Canadá é apresentado como mercado para calçadistas do Vale do Sinos

Por Jonathan da Silva

Empresas e entidades calçadistas do Vale do Sinos receberam informações sobre oportunidades de negócios no Canadá durante reunião aberta do Comitê de Internacionalização da Associação Comercial, Industrial e de Serviços de Novo Hamburgo, Campo Bom, Estância Velha, Dois Irmãos e Ivoti (ACI) nesta quarta-feira (23). O encontro contou com a participação do copresidente da Câmara de Comércio Brasil-Canadá, Peter Hawkins, que apresentou características do mercado canadense, cenários econômicos e comerciais e alternativas para empresas brasileiras acessarem consumidores do país.

Na abertura, o diretor da ACI, Fauston Saraiva, afirmou que a reunião teve como objetivo auxiliar os associados na compreensão do mercado internacional e na expansão dos negócios. Segundo ele, a discussão ganha relevância após o novo tarifaço dos Estados Unidos.

O Canadá foi apresentado como um possível destino para o calçado brasileiro. Com população de aproximadamente 41,5 milhões de pessoas, o país consome cerca de 150 milhões de pares de calçados por ano, segundo as informações apresentadas no encontro. Parte desses produtos é importada da China, do Vietnã e da Itália.

Mercados regionais

Durante a reunião, o copresidente da Câmara de Comércio Brasil-Canadá, Peter Hawkins, destacou que o país possui diferentes mercados regionais, com características próprias de consumo e entrada de produtos. “O Canadá é composto por vários mercados regionais, que são pontos de ingresso no país”, ressaltou Hawkins.

Em Ontario, segundo ele, oportunidades de grande volume, sortimento amplo, atuação omnichannel e disciplina em serviços e preços são fatores considerados importantes. Em Quebec, moda, design e relevância para o mercado local têm peso adicional. Na British Columbia, o clima úmido favorece um estilo de vida voltado para atividades ao ar livre e produtos resistentes às condições climáticas. Em Alberta, a renda familiar mais alta impulsiona categorias voltadas para o trabalho e atividades ao ar livre no inverno. Já no Atlantic Canada, os volumes menores de pedidos favorecem relacionamentos, reposição confiável e produtos versáteis.

Exportação a partir do Vale do Sinos

Hawkins também apontou que a presença de ativos de exportação em Novo Hamburgo e no Vale do Sinos pode contribuir para a entrada de empresas da região no mercado canadense. Segundo ele, antes de definir uma estratégia de atuação no Canadá, é necessário avaliar os canais e processos de distribuição já utilizados no Brasil. “A distribuição brasileira é o diagnóstico de exportação, mas, antes de falar sobre o Canadá, é preciso entender o que já funciona no Brasil, como canais, desempenho, execução, disponibilidade e suporte”, enfatizou o canadense.

Quatro rotas de acesso

Durante a reunião, Hawkins apresentou quatro alternativas para empresas brasileiras acessarem clientes canadenses: atendimento direto a partir do Brasil, marketplaces canadenses, utilização de armador e operador logístico e atuação por meio de distribuidor local.

O atendimento direto do Brasil exige baixo investimento inicial, mas pode resultar em prazos de entrega mais longos, dificuldades para devoluções e cobranças inesperadas de taxas alfandegárias.

Os marketplaces canadenses permitem testar rapidamente a demanda, mas envolvem taxas e oferecem propriedade limitada sobre os clientes. Já a utilização de armador e operador logístico possibilita entregas mais rápidas e facilita processos de devolução.

A quarta opção apresentada foi a atuação por meio de um distribuidor local, que pode facilitar relacionamentos, questões de conformidade e a realização das operações, mas implica menor margem e controle para o fabricante.

Foto: Divulgação | Fonte: Assessoria
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