Entidades lançam manifesto de alerta para perda de competitividade da indústria com fim da escala 6×1

Por Ester Ellwanger

As entidades SinmaqSinos, Abrameq e ACI lançaram nesta sexta-feira, 28 de agosto, um manifesto em alerta para a perda de produtividade e competitividade da indústria com o fim da escala 6×1

A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019, que prevê o fim da escala de trabalho 6×1, pode ser votada na próxima quarta-feira, 02 de setembro, na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. O relator da matéria, senador Omar Aziz (PSD-AM), pretende levar o texto à análise do colegiado na data.

O parecer favorável foi apresentado por Aziz nesta quinta-feira, 27 de agosto, e mantém integralmente a versão aprovada pela Câmara dos Deputados, rejeitando as 12 emendas apresentadas no Senado.

Veja a seguir a íntegra do manifesto das entidades:

O passado ensina: por que a mudança da escala 6x1 exige cautela 

O passado já nos mostrou por que devemos ser contra a redução da jornada. Quando a jornada foi reduzida de 48 para 44 horas e novos direitos trabalhistas foram criados, a indústria alertou para seus impactos. Essas medidas não fizeram as empresas desaparecerem de um dia para o outro, mas isso não significa que sucessivos aumentos de custos não tenham consequências.

Em 1986, a indústria de transformação representava 27,3% do PIB brasileiro. Hoje, representa cerca de 13,7%. Ao mesmo tempo, o Brasil ocupa apenas a 58ª posição entre 69 economias no Ranking Mundial de Competitividade do IMD.

Não estamos afirmando que a redução da jornada tenha causado essa perda. O que os dados mostram é que a indústria brasileira vem perdendo espaço e competitividade. Cada nova medida que aumenta o custo de produzir no Brasil precisa, portanto, ser avaliada com muito mais responsabilidade.

Reduzir a jornada de 44 para 40 horas, mantendo integralmente os salários, significa reduzir em cerca de 9% o tempo de trabalho. Sem ganho equivalente de produtividade, haverá aumento do custo por hora produzida.

Competitividade não se perde de uma vez. Perde-se gradualmente: em um investimento que vai para outro país, em uma importação que substitui a produção nacional, em uma fábrica que deixa de ampliar ou em empregos que deixam de ser criados.

Por isso, antes de discutir apenas quantas horas devemos trabalhar, o Brasil precisa discutir como produzir mais por hora, reduzir o Custo Brasil e voltar a ser competitivo.

Novo Hamburgo, 28 de agosto de 2026.

Sindicato da Indústria de Máquinas e Implementos Industriais e Agrícolas de Novo Hamburgo e Região (SinmaqSinos)
Associação Brasileira das Indústrias de Máquinas e Equipamentos para os Setores do Couro, Calçados e Afins (Abrameq)
Associação Comercial, Industrial e de Serviços de Novo Hamburgo, Campo Bom, Estância Velha, Dois Irmãos e Ivoti (ACI)

Foto: Divulgação | Fonte: Assessoria

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