A Associação Comercial, Industrial e de Serviços de Novo Hamburgo, Campo Bom, Estância Velha, Dois Irmãos e Ivoti (ACI-NH/CB/EV/DI/IV) recebeu um encontro nesta quinta-feira (5), em Novo Hamburgo, para debater o projeto de concessão de rodovias do Bloco 1 apresentado pelo Governo do Estado, que abrange os vales do Sinos e Paranhana e a Região das Hortênsias. O evento reuniu deputados estaduais, representantes de entidades e membros da sociedade civil para discutir o modelo proposto, que prevê aumento de pedágios, e buscar contribuições para a elaboração de um documento com sugestões a ser encaminhado aos órgãos competentes.
Convidados para o debate, os deputados estaduais Joel Wilhelm (PP), Felipe Camozatto (Novo) e Delegado Zucco (Republicanos) apresentaram dados e avaliações sobre o impacto da concessão. Os parlamentares afirmaram ser favoráveis à participação da iniciativa privada em serviços públicos, mas defenderam a revisão do formato apresentado pelo executivo estadual.
O deputado estadual Joel Wilhelm destacou valores previstos na modelagem. Segundo o parlamentar, os custos com softwares ao longo dos 30 anos de concessão ultrapassam R$ 732 milhões, o equivalente a mais de R$ 2 milhões por mês. “O Bloco 3, que já está em andamento, consome esse mesmo valor em um ano!”, enfatizou o deputado.
Wilhelm também mencionou despesas administrativas. De acordo com o parlamentar, os valores previstos com presidência e diretorias de engenharia e de operações somam mais de R$ 575 milhões no período, cerca de R$ 1,5 milhão mensais. Ele comparou com a atual gestão da EGR, cujo custo mensal é de aproximadamente R$ 50 mil. “Isso representa menos de 10% do que está sendo projetado”, afirmou o parlamentar.
Impacto nos pedágios
O deputado Wilhelm também citou o impacto sobre os motoristas. Atualmente, o valor total do pedágio na RS-239, no trajeto de ida e volta entre Novo Hamburgo e Riozinho, é de R$ 3,25. Com a implantação de cinco pontos de cobrança prevista no projeto, o custo passaria para R$ 29,68. “E tudo isso sem a previsão da realização das principais obras para a região. Diante desse cenário, somos totalmente contrários a essa proposta”, pontuou o parlamentar.
Possibilidade de judicialização
O deputado estadual Felipe Camozatto, vice-presidente da CPI que analisa o tema na Assembleia Legislativa, afirmou que o estado ficará vinculado ao modelo por três décadas. “Trata-se de um contrato de longo prazo que engessa futuras gestões”, disse. Ele também mencionou apontamentos do Tribunal de Contas do Estado. “Há elementos suficientes, inclusive, para a judicialização da concessão, caso ela avance”, afirmou Camozatto.
O parlamentar ainda comentou efeitos indiretos do aumento das tarifas. Segundo ele, pedágios mais altos podem desviar o tráfego para dentro das cidades. “Isso trará impactos econômicos e estruturais para quem vive ao longo dessas rodovias”, pontuou Camozatto. O deputado também sugeriu mudanças na forma de implantação. “Estão tentando resolver um atraso de mais de 30 anos de uma só vez. Um faseamento do projeto talvez fosse mais adequado”, ponderou.
Pedido por mais debate
O deputado estadual Delegado Zucco defendeu maior discussão pública sobre o projeto. “É preciso ouvir a sociedade antes de avançar com uma concessão desse porte”, enfatizou Zucco. O deputado também mencionou a retomada do pagamento da dívida do estado com a União a partir de 2027. “Somos favoráveis às parcerias público-privadas, mas não dessa forma”, afirmou o parlamentar.
Participação de entidades
O encontro contou com representantes de entidades da região, entre elas Abrameq, Abicalçados, Assintecal, Aicsul, CDL-NH, Sindilojas Vale Germânico, Sindicato das Indústrias de Calçados de Novo Hamburgo, Sindicato da Indústria de Calçados do RS, IBTeC, Fenac e Feevale/Aspeur. A abertura foi realizada pelo presidente interino da ACI, Eduardo Gottlieb, e a condução do evento ficou a cargo do diretor Fauston Saraiva.


