Câmara Setorial do Tabaco debate safra, exportações e desafios do mercado

Por Jonathan da Silva

A Câmara Setorial da Cadeia Produtiva do Tabaco realizou sua 80ª Reunião Ordinária em formato híbrido nesta quarta-feira (15), reunindo representantes de entidades do setor para discutir o cenário da safra 2025/2026, o desempenho das exportações brasileiras e ações estratégicas para a cadeia produtiva. Os trabalhos foram conduzidos pelo presidente da Câmara Setorial, Romeu Schneider. Durante o encontro, também foram apresentados dados sobre a comercialização da safra, o mercado internacional e iniciativas desenvolvidas ao longo do ano. A próxima e última reunião ordinária de 2026 está marcada para 11 de novembro.

O presidente da Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra), Marcílio Drescher, apresentou dados da safra 2025/2026 e destacou a presença da cultura do tabaco em 528 dos 1.191 municípios da Região Sul. O Rio Grande do Sul concentra 205 municípios produtores, seguido por Santa Catarina, com 188, e Paraná, com 135.

Segundo Drescher, até 11 de julho, 91,7% da produção da safra havia sido comercializada. O índice chegou a 99% no Paraná, 98,1% em Santa Catarina e 82,7% no Rio Grande do Sul. No mesmo período da safra anterior, a comercialização alcançava 98,8%.

O dirigente também apresentou dados sobre produção e remuneração ao produtor. A estimativa para o tabaco Virgínia é de 620 mil toneladas na safra 2025/2026, abaixo das 648 mil toneladas do ciclo anterior. O preço médio estimado ao produtor é de R$ 19,25 por quilo, após atingir R$ 23,52/kg na safra 2023/2024 e R$ 20,56/kg em 2024/2025.

No caso do tabaco Burley, a apresentação apontou recuperação parcial da produção para 55 mil toneladas na safra atual, com preço estimado em R$ 14,99 por quilo. Conforme os dados apresentados, a remuneração permanece acima dos patamares registrados na década anterior.

Cenário internacional

O presidente do Sindicato Interestadual da Indústria do Tabaco (SindiTabaco), Valmor Thesing, apresentou um panorama das exportações brasileiras no primeiro semestre de 2026. Entre janeiro e junho, o Brasil exportou 173.608 toneladas de tabaco, volume 15,94% inferior ao registrado no mesmo período de 2025. A receita somou US$ 1,07 bilhão, redução de 21,42%.

Segundo Thesing, o desempenho está relacionado ao aumento da oferta internacional, especialmente de países africanos, que ampliaram sua produção nos últimos anos. “Além do cenário de maior oferta mundial, o setor acompanha com preocupação a possibilidade de os Estados Unidos aplicarem tarifas adicionais aos produtos brasileiros. Hoje deve sair uma definição dos EUA sobre taxas adicionais e o impacto pode chegar a 35% para as exportações ao país que anualmente, em média, leva 9% dos nosso tabaco. Diante desse contexto, a expectativa do Sinditabaco é que as exportações retornem ao patamar médio dos últimos cinco anos, em torno de US$ 2,6 bilhões, ficando significativamente abaixo do recorde de aproximadamente US$ 3,4 bilhões alcançado em 2025”, expôs o dirigente.

No primeiro semestre, os principais destinos do tabaco brasileiro foram Bélgica, China, Estados Unidos, Indonésia, Vietnã e Turquia.

Ações do setor

A programação também incluiu um balanço das ações desenvolvidas desde a reunião anterior da Câmara Setorial. Foram destacadas a participação na Expotchê e agendas realizadas em Brasília para acompanhamento de pautas consideradas estratégicas para a cadeia produtiva.

O presidente da Associação dos Produtores de Tabaco (Amprotabaco), Gilson Becker, avaliou as iniciativas. Segundo ele, as ações foram importantes diante da necessidade de aproximar o setor do centro político do país.

Já o representante da Federação Nacional dos Trabalhadores nas Indústrias do Tabaco e Afins (Fentitabaco), Rangel Marcon, apresentou informações sobre os Seminários Regionais e a audiência pública promovidos em conjunto com a Amprotabaco, destacando os resultados obtidos pelas iniciativas.

Próximos passos

Ao final da reunião, os participantes reforçaram a continuidade do diálogo entre as entidades representativas e o acompanhamento das demandas da cadeia produtiva. A próxima e última reunião ordinária da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva do Tabaco em 2026 está prevista para o dia 11 de novembro.

Foto: Eliana Stülp Kroth/Divulgação | Fonte: Assessoria
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