Caio Camargo aborda uso da IA no varejo durante a Expoagas 2026

Por Jonathan da Silva

A Expoagas 2026 iniciou a programação de palestras na manhã desta terça-feira (18), com uma apresentação do especialista em varejo e tecnologia Caio Camargo, no Teatro da Fiergs, em Porto Alegre. Na palestra “Varejo em tempos de inteligência artificial”, Camargo discutiu os efeitos da inteligência artificial sobre o comportamento do consumidor e os modelos de negócios do setor, com destaque para o comércio agêntico, no qual agentes de IA passam a participar das decisões de compra.

Para explicar o momento atual, o especialista dividiu a evolução do varejo em quatro fases. A primeira, entre 1950 e 2005, foi marcada pela eficiência, com destaque para empresas capazes de operar e comprar melhor para vender mais barato.

Entre 2005 e 2020, o foco passou a ser a experiência. Com a expansão do digital, as lojas precisaram assumir novas funções e deixaram de atuar apenas como pontos de venda para também se tornarem espaços de experiência e relacionamento com os consumidores.

A terceira fase começou em 2020 e, segundo a projeção apresentada por Camargo, segue até 2030. É definida como a era da conveniência extrema, na qual as empresas precisam reduzir as fricções da jornada de compra. Nesse contexto, logística, velocidade e proximidade ganham relevância.

A partir de 2030, a quarta fase será marcada pela recomendação. De acordo com o especialista, a inteligência artificial tende a assumir uma função semelhante à de um “concierge” do consumidor, que poderá delegar cada vez mais decisões de compra aos agentes de IA. Apesar da projeção, Camargo afirmou que essa transformação já começou.

Era da atenção

Na avaliação do palestrante, o varejo também está deixando a chamada “era da atenção”, baseada na lógica de que “quem não é visto não é comprado”. Nesse modelo, ampliar a exposição e investir em marketing eram estratégias para gerar vendas.

O mercado, segundo Camargo, entra agora na era da confiança, em que “quem não é recomendado não é comprado”. Com isso, a qualidade da entrega, a experiência oferecida e a reputação construída pelas empresas passam a ter maior participação no processo de decisão.

Avaliações e recomendações também já fazem parte das escolhas dos consumidores. “Operação é o novo marketing. Operação que funciona vira marketing silencioso”, afirmou o especialista.

Comércio agêntico

Durante a apresentação, Camargo apresentou ainda o conceito de Agent Commerce, ou comércio agêntico. Nesse modelo, agentes de inteligência artificial atuam como intermediários entre consumidores e empresas, pesquisando produtos, comparando alternativas e apresentando recomendações.

A mudança altera a forma como consumidores podem chegar às marcas, uma vez que parte da pesquisa e da comparação de produtos passa a ser realizada por sistemas de inteligência artificial.

Papel das lojas físicas

Apesar do avanço do comércio digital e das novas tecnologias, Camargo afirmou que as lojas físicas continuam tendo papel relevante no varejo. Segundo dados apresentados durante a palestra, 85% das vendas ainda ocorrem nesses espaços.

Para o especialista, a importância das lojas físicas está relacionada a cinco forças: confiar, resolver, pertencer, sentir e descobrir. Ao encerrar a apresentação, Camargo destacou a necessidade de “entender como criar vínculo com o consumidor”.

Foto: Larry Silva/Divulgação | Fonte: Assessoria
Publicidade

Você também pode gostar

Deixe um comentário

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.