O Rio Grande do Sul registrou o menor crescimento econômico entre os estados brasileiros no período de 2002 a 2023, segundo a primeira edição da série “Estudos em Crescimento Econômico e Produtividade”, elaborada pelo Instituto Fecomércio-RS de Pesquisa (Ifep-RS). O levantamento compara o desempenho da economia gaúcha com os demais estados do país e busca identificar os fatores que influenciaram a trajetória do estado nas últimas duas décadas, além de subsidiar debates sobre produtividade e desenvolvimento econômico.
De acordo com o estudo, o Produto Interno Bruto (PIB) do Rio Grande do Sul cresceu 34% no período analisado, abaixo da média nacional, de 58%, e dos índices registrados pelos estados vizinhos da região sul: Paraná, com crescimento de 55%, e Santa Catarina, com 65%.
Indicadores de renda e produtividade
O levantamento também analisou o PIB per capita, indicador que mede a renda média por habitante. Nesse quesito, o Rio Grande do Sul apresentou crescimento de 24% entre 2002 e 2023, ficando à frente apenas de Santa Catarina, que registrou alta de 19%. O Paraná obteve o melhor desempenho da Região Sul, com avanço de 31%.
Segundo o Ifep-RS, os estados seguiram trajetórias distintas. Santa Catarina ampliou sua economia impulsionada principalmente pelo crescimento populacional, enquanto o Paraná converteu o crescimento econômico em ganhos de renda por habitante por meio do aumento da produtividade. Já o Rio Grande do Sul, conforme o estudo, não apresentou destaque em nenhuma dessas frentes.
O estudo aponta ainda que cerca de 73% da expansão do PIB per capita do Paraná decorreu de ganhos de produtividade do trabalho. Em Santa Catarina, o crescimento foi dividido entre aumento da produtividade e expansão da população ocupada. No Rio Grande do Sul, embora a produtividade tenha representado a maior parcela do crescimento da renda, o Estado apresentou dependência relativamente maior da expansão do emprego, mecanismo que tende a perder força com o envelhecimento da população.
Ainda conforme o levantamento, a vantagem relativa de produtividade que o Rio Grande do Sul possuía em relação à média nacional no início dos anos 2000 praticamente desapareceu. Entre 2002 e 2023, a produtividade do trabalho no Estado cresceu, em média, 0,65% ao ano, enquanto a média brasileira foi de 0,94%.
Análise do estudo
Para o diretor executivo do Ifep-RS, Lucas Schifino, os dados indicam que o desafio do estado está relacionado à ausência de um fator capaz de sustentar o crescimento econômico no longo prazo. “Nas últimas duas décadas, o estado não contou com o impulso demográfico observado em Santa Catarina nem com os ganhos de produtividade que marcaram a trajetória do Paraná. Isso explica por que fomos perdendo posição relativa no cenário nacional. Com uma população envelhecendo e um crescimento demográfico cada vez mais limitado, a produtividade deixa de ser apenas um indicador econômico e passa a ser a principal condição para ampliar renda, competitividade e bem-estar”, afirma Schifino.
O presidente do Sistema Fecomércio-RS/Sesc/Senac e IFEP-RS, Luiz Carlos Bohn, destaca que o diagnóstico busca subsidiar políticas públicas e estratégias de desenvolvimento. “O estudo evidencia que o desafio do Rio Grande do Sul vai além de crescer mais. Precisamos entender por que o estado perdeu competitividade relativa e quais fatores impediram avanços mais robustos em produtividade e geração de renda. Um diagnóstico qualificado é condição indispensável para orientar políticas públicas, investimentos e estratégias capazes de fortalecer o ambiente de negócios e ampliar as oportunidades para a população gaúcha”, ressalta Bohn.
Próximas etapas
O Ifep-RS informa que a primeira nota inaugura uma série de análises sobre crescimento econômico e produtividade. Os próximos estudos abordarão os limites do crescimento relacionados ao mercado de trabalho e à demografia, os determinantes da produtividade no Rio Grande do Sul e a influência da estrutura setorial da economia sobre o desempenho estadual.
O que esta primeira nota mostra é que o Rio Grande do Sul não apresentou um diferencial claro em nenhuma das principais fontes de expansão econômica. Com as limitações demográficas que já se desenham para os próximos anos, a produtividade passa a ocupar papel central na capacidade do estado de sustentar ganhos de renda e bem-estar. […] O objetivo é responder a uma questão central para o desenvolvimento regional: por que o Rio Grande do Sul ficou para trás e quais motores de crescimento ainda podem ser acionados para recolocar o estado em uma trajetória sustentável de aumento da renda por habitante”, conclui Lucas Schifino.


