A presidente da Embrapa, Silvia Massruhá, afirmou que a ampliação do uso da agricultura de precisão e de tecnologias digitais poderá acrescentar mais de R$ 11 bilhões ao Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio brasileiro e gerar mais de 400 mil empregos. A declaração foi feita nesta quinta-feira (16), durante a palestra de encerramento do 11º Congresso Brasileiro de Agricultura de Precisão e Digital (ConBAP) e da 17ª International Conference on Precision Agriculture (ICPA), realizados no Centro de Eventos da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), em Porto Alegre. Os eventos reuniram pesquisadores, estudantes e profissionais do setor para discutir o uso de inteligência artificial, conectividade e dados na agricultura.
O ConBAP e a ICPA encerraram a programação com 845 participantes inscritos, entre eles cerca de 200 estrangeiros, além de 14 palestrantes. Ao longo dos encontros foram apresentadas 512 pesquisas, entre comunicações orais e pôsteres, por pesquisadores do Brasil e do exterior.
Durante a cerimônia de encerramento, a International Society of Precision Agriculture (ISPA) anunciou Davide Cammarano como presidente da entidade para o biênio 2026/2028. Em seguida, ocorreu a transição da diretoria da Associação Brasileira de Agricultura de Precisão e Digital (AsBraAP), que passa a ser presidida por Christian Bredemeier no mesmo período. O então presidente da entidade, Márcio Albuquerque, agradeceu à ISPA pela realização da conferência no Brasil e destacou os dez anos de atuação da associação.
Inteligência artificial na agricultura
Na palestra de encerramento, Silvia Massruhá abordou o tema “Inteligência Artificial na Agricultura de Precisão e Digital”. A presidente da Embrapa afirmou que a combinação entre inteligência artificial, conectividade e uso estratégico de dados será determinante para tornar a agricultura brasileira mais preditiva, sustentável e inclusiva.
Pesquisadora da Embrapa há 36 anos, Silvia relembrou que, no início de sua trajetória, a aplicação das ciências exatas na agropecuária era questionada. Segundo a especialista, o avanço tecnológico consolidou as ferramentas digitais como um terceiro pilar do desenvolvimento agropecuário, ao lado da teoria e da experimentação.
Ao tratar da evolução do setor, a dirigente afirmou que os desafios atuais vão além da segurança alimentar. “Se, há cinco décadas, o principal desafio era garantir a segurança alimentar, hoje o foco está na construção de uma agricultura capaz de antecipar cenários, especialmente diante dos impactos das mudanças climáticas”, destacou Silvia.
Inclusão digital
Silvia Massruhá também ressaltou a importância da inclusão digital no meio rural. Segundo dados do projeto Semear Digital, desenvolvido pela Embrapa, 84% da população rural brasileira ainda não tem acesso às tecnologias digitais e, entre os produtores conectados, a maior parte utiliza a internet apenas para comunicação.
Para a presidente da Embrapa, superar esse cenário exige ampliar o conceito de conectividade. “Superar essa realidade exige o conceito de ‘conectividade significativa’, que vai além da infraestrutura de internet e inclui capacitação, gestão de dados e desenvolvimento de habilidades digitais”, destacou Silvia.
Impacto econômico
Durante a apresentação, Silvia afirmou que estudos indicam que a expansão da agricultura de precisão poderá acrescentar mais de R$ 11 bilhões ao PIB agro e criar mais de 400 mil postos de trabalho. A especialista observou que o Brasil possui cerca de cinco milhões de produtores rurais, dos quais 77% são pequenos e médios, o que reforça a necessidade de ampliar o acesso às tecnologias digitais.
A dirigente também apresentou indicadores sobre a atuação da Embrapa. Segundo a líder, a instituição mantém aproximadamente 4,3 mil projetos de pesquisa em andamento e, em 2025, cada real investido gerou retorno de R$ 27 para a sociedade. O chamado lucro social alcançou R$ 124 bilhões, equivalente a cerca de 20% do PIB agrícola brasileiro.
Silvia explicou ainda que a inteligência artificial já vem sendo aplicada em diferentes etapas da cadeia produtiva, incluindo previsão de produtividade, monitoramento de pragas e doenças, pecuária de precisão e sistemas de apoio à decisão. As iniciativas integram o programa “IA no Campo, para o Campo e pelo Campo”, desenvolvido pela Embrapa para ampliar o uso da inteligência artificial em uma agricultura sustentável, regenerativa, de baixo carbono e baseada em modelos preditivos.
Premiação
A programação de encerramento também contou com a entrega do Prêmio da ISPA: O futuro da Agricultura de Precisão e Digital para uma agricultura mais sustentável e rentável ao pesquisador Erik Lund, da Veris Technologies Inc. Após receber a honraria, o pesquisador apresentou seu trabalho aos participantes do congresso.


