Instituto Crescer Legal utiliza aprendizagem profissional para prevenir trabalho infantil

Por Jonathan da Silva

O Instituto Crescer Legal tem enfatizado a aprendizagem profissional rural como uma estratégia de combate ao trabalho infantil entre adolescentes do campo. No Dia Mundial e Nacional de Combate ao Trabalho Infantil, celebrado em 12 de junho, a instituição apresenta os resultados de um modelo desenvolvido há 11 anos nos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. A iniciativa consiste na contratação de filhos de produtores rurais como jovens aprendizes para participarem do curso de Gestão Rural e Empreendedorismo no turno oposto ao das aulas regulares, mantendo-os vinculados à escola e em atividades formativas, conforme previsto na legislação.

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que 4,3% das crianças e adolescentes entre 5 e 17 anos estavam em situação de trabalho infantil em 2024, o equivalente a 1,65 milhão de pessoas. Entre adolescentes de 16 e 17 anos, o índice chegou a 15,3%.

Atuação em três estados

Criado em 2015, o Instituto Crescer Legal já formou 1.220 jovens nos três estados do sul do Brasil. Em 2026, mais de 170 adolescentes participam do Programa de Aprendizagem Profissional Rural, com conclusão prevista para dezembro.

Segundo a gerente do Instituto Crescer Legal, Nádia Fengler Solf, a atuação da entidade alcança atualmente 25 municípios. “Em todas as localidades beneficiadas, ouvimos relatos sobre as transformações proporcionadas pelas ações do Instituto. São benefícios que vão além da ampliação de horizontes para os jovens, estendendo-se também às famílias e comunidades”, ressalta Nádia.

Pesquisa aponta impactos

De acordo com o instituto, uma pesquisa de impacto social realizada pelo Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (IDIS) em 2025 identificou maior conscientização sobre o trabalho infantil entre os participantes do programa.

O levantamento também apontou que a manutenção dos adolescentes em atividades formativas no contraturno escolar e a exigência de matrícula regular nas escolas contribuem para a redução de situações relacionadas ao trabalho infantil.

Outros programas desenvolvidos

Além do Programa de Aprendizagem Profissional Rural, o Instituto Crescer Legal mantém iniciativas voltadas à formação e ao desenvolvimento de jovens do meio rural.

Entre elas está o Programa de Acompanhamento de Egressos, criado para ampliar oportunidades de aprendizado e conexões após a conclusão da formação inicial.

Outra ação é o Programa Nós por Elas – A Voz Feminina do Campo, desenvolvido em parceria com a Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc). Em nove edições, a iniciativa já atendeu 70 meninas do meio rural, com foco em comunicação e produção de conteúdos para rádio.

A instituição também promove o Programa Boas Práticas de Empreendedorismo para a Educação, que compartilha metodologias utilizadas no programa de aprendizagem com professores de escolas rurais. Até 2025, a iniciativa certificou 93 professores de 52 escolas. Em 2026, uma nova turma interestadual está em andamento.

Modelo apoiado pelo setor do tabaco

O Instituto Crescer Legal é uma iniciativa do Sindicato Interestadual da Indústria do Tabaco (SindiTabaco) e de empresas associadas ao setor. O modelo permite que as empresas direcionem suas cotas previstas na Lei da Aprendizagem para a contratação de jovens aprendizes que frequentam o curso de Gestão Rural e Empreendedorismo, sem a realização de atividades práticas nas indústrias.

Segundo o diretor-presidente do Instituto Crescer Legal, Valmor Thesing, a proposta busca garantir qualificação e proteção aos adolescentes do meio rural. “Assim, o Instituto Crescer Legal proporciona aos filhos de produtores de tabaco, com idades entre 14 e 17 anos, a oportunidade de desenvolvimento e qualificação, ao mesmo tempo em que garante que permaneçam afastados de atividades impróprias para sua faixa etária”, destaca Thesing.

Esse formato é validado pelo Ministério do Trabalho e se traduz em uma ação altamente eficiente no combate ao trabalho infantil”, enfatiza Valmor Thesing.

Dia de Combate ao Trabalho Infantil

O Dia Mundial e Nacional de Combate ao Trabalho Infantil foi instituído pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) em 2002 e oficializado no Brasil pela Lei nº 11.542/2007. A data tem como objetivo promover a conscientização sobre os impactos do trabalho precoce e reforçar os direitos de crianças e adolescentes à educação, ao lazer e ao desenvolvimento integral.

Foto: Junio Nunes/Divulgação | Fonte: Assessoria
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