Importação de componentes para calçados cresce 84,4% no Brasil

Por Jonathan da Silva

As importações brasileiras de componentes para calçados acumularam uma alta de 84,4% nos últimos quatro anos e ultrapassaram US$ 44 milhões em 2025, segundo dados elaborados pela Associação Brasileira das Empresas de Componentes para Couro, Calçados e Artefatos (Assintecal), com base em registros da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). O crescimento também avançou em 2026: entre janeiro e julho, as importações aumentaram 14% em relação ao mesmo período do ano anterior. No recorte dos cabedais, parte superior dos calçados, a alta acumulada chegou a 92% entre 2021 e 2025.

A superintendente da Assintecal, Silvana Dilly, pondera ainda que o crescimento médio das importações de componentes foi de 16,5% nos últimos quatro anos. “A tendência é de incremento, já que, em 2026, de janeiro a julho, as importações avançaram mais 14% em relação ao mesmo período do ano passado”, projeta Silvana.

Entre os componentes, os cabedais registraram o maior crescimento no período analisado, com aumento de 92% nas importações.

Participação da China

A participação de produtos chineses na pauta de importações de componentes também aumentou nos últimos quatro anos. Segundo a Assintecal, a presença da China passou de 40% para 83% do total importado no período. No caso específico dos cabedais, a participação chinesa chegou a 86%. “As importações de componentes do país asiático aumentaram 280% nos últimos quatro anos, muito acima do crescimento geral”, afirma Silvana Dilly.

Reflexos na cadeia produtiva

A entidade relaciona o aumento das importações ao cenário enfrentado pelos fabricantes brasileiros nos mercados doméstico e internacional. No primeiro semestre de 2026, a produção brasileira de calçados caiu 5,6% em comparação com o mesmo período de 2025.

As exportações do setor também registraram queda. Entre janeiro e julho de 2026, houve redução de 18% em valores na comparação com os mesmos meses do ano anterior.

Existe menos espaço para o calçado brasileiro aqui e no exterior, o que diminui a demanda por materiais nas fábricas. É uma pressão que afeta toda a cadeia produtiva, de forma direta ou indireta”, destaca a superintendente da Assintecal, Silvana Dilly.

Segundo a executiva, o cenário exige uma articulação entre os diferentes segmentos da cadeia para reduzir os efeitos da concorrência das importações, especialmente aquelas provenientes da Ásia. “Precisamos pensar formas de enfrentar, de forma articulada com todos os elos da cadeia, o problema representado pela agressividade crescente das importações sobre o mercado brasileiro”, conclui Silvana.

Foto: Divulgação | Fonte: Assessoria
Publicidade

Você também pode gostar

Deixe um comentário

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.