A campanha Agosto Dourado está reforçando, ao longo deste mês, a importância da amamentação exclusiva nos primeiros seis meses de vida como estratégia de proteção à saúde infantil. A Sociedade de Pediatria do Rio Grande do Sul (SPRS) orienta as famílias sobre os benefícios do leite materno, os cuidados necessários para a retirada, conservação e oferta do alimento e destaca a importância do apoio à mãe para a continuidade da amamentação e a prevenção do desmame precoce.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) e o Ministério da Saúde, os bebês devem receber exclusivamente leite materno até os seis meses de idade, sem necessidade de água, chás, sucos ou outros leites. Após esse período, a recomendação é manter a amamentação até os dois anos ou mais, associada à alimentação complementar saudável.
Benefícios do leite materno
Segundo a SPRS, o leite materno fornece nutrientes essenciais, fortalece a imunidade, reduz o risco de infecções e contribui para o desenvolvimento do bebê, além de favorecer o vínculo entre mãe e filho.
Para o médico pediatra e titular da Comissão de Sindicância da Sociedade de Pediatria do Rio Grande do Sul, Leandro Meirelles Nunes, a informação e o suporte à mãe são fatores fundamentais para o sucesso da amamentação. “O leite materno é um alimento vivo, com propriedades nutricionais e imunológicas fundamentais para o bebê. Mas, para que a amamentação aconteça de forma plena, a mãe precisa de orientação, acolhimento e uma rede de apoio que compreenda a importância desse cuidado”, afirma Meirelles Nunes.
Cuidados com armazenamento
A entidade orienta que, antes da ordenha, a mãe lave bem as mãos e os braços, prenda os cabelos e evite conversar, tossir ou espirrar durante o procedimento. O leite deve ser armazenado em frascos de vidro com tampa plástica de rosca previamente esterilizados.
Após a coleta, os recipientes devem ser identificados com a data e o horário da primeira retirada, e o leite mais antigo deve ser utilizado primeiro. Conforme orientação do Ministério da Saúde, o leite materno pode permanecer por até 12 horas na geladeira e por até 15 dias no congelador ou freezer. Os frascos devem ser armazenados nas prateleiras internas da geladeira, e não na porta, devido à variação de temperatura.
Na hora de oferecer o leite ao bebê, a orientação é não aquecê-lo no micro-ondas nem fervê-lo diretamente no fogão. O aquecimento deve ser feito em banho-maria, com o fogo desligado. O leite que sobrar no copinho ou na mamadeira após a alimentação deve ser descartado e não deve retornar à geladeira.
Rede de apoio
A SPRS também destaca que a participação de familiares e cuidadores pode contribuir para a continuidade da amamentação. Entre as formas de apoio estão assumir tarefas domésticas, preparar refeições, auxiliar nos cuidados com o bebê, como banho, troca de fraldas e sono, e oferecer o leite ordenhado quando necessário, sem pressionar a mãe ou a criança. “Amamentar não deve ser uma responsabilidade solitária. A rede de apoio precisa cuidar também da mãe, lembrando que descanso, alimentação adequada, hidratação e tranquilidade interferem diretamente nesse processo”, destaca Meirelles Nunes.
A entidade ressalta ainda que o acompanhamento com pediatra pode auxiliar na prevenção de dificuldades relacionadas à amamentação, orientar a família e reduzir o risco de desmame precoce.


