O Instituto de Governança e Controle do Câncer (IGCC), o Hospital Moinhos de Vento, o City Cancer Challenge (C/Can) e a Secretaria Municipal de Saúde de Porto Alegre, assinaram nesta quinta-feira, 10 de setembro, a Repactuação do Compromisso com a Qualidade do Cuidado no Controle do Câncer. A assinatura marcou a I Cúpula Multilateral de Cidades da América Latina no Controle do Câncer, realizada pelo IGCC nos dias 9 e 10 de setembro, no Hospital Moinhos de Vento, com gestores públicos, especialistas, organismos internacionais e representantes da sociedade civil de Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, México, Paraguai e Peru.
A Cúpula nasceu de uma premissa simples: é nas cidades que o câncer é enfrentado. Políticas nacionais e diretrizes internacionais só chegam às pessoas quando um município consegue organizar redes, integrar dados, coordenar serviços e sustentar essa articulação para além de um ciclo de gestão. O encontro reuniu, pela primeira vez na região, cidades que percorreram esse caminho para comparar o que funcionou, o que travou e o que pode ser replicado.
“A América Latina compartilha desafios importantes no controle do câncer, mas cada cidade também tem experiências e soluções que podem contribuir para outras realidades. Colocar essas diferentes perspectivas em diálogo é o que permite avançar na construção de compromissos capazes de fortalecer as políticas públicas e reduzir desigualdades no acesso ao cuidado em toda a região”, afirma a dra. Maira Caleffi, presidente do Conselho de Administração do IGCC e mastologista chefe do Núcleo Mama do Hospital Moinhos de Vento.
Em seu encerramento, o evento resultou na assinatura de um compromisso que visa ao fortalecimento do controle do câncer na América Latina.
O que a repactuação assume
Assinada por IGCC, Hospital Moinhos de Vento, City Cancer Challenge e Prefeitura de Porto Alegre, a repactuação renova a aliança iniciada na capital em 2021, com a chegada do City Cancer Challenge à cidade, e formaliza a disposição das quatro instituições de seguirem trabalhando juntas pela qualificação das políticas públicas e pela melhoria contínua da qualidade do cuidado.
O documento reconhece que os avanços científicos e tecnológicos das últimas décadas ampliaram as possibilidades de prevenção, detecção precoce, diagnóstico e tratamento, mas que permanecem desafios ligados às desigualdades de acesso, à fragmentação das jornadas de cuidado, à capacidade dos serviços, à disponibilidade de informações e, sobretudo, à implementação efetiva das políticas já existentes, quadro agravado, em Porto Alegre, pela sobrecarga do sistema municipal em razão do atendimento a populações de outras cidades.
Entre os compromissos assumidos estão o fortalecimento da prevenção, do rastreamento e da detecção precoce, jornadas de cuidado mais coordenadas e resolutivas, a redução das desigualdades de acesso e a manutenção de espaços permanentes de diálogo para revisar prioridades e acompanhar avanços, com pacientes, organizações da sociedade civil e comunidades reconhecidos como parceiros estratégicos do processo.
“Estamos afirmando que são as cidades que enfrentam o câncer. O IGCC não é de Porto Alegre: tem abrangência nacional, e vamos levar essa experiência para outras cidades. Assinamos esta repactuação para garantir colaboração e sustentabilidade na nossa cidade, para que possamos seguir juntos”, afirmou Maira Caleffi ao convidar os representantes das instituições para a assinatura.
Sete cidades, um mesmo problema
O primeiro dia foi dedicado à experiência do C/Can na América Latina. Assunção (Paraguai), Cali (Colômbia), Rosário (Argentina), Arequipa (Peru), León (México), Concepción (Chile) e Porto Alegre (Brasil) apresentaram seus percursos em governança local, planos municipais, qualidade do cuidado, equipes multidisciplinares, navegação de pacientes e sustentabilidade das iniciativas. O panorama regional de incidência, mortalidade e desigualdades de acesso ficou a cargo do dr. Gustavo Werutsky, diretor executivo do LACOG.
“A América Latina ainda não está totalmente conectada. Temos similaridades, mas também muitas diferenças, e uma cúpula como esta se propõe exatamente a isso, que é conhecer o que cada um de nós faz, afirmar o que temos em comum e buscar inspiração nos projetos que são diferentes e melhores”, disse Mohamed Parrini, CEO do Hospital Moinhos de Vento, que também destacou o papel de institutos públicos e universidades na produção de tecnologia em saúde.
Diagnóstico precoce e acesso no centro do debate
No segundo dia, o debate se voltou à distância entre formular e implementar políticas públicas. A dra. Guacyra Magalhães Pires Bezerra, diretora do Departamento de Atenção ao Câncer do Ministério da Saúde, citou o rastreamento do colo do útero com teste de DNA-HPV, a chegada do teste FIT para câncer colorretal ainda neste ano, a incorporação de novas drogas e a ampliação do acesso à radioterapia. “Continuar diagnosticando as pessoas em estágios 3 e 4 não é o objetivo. Nós queremos as pessoas curadas e de volta para a sua vida”, afirmou.
Secretário de Estado da Saúde interino do Rio Grande do Sul, Bruno Leonardo apresentou o Plano Estadual de Oncologia, o Observatório do Câncer e as novas unidades custeadas pelo Estado em Vacaria e Osório. “Essa integração entre as cidades é muito importante, e esperamos que a Cúpula fortaleça a construção coletiva”, disse. Já Fernando Ritter, secretário Municipal de Saúde de Porto Alegre, destacou o trabalho sobre a jornada do paciente, a integração de dados, os novos aceleradores lineares e o programa Agora Tem Especialistas. “Tenho certeza de que até 2030 estaremos em outro patamar.”
A I Cúpula Multilateral de Cidades da América Latina no Controle do Câncer foi realizada em parceria com o City Cancer Challenge e o Hospital Moinhos de Vento, com apoio das farmacêuticas AstraZeneca, Daiichi-Sankyo, Novartis e Roche.
Foto: Divulgação | Fonte: Assessoria


