A Associação Comercial, Industrial e de Serviços de Novo Hamburgo, Campo Bom, Estância Velha, Dois Irmãos e Ivoti (ACI-NH/CB/EV/DI/IV) inaugurou uma cópia da ata que registra a reunião realizada há cem anos para criar a comissão responsável pelo movimento de emancipação de Novo Hamburgo. A cerimônia ocorreu nesta segunda-feira (31), na sede da entidade, no mesmo local onde, em 31 de agosto de 1926, empresários associados organizaram a iniciativa que resultaria na emancipação do então distrito de São Leopoldo, em abril de 1927. A inauguração também marcou o início oficial das comemorações do Centenário de Novo Hamburgo, que será celebrado em abril de 2027.
A cerimônia reuniu ex-presidentes da ACI, integrantes da atual diretoria, o secretário de Turismo de Novo Hamburgo, Angelo Reinheimer, colaboradores e convidados. Entre os presentes estavam a professora Luisa Friedrich, esposa do ex-presidente Níveo Leopoldo Friedrich e filha de Leopoldo Petry, integrante do movimento emancipacionista e primeiro prefeito eleito de Novo Hamburgo, além dos filhos Níveo Leopoldo Friedrich Filho e Nei Friedrich.
Documento passa a fazer parte do espaço
A cópia da ata foi instalada no corredor de acesso à diretoria-executiva da ACI. Na abertura da cerimônia, o presidente da ACI, Robinson Klein, destacou a relação entre o documento histórico e a trajetória da entidade. “A criação da comissão pró-emancipação foi a primeira inovação da ACI e, cem anos depois, a entidade celebra a conquista da premiação Campeãs de Inovação por ser uma das três entidades mais inovadoras da região Sul”, enfatizou Klein.
O secretário de Turismo de Novo Hamburgo, Angelo Reinheimer, também ressaltou a escolha da ACI para receber o documento. “Essa casa é o local certo onde deve ficar exposta esta cópia da ata, para que as futuras gerações possam apreciá-la”, expressou o titular da pasta.
Ata registra organização do movimento
Até a semana passada, não havia referência pública à existência da ata. O secretário de Turismo teve acesso ao documento depois de ser informado sobre sua existência pelo diretor do Museu Histórico Visconde de São Leopoldo.
Segundo Reinheimer, o conteúdo registra uma das primeiras iniciativas concretas para a emancipação do então distrito de São Leopoldo. “A ata descreve a primeira possibilidade concreta de emancipação do então distrito de São Leopoldo, citando os integrantes da comissão, como eles deveriam atuar para obter apoio e propondo inclusive uma divisão por bairros para a futura cidade”, detalhou o secretário.
O documento também apresenta informações sobre as condições de Novo Hamburgo naquele período. Segundo Reinheimer, a localidade era uma pequena vila sem ruas calçadas, mas já contava com agências de cinco bancos, instaladas para atender à indústria coureiro-calçadista existente na região.
Processo começou antes da criação da comissão
O movimento pela emancipação de Novo Hamburgo havia começado três anos antes da reunião registrada na ata. Em 1923, empresários encaminharam um pedido à Câmara de Vereadores, mas a solicitação foi rejeitada.
Diante da negativa e da falta de atendimento às demandas locais por parte da Prefeitura de São Leopoldo, os empresários, liderados por Leopoldo Petry, decidiram dar continuidade ao processo de emancipação.
Em 1924, o grupo criou a Exposição Agroindustrial, realizada em comemoração ao centenário da imigração alemã. O evento recebeu a visita do então presidente do Rio Grande do Sul, Borges de Medeiros.
Na sequência, integrantes do movimento foram ao Palácio Piratini para uma reunião com Borges de Medeiros, que ofereceu apoio e orientações sobre os procedimentos necessários para a emancipação. O processo foi concluído em abril de 1927, quando Novo Hamburgo deixou de ser distrito de São Leopoldo e passou a ter autonomia municipal.


