A autonomia energética de propriedades distantes de centros urbanos, como grandes fazendas, é a preocupação de um projeto desenvolvido na Universidade Feevale, em Novo Hamburgo. Em parceria com a empresa gaúcha Agrovec, o grupo de pesquisa Energias Renováveis e Eficiência Energética, vinculado ao Programa de Pós-graduação em Tecnologia de Materiais e Processos Industriais, realiza a pesquisa Desenvolvimento de um veículo elétrico híbrido – solar e biomassa.
Coordenado pelo pesquisador Moisés de Mattos Dias, o estudo visa desenvolver uma carreta agrícola híbrida: o veículo, anteriormente movido a gasolina, passará a contar com um motor elétrico, um módulo solar flexível e um gerador a biocombustível.
Uma equipe multidisciplinar e formada por acadêmicos da Feevale vem trabalhando no desenvolvimento do motor elétrico do veículo, além de toda a sua parte elétrica-eletrônica, como o desenvolvimento de conversores e inversores, carregadores de baterias e um controle a partir de microprocessadores. A ideia é que, em maio, essa etapa seja concluída e o carro possa retornar à Agrovec para as montagens finais.
“Este protótipo ainda não poderá ser comercializado, pois servirá para estudo dos mais diversos.”
Baterias que podem ser alimentadas de três formas
O motor padrão, movido a gasolina, está sendo substituído por um Motor Elétrico Síncrono de 9kW, com rotor construído a partir de processos de Metalurgia do Pó, em que blocos maciços de ferro foram compactados e sintetizados. O motor elétrico será alimentado por um conjunto de baterias, que poderão ser carregadas por meio de energia fotovoltaica, fazendo uso de uma película solar flexível de 100W fixada no topo do veículo; pelo gerador a combustão de 5kW acoplado na traseira do veículo. O gerador foi modificado para trabalhar com fontes renováveis, como biometano e biodiesel, por convencionalmente funcionar, apenas, com diesel comum; este conjunto também poderá ser carregado, alternativamente, pela rede elétrica, por meio de uma tomada convencional.
“Quando o setor privado acredita e potencializa os projetos de pesquisa, os problemas e suas descobertas se tornam cada vez mais reais.”
A previsão é que a tecnologia possa ser aplicada comercialmente a partir de 2022. “Este protótipo ainda não poderá ser comercializado, pois servirá para estudo dos mais diversos, referentes ao desenvolvimento de veículos elétricos híbridos aplicados para a área agrícola”, explica Dias. Assim, existe a previsão do desenvolvimento de um segundo protótipo a partir de 2021, sendo que, neste outro veículo, serão realizadas as modificações necessárias para o desenvolvimento de um protótipo definitivo, ou seja, comercial.
De acordo com o pró-reitor de Pesquisa, Pós-graduação e Extensão da Feevale, João Sganderla Figueiredo, a pesquisa transmite mais que descoberta acadêmica cientifica. “Ela é fonte inspiradora de transformação de um novo ciclo econômico que devemos pensar. Sustentar a dinâmica do capital, com responsabilidade socioambiental. Sobretudo, novamente, vale destacar que, quando o setor privado acredita e potencializa os projetos de pesquisa, os problemas e suas descobertas se tornam cada vez mais reais”, afirma. O projeto tem parceria com a Agrovec Indústria de Equipamentos Ltda., JSA Engenharia Ltda. e Universidade Luterana do Brasil (Ulbra).


