O Rio Grande do Sul exportou US$ 1 bilhão aos Estados Unidos entre janeiro e agosto de 2026, o que representa uma queda de 21,3% em relação ao mesmo período de 2025. O recuo gaúcho foi mais que o dobro da média brasileira, de 9,7%, e deixou o estado com a segunda maior retração entre os cinco principais exportadores brasileiros para o mercado norte-americano. Os dados fazem parte do Monitor do Comércio BR-EUA de agosto, divulgado pela Amcham Brasil nesta terça-feira (8), com base em números do Comexstat.
Mesmo com a redução, o Rio Grande do Sul permanece como o quinto maior exportador brasileiro aos Estados Unidos e responde por 4,2% das vendas nacionais ao país. Máquinas de energia elétrica, tabaco e celulose são os principais produtos da pauta exportadora gaúcha.
Resultado nacional
No conjunto do Brasil, as exportações para os Estados Unidos somaram US$ 24,1 bilhões nos oito primeiros meses do ano. O valor representa o menor resultado para o período desde 2023 e uma perda de US$ 2,6 bilhões na comparação com o mesmo intervalo do ano anterior.
O desempenho das vendas aos Estados Unidos contrasta com o resultado das exportações brasileiras para os demais mercados, que cresceram 10,3% no mesmo período.
Produtos com maiores alíquotas
Os produtos brasileiros sujeitos às alíquotas mais altas, entre 25% e 37,5%, registraram queda de 29,1% no acumulado do ano. Segundo o levantamento, essa foi a maior retração entre todas as faixas de alíquotas.
Entre os produtos incluídos nessa categoria está o fumo não manufaturado, cuja produção se concentra no Vale do Rio Pardo. As vendas brasileiras do produto aos Estados Unidos recuaram 39,9%.
Outros produtos presentes na indústria gaúcha também tiveram redução nas vendas ao mercado norte-americano. As exportações de madeira de coníferas caíram 55,3%, enquanto as de couros e peles de bovinos recuaram 16,2%.
Agosto registra alta em valor
Em agosto, as exportações brasileiras aos Estados Unidos cresceram 12,1% em valor. Foi o primeiro resultado positivo relevante desde a entrada em vigor das sobretaxas de 40% e 50%, em agosto de 2025.
Apesar do aumento em valor, o volume de produtos embarcados caiu 17,3% e atingiu o menor patamar para o mês desde 2021. A alta registrada no valor das exportações foi acompanhada por um aumento de 35,7% no preço médio dos produtos, e não por um crescimento na quantidade de mercadorias enviadas aos Estados Unidos.
Indústria de transformação
O levantamento também aponta que as vendas da indústria de transformação brasileira aos Estados Unidos registraram a primeira queda desde 2020. O recuo foi de 4,9% no período analisado.
Mesmo com a retração, os Estados Unidos continuam como principal destino das exportações da indústria de transformação brasileira, à frente da União Europeia, China e Mercosul.
O Monitor do Comércio BR-EUA é publicado mensalmente pela Amcham Brasil e utiliza dados do Comexstat.


