Egressa da Feevale integra a equipe de produção do filme Galinha Pintadinha

Formada em Design de Animação, Katiele da Silva, trabalhou por 11 meses na produção do longa-metragem

Por Gabrielle Pacheco

Ver o próprio nome nos créditos de um longa-metragem exibido nos cinemas era um sonho que Katiele da Silva imaginava realizar apenas muitos anos após a graduação. No entanto, em 2025, apenas um mês depois de concluir o curso de Design de Animação na Universidade Feevale, ela recebeu a oportunidade de integrar a equipe de produção de Galinha Pintadinha – O Filme, que estreará nos cinemas brasileiros em 1º de outubro. O longa celebra os 20 anos da franquia e apresenta uma aventura inédita em 3D da personagem que conquistou gerações de crianças.

Moradora de Carlos Barbosa, Katiele, 22 anos, atuou durante 11 meses como asset manager na produção. A função, pouco conhecida pelo grande público, é fundamental para garantir o bom andamento de um filme de animação. Ela era responsável por identificar e solucionar falhas técnicas, revisar cenas e assets – como modelos, texturas, rigs e animações – e assegurar que todos os arquivos chegassem corretamente às diferentes etapas da pipeline de produção.

“Meu trabalho era garantir que tudo funcionasse corretamente ao longo da produção. Muitas vezes, isso significava resolver pequenos problemas antes que eles chegassem às etapas finais. Em um longa-metragem, um detalhe aparentemente simples pode gerar atrasos significativos e aumentar bastante o custo da produção”, explica. Katiele acompanhou a reta final da etapa de animação, auxiliando na preparação das cenas para os departamentos de iluminação e renderização. Ela integrou a equipe da Hype Entertainment, estúdio contratado pela Bromélia Filmes para participar da produção do longa.

Da sala de aula ao cinema

A oportunidade surgiu a partir de uma experiência vivida ainda durante a graduação. Ao longo do curso, Katiele participou de três edições do Portfolio Review, iniciativa da Universidade Feevale que aproxima estudantes de empresas das áreas de animação, jogos e audiovisual. “Esses eventos foram decisivos. Tive a oportunidade de conversar com profissionais da Hype, mostrar meu portfólio e entender melhor o mercado. Pouco tempo depois de me formar, fui contratada para trabalhar no filme”, conta.
Segundo a egressa, a graduação foi essencial para sua preparação profissional, tanto pela formação técnica quanto pelas oportunidades de aproximação com o mercado. Ela também destaca a experiência de intercâmbio na Coreia do Sul, realizada por meio de uma bolsa integral da Feevale, onde aprofundou seus conhecimentos em produção 3D ao lado de professores e estudantes de diversos países.

Katiele diz que as disciplinas de projeto também foram muito importantes na sua formação. “Produzir animações em equipe, do conceito até a entrega final, me ensinou sobre organização, gerenciamento de projetos e trabalho colaborativo, habilidades fundamentais na indústria da animação”, afirma.

Tecnologia, desafios e bom humor

Entre os principais desafios do projeto do qual Katiele participou esteve o trabalho com a tecnologia de fur, utilizada para simular os pelos dos personagens e parte da vegetação do filme. O recurso proporciona um visual mais cartunesco e semelhante a um tecido de pelúcia, mas exige alto poder de processamento e torna os arquivos muito mais pesados.

Outro desafio era evitar que erros chegassem à etapa de renderização, um processo extremamente demorado. Segundo Katiele, uma cena de apenas quatro segundos podia levar mais de oito dias para ser renderizada, dependendo da complexidade. Caso algum problema fosse identificado ao final desse processo, a cena precisava ser corrigida e renderizada novamente.

Apesar da complexidade técnica, o ambiente de trabalho também teve momentos descontraídos. Um dos episódios mais marcantes aconteceu quando um bug substituiu a Galinha Pintadinha por uma galinha genérica em uma cena romântica com o Galo Carijó. “Quando me disseram que tinha acontecido uma ‘talaricagem’ no filme, achei que era uma fofoca da equipe. Depois me mostraram a cena e não consegui parar de rir”, relembra.

Sonho realizado

Para Katiele, participar da produção de uma franquia tão conhecida pelo público infantil foi a realização de um sonho logo no início da carreira. “Sempre quis trabalhar em um longa-metragem e ver meu nome nos créditos de um filme exibido nos cinemas, mas imaginava que isso aconteceria depois de cinco ou dez anos de profissão. Nunca pensei que essa oportunidade chegaria apenas um mês após concluir a graduação”, destaca.

 Ela acredita que o público que for ao cinema assistir Galinha Pintadinha – O Filme encontrará uma produção visualmente sofisticada e capaz de agradar diferentes gerações. “É um filme feito com muito cuidado por toda a equipe. A animação ficou muito bonita e é uma produção bastante ambiciosa para a animação brasileira. Tenho certeza de que vai divertir as crianças e também conquistar muitos adultos”, ressalta. 

Hoje, Katiele segue trabalhando na área e pretende se especializar em rigging e technical art. Para os estudantes que sonham em ingressar na indústria da animação, ela deixa um conselho: “A universidade é o melhor momento para experimentar diferentes áreas, desenvolver um bom portfólio e entender o que o mercado procura. Além da parte técnica, habilidades como comunicação, organização, vontade de aprender e trabalho em equipe fazem toda a diferença”, conclui.

Foto:  Divulgação | Fonte: Assessoria

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