Assembleia determina que obra de proteção contra enchentes só ficará pronta em 2031 em Eldorado do Sul

Por Marina Klein Telles

A confirmação de que o principal sistema de proteção contra enchentes de Eldorado do Sul só deverá ser concluído em junho de 2031 provocou indignação entre moradores, empresários e lideranças políticas durante audiência pública realizada nesta segunda-feira (1º) no município. O cronograma foi apresentado pela secretária-adjunta da Secretaria Estadual da Reconstrução, Ângela de Oliveira, e gerou reações imediatas no plenário.

Segundo a apresentação do governo Eduardo Leite, o edital da obra deve ser lançado ainda em 2026, a contratação ocorrer em maio de 2027, o início efetivo das obras está previsto para junho de 2028 e a conclusão somente três anos depois, em junho de 2031.

A revelação do cronograma ocorreu durante audiência promovida pela Comissão Externa da Câmara dos Deputados sobre os Danos Causados pelas Enchentes de 2023 e 2024 no Rio Grande do Sul e pela Frente Parlamentar do Empreendedorismo e Desburocratização da Assembleia Legislativa. Ao longo do encontro, moradores relataram o medo permanente de uma nova enchente enquanto aguardam as obras definitivas.

O presidente da União Empresarial de Eldorado do Sul (UNEESUL), Carlos Calixto, afirmou que é inadmissível descobrir que ainda se está na fase de licitação do projeto para o dique.  “Os senhores conseguem mensurar a angústia de uma população que dorme e acorda olhando para o nível do rio e para a previsão do tempo? Isso não é apenas um problema climático. Isso é cruel, muito cruel. Estamos na iminência de sofrer mais um prejuízo devastador, um golpe que pode ser fatal para a economia local”, desabafou.

Coordenador da Comissão Externa, o deputado federal Marcel van Hattem (NOVO-RS) afirmou que o prazo apresentado reforça a necessidade de cobrar mais rapidez dos governos. “O que a população ouviu hoje é que a principal obra de proteção da cidade poderá levar mais seis anos para ficar pronta. Isso é algo que precisa nos preocupar e mobilizar. Nosso trabalho é fiscalizar, cobrar e buscar alternativas para acelerar aquilo que é urgente para quem ainda convive diariamente com o medo de uma nova enchente”, afirmou.

O presidente da Frente Parlamentar do Empreendedorismo e Desburocratização da Assembleia Legislativa, deputado Felipe Camozzato (NOVO), também criticou a demora e defendeu mudanças legais para acelerar os processos. “A burocracia está custando tempo demais para quem perdeu tudo. Precisamos remover entraves e acelerar os processos para que as obras saiam do papel. O cronograma apresentado hoje mostra que a população de Eldorado do Sul continuará esperando por anos pela proteção definitiva que precisa”, afirmou.

A prefeita Juliana Carvalho também demonstrou preocupação com os prazos e atribuiu a demora à burocracia dos processos públicos. “Temos dinheiro para fazer a obra mais importante da cidade, mas não conseguimos avançar porque a burocracia é enorme. Somos uma cidade que precisa construir praticamente do zero seu sistema de proteção contra enchentes. E quem viveu tudo o que vivemos em 2024 convive, sim, com esse medo”, disse.

O relator da Comissão, deputado federal Pompeo de Mattos (PDT-RS), destacou que Eldorado do Sul foi o município que mais sofreu com a tragédia climática de 2024. “A maior tragédia de todas as tragédias, em termos de inundação, da história do Rio Grande do Sul foi nesta cidade. É por isso que precisamos dialogar, discutir, debater e cobrar soluções com responsabilidade e urgência”, afirmou.

A audiência foi marcada por cobranças para que governos e órgãos de controle encontrem mecanismos que permitam acelerar licitações, licenciamentos e contratações. O consenso entre os participantes foi de que a cidade não pode esperar até 2031 para ter concluída a principal obra destinada a protegê-la de novas enchentes.

Também participaram da audiência representantes de entidades empresariais e municipalistas, como a prefeita de Eldorado do Sul, Juliana Carvalho, vice-presidente regional da Federasul, Darcy Zottis, presidente da Câmara de Vereadores de Eldorado do Sul, Lodear Carlos Hahn (Dunga);  diretor do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), Hiratan Pinheiro da Silva, representante do SOS Enchentes e morador de Eldorado do Sul Cristol Gouvea; secretário extraordinário para Apoio à Reconstrução do Rio Grande do Sul do governo federal, Ramon de Jesus.

Foto: Divulgação | Fonte: Assessoria
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