O Congresso Internacional de Proteção e Defesa Civil foi encerrado na tarde desta quinta-feira (25) com uma visita técnica ao Lago Guaíba, em Porto Alegre. A atividade contou com um percurso de catamarã para apresentação de aspectos relacionados à gestão de riscos, recursos hídricos e resiliência urbana. Especialistas abordaram questões técnicas sobre a hidrodinâmica do lago, o sistema de proteção contra cheias da capital gaúcha e os desafios da prevenção de desastres.
Durante o trajeto, o professor do Instituto de Pesquisas Hidráulicas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (IPH/UFRGS), Fernando Dornelles, e o engenheiro do Departamento Municipal de Águas e Esgotos (DMAE), Marco Faccin, conduziram as explicações sobre o funcionamento do sistema de proteção contra enchentes e sua evolução ao longo das últimas décadas.
Histórico de cheias
O professor Fernando Dornelles apresentou um panorama histórico das cheias do Guaíba e explicou como o sistema de proteção atuou em diferentes eventos climáticos. Segundo ele, Porto Alegre não sofreu um desastre de grandes proporções em 2023 porque a estrutura de contenção funcionou, situação diferente da registrada em 2024. “Depois de uma grande cheia, estamos todos conscientes e interessados no tema e, se seguir o padrão, anos e décadas depois, sem ter acontecido uma cheia importante, vai acontecer novamente este esquecimento da importância do sistema de proteção contra cheias, sua manutenção e funcionamento, podendo ocorrer novo desastre. E nosso papel é não ter mais esse esquecimento, temos aprendido a lição definitivamente. Só que, além de nós termos aprendido, temos que passar para as gerações futuras, como vamos manter essa cultura de prevenção de riscos, prevenção contra desastres no futuro. É um trabalho difícil mas necessário”, afirmou o pesquisador.
Sistema de proteção
Ao longo da visita, os participantes conheceram uma das casas de bombas responsáveis pela drenagem urbana de Porto Alegre e observaram diferentes tipos de diques que integram o sistema de proteção contra cheias.
O engenheiro do DMAE, Marco Faccin, explicou como o sistema foi implantado na capital gaúcha e destacou limitações existentes, como a ausência de proteção em áreas da Ilha da Pintada e de parte da zona sul. Também apresentou o funcionamento das casas de bombas e respondeu a questionamentos dos participantes sobre a infraestrutura de drenagem.
Encerramento da atividade
No encerramento da visita técnica, o subchefe de Proteção e Defesa Civil do Rio Grande do Sul, coronel Santiago Dias de Castro, agradeceu a presença dos participantes e das instituições envolvidas. “Temos aqui integrantes de outras Defesas Civis Estaduais, membros do Conselho Nacional de Gestores de Proteção e Defesa Civil, colegas das Defesas Civis Municipais e também pessoas da Província Autônoma de Trento, da Itália, que têm uma expertise fenomenal em Proteção e Defesa Civil, um ciclo de Proteção e Defesa Civil exemplar, que serviu como inspiração nas nossas ações, e agradecemos também ao João Pedro Wolff, da Catsul, pelo apoio com essa visita, e ao Fernando Dornelles e ao Marco Faccin pelas explicações”, ressaltou Dias de Castro.

