Escolas agrícolas defendem parcerias para fortalecer projetos pedagógicos no RS

Por Jonathan da Silva

As escolas técnicas agrícolas do Rio Grande do Sul apresentaram demandas voltadas à gestão, ao financiamento e à estrutura dessas instituições nesta segunda-feira (29), durante audiência pública realizada na Assembleia Legislativa. O encontro, que debateu o futuro do ensino técnico no estado, reuniu representantes de escolas, entidades do setor e da Superintendência da Educação Profissional do Estado (Suepro), com o objetivo de discutir medidas para fortalecer a formação técnica e ampliar o atendimento às necessidades específicas das escolas agrícolas.

Entre os participantes esteve o presidente da Associação Gaúcha de Professores Técnicos de Ensino Agrícola (Agptea), professor Fritz Roloff, que afirmou que a audiência permitiu evidenciar as diferenças entre as escolas agrícolas e as demais unidades da rede estadual. “As escolas agrícolas são diferentes. Elas não fecham ao longo do ano, trabalham com laboratórios vivos e exigem uma demanda especial de recursos humanos, especialmente professores qualificados para a área técnica e profissionais de apoio pedagógico”, afirmou Roloff.

Demandas por estrutura e equipes

Durante o debate, representantes das instituições destacaram dificuldades relacionadas à gestão das Unidades Educativas de Produção (UEPs), utilizadas como espaços de aprendizagem prática. Segundo o presidente da Agptea, a falta de equipes técnicas compromete a administração dessas estruturas. “Muitas escolas têm grandes dificuldades de gestão justamente pela falta de setores estratégicos”, ponderou o professor Fritz Roloff.

Parcerias para financiar projetos

Outro tema discutido foi a ampliação das formas de financiamento das escolas técnicas agrícolas. A proposta apresentada pela Agptea prevê a possibilidade de estabelecer parcerias com empresas locais para apoiar projetos pedagógicos, sem transferir a gestão das instituições à iniciativa privada. “Não se trata de transferir a gestão da escola para uma empresa, mas de criar condições para que as próprias instituições busquem parcerias com empresas interessadas em apoiar projetos pedagógicos”, explicou o presidente da Agptea.

Segundo o dirigente, o objetivo é ampliar o envolvimento da comunidade com as escolas. “A ideia não é ter uma única empresa gerenciando tudo, mas permitir que diferentes parceiros contribuam, fortalecendo o vínculo da escola com a comunidade”, acrescentou Roloff.

Participação dos jovens

A audiência reuniu representantes de oito escolas técnicas agrícolas: Escola Técnica Estadual Visconde de São Leopoldo; Escola Estadual Técnica Celeste Gobbato, de Palmeira das Missões; Escola Estadual de Ensino Médio Ildefonso Simões Lopes, de Osório; Escola Estadual Técnica de Agricultura (Eeta), de Viamão; Colégio Estadual Técnico Agropecuário Dr. Zeno Pereira Luz, de Encruzilhada do Sul; Escola Estadual Técnica Guaramano, de Guarani das Missões; Escola Estadual de Educação Profissional de Carazinho (Eeprocar); e Escola Estadual de Ensino Médio Getúlio Vargas, de Fontoura Xavier.

Também participaram representantes de entidades ligadas ao setor e da Suepro. Durante o encontro, o presidente do Conselho de Diretores das Escolas Técnicas Agrícolas do Rio Grande do Sul, Luiz Carlos Cosmam, destacou a participação do ensino técnico na formação dos jovens. “O Rio Grande do Sul tem um grande desafio ao lembrar que nos países desenvolvidos o percentual de jovens que cursam o ensino técnico chega a mais de 70%. Aqui no Estado este índice fica entre 11% e 12% e sabemos o quanto as escolas técnicas abrem portas e preparam os jovens para serem empreendedores, protagonistas, independentemente de onde irão atuar”, colocou Cosmam.

Apoio à educação profissional

Ao final da audiência, o presidente da Agptea também defendeu o fortalecimento da estrutura da Superintendência da Educação Profissional do Estado para ampliar o suporte às escolas técnicas. “É fundamental apoiar a estrutura para que tenha maior abrangência em recursos e suporte pedagógico às escolas”, concluiu Roloff.

Foto: Rejane Costa/AgroEffective/Divulgação | Fonte: Assessoria
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