Fiergs eleva projeção para desempenho da indústria gaúcha

Por Jonathan da Silva

O Sistema Fiergs elevou de 0,8% para 1,8% a projeção de crescimento da indústria do Rio Grande do Sul em 2026, conforme revisão divulgada nesta quinta-feira (17), pela Unidade de Estudos Econômicos (UEE) e pelo Observatório da Indústria do RS. A estimativa para o Produto Interno Bruto (PIB) gaúcho foi mantida em 2,2%. A revisão considera o desempenho da indústria de transformação, especialmente dos segmentos de alimentos e derivados de petróleo.

A projeção para a produção industrial gaúcha também foi elevada, de 0,6% para 1,7%. No primeiro semestre, o setor registrou crescimento de 3,6%, com alimentos e derivados de petróleo respondendo, juntos, por 91,7% da expansão. Para as exportações da indústria gaúcha, a estimativa passou de US$ 16,7 bilhões para US$ 16,9 bilhões em 2026.

A projeção para a agropecuária gaúcha foi revisada de 9,5% para 9,2%, enquanto a estimativa para os serviços passou de 1,7% para 1,5%.

Avaliação do setor

Segundo o presidente do Sistema Fiergs, Claudio Bier, os resultados de alguns segmentos contribuíram para a revisão da indústria, mas o cenário econômico ainda apresenta fatores de restrição. “A elevação da projeção para a indústria, especialmente com a contribuição de alimentos, com impulso significativo das exportações, e de derivados do petróleo, como reflexo do conflito no Oriente Médio, é um sinal positivo. Ao mesmo tempo, seguimos diante de um cenário de juros elevados, crédito restritivo e incertezas no país, como a crise institucional, que limitam um crescimento mais forte. É importante criar condições para que a indústria cresça de forma disseminada e consistente, ampliando a geração de empregos e renda no estado”, afirma o dirigente.

A previsão para a geração de empregos no Rio Grande do Sul foi reduzida de 40 mil para 23,5 mil vagas. A taxa média de desocupação prevista para o ano passou de 4,4% para 4,0%.

Projeções para o Brasil

Para o Brasil, o Sistema Fiergs manteve em 1,9% a projeção de crescimento do PIB em 2026, mas revisou as estimativas por setor. A previsão para a agropecuária caiu de 2,1%, na projeção de abril, para 1,6%, enquanto a indústria passou de 1,3% para 1,7%. Para os serviços, a expectativa permaneceu em 1,9%.

Na produção industrial, a projeção brasileira passou de 0,9% para 1,5%. A estimativa para a geração de empregos foi revisada de 855 mil para 850 mil vagas, enquanto a taxa média de desocupação passou de 5,9% para 5,4%.

O economista-chefe do Sistema Fiergs, Giovani Baggio, afirma que a atualização das projeções busca auxiliar empresas e investidores diante das mudanças no cenário econômico. “O documento aponta que o cenário de juros elevados, desaceleração da atividade econômica e aumento das incertezas no ambiente doméstico e internacional são desafios para os próximos meses, ainda mais tendo em vista o elevado endividamento público e privado. As atualizações das projeções contribuem para uma visão mais clara do ambiente econômico e auxiliam o setor produtivo na tomada de decisões”, ressalta Baggio.

Inflação, juros e exportações

A projeção para o IPCA foi reduzida de 5,1% para 4,9%, enquanto a estimativa para o INPC passou de 5% para 4,8%. Para a taxa Selic no fim de 2026, a previsão subiu de 13,25% para 13,75%. Já a estimativa para o dólar no final do período passou de R$ 5,08 para R$ 5,15.

Nas exportações totais, a previsão para o Brasil passou de US$ 345,2 bilhões para US$ 368,9 bilhões. No Rio Grande do Sul, a estimativa passou de US$ 22,1 bilhões para US$ 22,2 bilhões. Dentro desse total, a indústria de transformação deve responder por US$ 16,9 bilhões, ante US$ 16,7 bilhões na projeção anterior.

O estudo completo da revisão de cenários e projeções para 2026 está disponível no Observatório da Indústria do RS.

Foto: Aleksandar Little Wolf/Magnific/Reprodução | Fonte: Assessoria
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