O superintendente da Polícia Federal no Rio Grande do Sul, delegado Alessandro Maciel Lopes, afirmou que o crime organizado afeta diretamente o crescimento econômico do país e que o desenvolvimento duradouro é impossível em ambientes sem estabilidade. A declaração foi realizada nesta terça-feira (14), durante a reunião-almoço Tá na Hora, promovida pela Associação Comercial e Industrial (ACI) de Santa Cruz do Sul, no restaurante do Hotel Águas Claras.

Alessandro Maciel Lopes
No evento, Lopes defendeu que a segurança não deve ser vista apenas sob a ótica da redução de crimes violentos, mas como garantia institucional, jurídica, fiscal e cibernética. Segundo ele, o crime organizado é fundamentalmente um problema econômico que distorce o mercado por meio do contrabando e da sonegação, gerando concorrência desleal e alimentando o chamado “Risco Brasil”. “O que chamamos de ‘Risco Brasil’ passa muito pela nossa capacidade de garantir que as regras do jogo sejam cumpridas”, afirmou o delegado.
Descapitalização de organizações criminosas
Um dos pontos centrais da apresentação foi a estratégia da PF de focar na descapitalização de organizações criminosas. Conforme os dados apresentados, a polícia recuperou aproximadamente R$ 3 bilhões em ativos em 2022. Em 2025, esse número saltou para R$ 11 bilhões. O delegado explicou que o montante recuperado é essencial para que o Estado possa reinvestir em políticas de prevenção, como educação e urbanismo, que diminuem a base de recrutamento do crime.
Responsabilidade do empresariado
Lopes também convocou o empresariado a assumir responsabilidade na segurança pública por meio de práticas de compliance e governança. “Empresas que recusam produtos de origem duvidosa e adotam uma postura de integridade e governança ajudam a sufocar o crime organizado”, pontuou o delegado, que ainda mencionou projetos específicos voltados para a região de Santa Cruz do Sul, com foco no combate ao contrabando.
Aproximação com autoridades
O presidente da ACI de Santa Cruz, Marco Antônio Borba, destacou a estratégia da gestão de aproximar autoridades locais da entidade. “A intenção da ACI é usar esse espaço para discutir temas ligados ao município e região com representantes de diferentes instituições, públicas e privadas, para construir uma visão de desenvolvimento integrado”, afirmou Borba.
O Tá na Hora está em seu nono ano consecutivo e conta com patrocínio de Sicredi, BRDE, BAT, Philip Morris, Banrisul/Vero, Unimed, Gazeta, Unisc, JTI e Universal Leaf.


