Olivicultura brasileira prevê safra menor em 2027

Por Jonathan da Silva

A produção brasileira de azeite extravirgem alcançou 1,434 milhão de litros em 2026, mas a expectativa do Instituto Brasileiro de Olivicultura (Ibraoliva) é de uma redução na safra de 2027. O cenário foi apresentado nesta segunda-feira (31), durante coletiva de imprensa na 49ª Expointer, em Esteio. Segundo a entidade, a previsão de uma primavera com chuvas no Rio Grande do Sul pode afetar a próxima colheita, enquanto o setor busca reduzir as oscilações produtivas por meio de pesquisa, tecnologia e aprimoramento do manejo.

A cadeia nacional reúne mais de 620 produtores e 77 lagares em operação, distribuídos por cerca de 280 municípios de oito estados. O Rio Grande do Sul foi responsável por 81% da produção nacional de 2026 e concentra a maior área cultivada, com aproximadamente 7,1 mil hectares, o equivalente a cerca de 69% dos 10,3 mil hectares de oliveiras plantados no país.

Produção gaúcha

Atualmente, o Ibraoliva reúne 390 olivicultores em cerca de 120 municípios do Rio Grande do Sul. Entre os principais municípios estão Encruzilhada do Sul, Canguçu, Pinheiro Machado, Bagé e Cachoeira do Sul. De acordo com o presidente do Ibraoliva, Flávio Obino Filho, essas localidades concentram parte da infraestrutura de processamento e vêm incorporando novas tecnologias.

O desempenho de 2026 vem após duas safras afetadas pelo excesso de chuvas. Para o instituto, o aumento da produção, diante de uma área plantada relativamente estável, indica que fatores como manejo, adaptação às condições climáticas e melhorias nas etapas de colheita e processamento também contribuíram para o resultado.

Pesquisa e tecnologia

Com a possibilidade de uma primavera mais chuvosa no estado, o Ibraoliva trabalha com a perspectiva de uma produção menor em 2027. A entidade pretende ampliar a pesquisa para diminuir as variações de produtividade entre as safras e aumentar a estabilidade da produção. “Vamos ampliar a pesquisa para reduzir as oscilações na produção. Nós temos que acabar com essa montanha-russa e precisamos ter uma estabilidade produtiva. Por isso, estamos cada vez mais aliados à tecnologia e às universidades como a Universidade Federal de Santa Maria, a Universidade Federal de Pelotas”, afirmou Flávio Obino Filho.

Fiscalização

O Ibraoliva também informou que continuará acompanhando a fiscalização de azeites importados realizada pelo Ministério da Agricultura. Em agosto deste ano, laudos apontaram que algumas marcas de produtos estrangeiros comercializados com identificação de azeite extravirgem não atendiam aos padrões da categoria.

Em março de 2025, o governo brasileiro zerou a alíquota de importação do azeite extravirgem, enquanto manteve em 9% a alíquota aplicada ao azeite virgem.

Mercado

Para ampliar a presença do produto nacional no mercado, a entidade pretende desenvolver ações de divulgação do consumo e estimular a comercialização conjunta entre marcas. “Vamos ampliar ações de divulgação do consumo de azeite brasileiro e estimular a venda cooperativada entre marcas para aumentar a escala e melhorar a competitividade do produto nacional”, completou o presidente.

Outras regiões produtoras

A Serra da Mantiqueira, que abrange áreas de Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro, é apontada como o segundo polo nacional de produção de azeite. Santa Catarina, Paraná e Espírito Santo são considerados Estados com potencial de expansão do cultivo e da produção de olivas no país.

Foto: Nestor Tipa Júnior/AgroEffective/Divulgação | Fonte: Assessoria
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