

Por Jonathan da Silva

A Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs) manifestou preocupação com a iminente aplicação de tarifas adicionais pela China sobre as importações de carne bovina brasileira em razão do esgotamento da cota anual destinada ao Brasil. Na prática, o limite de exportações já está comprometido pelos embarques realizados e em trânsito, o que poderá elevar a tributação para 67% sobre os volumes excedentes. Segundo a entidade, a medida pode reduzir a competitividade da carne bovina brasileira, afetar a indústria frigorífica e provocar impactos na cadeia produtiva do Rio Grande do Sul.

De acordo com a Fiergs, a restrição poderá exigir o redirecionamento de parte da produção para outros mercados em um cenário internacional de maior concorrência. A entidade avalia que o aumento da tributação cria um ambiente de incerteza para o setor e pode afetar diretamente a atividade industrial ligada à carne bovina.

Impactos para o Rio Grande do Sul

Dados apresentados pela Fiergs mostram que, em 2025, o Rio Grande do Sul exportou US$ 309,7 milhões em carne bovina para o mercado internacional. A China foi o principal destino dessas exportações, respondendo por 41,9% do total embarcado pelo estado.

Segundo a federação, a nova restrição poderá atingir a indústria frigorífica, os produtores rurais, além de gerar reflexos sobre o emprego e a geração de renda no Rio Grande do Sul.

Pedido de diálogo

Para o presidente da Fiergs, Claudio Bier, é necessário ampliar as negociações entre os governos brasileiro e chinês para buscar uma solução para a questão das cotas. “O Brasil consolidou-se como um fornecedor estratégico e confiável para atender à crescente demanda chinesa por alimentos. Esperamos que prevaleça o diálogo para a renegociação dos volumes das cotas, adequando-as à atual capacidade exportadora brasileira e às necessidades do mercado asiático. Uma solução negociada preserva a competitividade da indústria, garante segurança ao abastecimento e fortalece uma relação comercial de interesse mútuo”, expressou Bier.

Acompanhamento das negociações

A Fiergs informou ainda que acompanhará a evolução das negociações entre os dois países e defende uma atuação coordenada entre o governo brasileiro e o setor produtivo para preservar a competitividade das exportações e minimizar os impactos da medida sobre a indústria do Rio Grande do Sul.

Foto: Magnific/Reprodução | Fonte: Assessoria
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