A fila de espera por um transplante de córnea no Brasil chegou a 37.719 pessoas, um aumento de aproximadamente 15% em seis meses, segundo dados divulgados pelo Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO). Em dezembro de 2025, eram 32.639 pacientes aguardando pelo procedimento. O crescimento ocorre mesmo com o recorde de 17.790 transplantes de córnea realizados no país em 2025, maior número já registrado, e mantém o tempo médio de espera entre a entrada na lista e a cirurgia em 370 dias, contra 174 dias há dez anos.
O aumento da fila está relacionado ao crescimento das novas indicações médicas e ao número de pacientes acumulados ao longo dos anos. No Rio Grande do Sul, dados da Central de Transplantes do Estado apontam que 455 transplantes de córnea foram realizados entre janeiro e a segunda semana de junho de 2026. Considerando transplantes de órgãos sólidos e tecidos, foram registrados 1.095 procedimentos no estado no mesmo período.
Quando o transplante é indicado
A córnea é um tecido transparente localizado na parte frontal do olho e participa da formação de uma visão nítida. Doenças, infecções e traumas podem comprometer sua transparência, regularidade ou integridade, dificultando a passagem da luz e provocando redução da capacidade visual.
Segundo a Sociedade de Oftalmologia do Rio Grande do Sul (Sorigs), o transplante é indicado quando o comprometimento da córnea não pode ser adequadamente tratado por outras alternativas e existe possibilidade de recuperar a função visual ou preservar a estrutura do olho. “A cirurgia consiste na substituição total ou parcial da córnea comprometida por tecido saudável proveniente de um doador. Entre as condições que podem levar à necessidade do procedimento está o ceratocone, doença que provoca afinamento e alteração progressiva do formato da córnea”, explica o presidente da Sorigs, Guilherme Diehl.
Infecções graves, úlceras, traumas, queimaduras, cicatrizes e perfurações também podem resultar na indicação de transplante. Em alguns casos, o procedimento tem como objetivo preservar a estrutura do olho, além de buscar a recuperação da visão.
Perfuração ou risco de perfuração da córnea e úlcera sem resposta ao tratamento clínico estão entre as condições consideradas de urgência pelo Sistema Nacional de Transplantes. “A avaliação de um médico oftalmologista é fundamental para identificar a causa da perda visual, acompanhar a evolução da doença e definir o tratamento mais adequado para cada paciente. A necessidade de transplante depende do diagnóstico, da extensão do comprometimento da córnea e da resposta às demais possibilidades terapêuticas”, enfatiza Diehl.
Perfil da fila
De acordo com o CBO, 56% dos pacientes que aguardam um transplante de córnea são mulheres e 47% têm 65 anos ou mais. Segundo a entidade, o perfil está relacionado, entre outros fatores, ao envelhecimento da população e ao avanço de doenças degenerativas da córnea.
A lista também inclui crianças e adolescentes. Atualmente, 753 pacientes dessa faixa etária estão ativos na lista nacional, contra 616 registrados em dezembro de 2025.
O que é a Sorigs
A Sociedade de Oftalmologia do Rio Grande do Sul é uma entidade representativa dos médicos oftalmologistas no estado. Fundada em 1987, tem como missão promover a atualização científica, a valorização profissional e a defesa da saúde ocular da população. A entidade realiza eventos, cursos e ações educativas, além de promover o intercâmbio de conhecimento na área de oftalmologia.


