Tensão global afeta cadeia de petróleo e abre espaço para soluções circulares no Brasil

Por Marina Klein Telles

A escalada de tensões no Oriente Médio, região-chave para o fornecimento global de petróleo, tem impacto direto sobre cadeias produtivas no Brasil, especialmente aquelas dependentes de derivados como matéria-prima. Entre elas, o setor de óleos lubrificantes se destaca pela relevância transversal na economia, abastecendo desde a indústria pesada até o transporte.

Dados recentes da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) indicam que, apesar de avanços na produção nacional, o Brasil ainda mantém uma dependência significativa da importação de óleos básicos. Em 2024, a produção nacional de óleos básicos pelas refinarias foi de aproximadamente 646 milhões de litros, enquanto a demanda interna segue superior a esse volume, exigindo complementação por meio de importações.

Estimativas do setor, com base em dados da ANP e do comércio exterior, indicam que o Brasil importa milhões de litros de óleos básicos anualmente, com participação relevante de mercados como Estados Unidos, Oriente Médio e Ásia, o que torna a cadeia diretamente exposta a oscilações geopolíticas, logísticas e cambiais.

Produção nacional sustentável

Ao mesmo tempo, o país tem avançado em uma alternativa estratégica e sustentável: o rerrefino de óleo lubrificante usado, isto é, refinar novamente o resíduo pós consumo. O modelo brasileiro é referência internacional, e permite transformar resíduos em novos óleos básicos de alta qualidade, incluindo produtos do Grupo II, que só tem produção no Brasil por meio do rerrefino, reduzindo a necessidade de importação e a dependência de petróleo virgem.

Atualmente, o rerrefino é responsável por evitar parte significativa da importação de Óleo Básico mineral, gerando uma economia estimada em cerca de US$ 300 milhões por ano de acordo com a AMBIOLUC, Associação Ambiental para coleta, gestão e rerrefino do OLUC.

No Brasil, por força da legislação, o óleo lubrificante usado deve retornar ao ciclo produtivo por meio do rerrefino, um volume que contribui de forma relevante para o abastecimento interno, embora ainda insuficiente para atender toda a demanda nacional.

“A dependência de insumos importados torna a indústria brasileira mais vulnerável a eventos externos, como conflitos e restrições logísticas. O rerrefino é uma solução estratégica que combina segurança de abastecimento com ganhos ambientais”, afirma Aylla Kipper, presidente da AMBIOLUC e head de relações institucionais da Lwart Soluções Ambientais.

Segundo a executiva, o Brasil possui uma base sólida para ampliar essa produção. “Temos uma cadeia estruturada de logística reversa e capacidade tecnológica instalada”, destaca.

Além do aspecto econômico, o rerrefino também contribui diretamente para a agenda ambiental. O reaproveitamento do óleo usado evita o descarte irregular e reduz a necessidade de extração de petróleo, com impacto positivo na redução de emissões de gases de efeito estufa.

Lwart amplia capacidade e reforça papel do Brasil no rerrefino de alta qualidade

Como um dos principais players do setor no país, a Lwart Soluções Ambientais avança na expansão de sua planta industrial, com conclusão prevista para o segundo semestre deste ano. O investimento permitirá dobrar a capacidade produtiva da empresa, ampliando a oferta nacional de óleos básicos rerrefinados do Grupo II.

A iniciativa reforça o papel estratégico do rerrefino não apenas como solução ambiental, mas como alternativa concreta para reduzir a dependência brasileira de insumos importados. “Com a ampliação, a Lwart contribui para o fortalecimento da cadeia local de lubrificantes e para o aumento da segurança de abastecimento em um cenário internacional instável”, complementa Aylla.

Foto: Divulgação | Fonte: Assessoria
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