Sebrae RS identifica diferenças entre empreendedores

Por Jonathan da Silva

Pesquisa realizada pelo Sebrae RS com 58 empreendedores de diferentes regiões do Rio Grande do Sul identificou diferenças na forma de empreender de acordo com a geração e o território onde os negócios estão inseridos. O estudo qualitativo, realizado por meio de grupos focais online segmentados por geração e contexto territorial, analisou aspectos como motivações para empreender, desafios, aprendizagem, uso de tecnologia, acesso a redes de apoio e percepção de sucesso. O levantamento também comparou regiões com maior acesso a infraestrutura, serviços, crédito e ambientes de inovação com localidades onde esses recursos são mais restritos.

A análise aponta que fatores geracionais e territoriais se combinam na trajetória dos empreendedores. Enquanto as condições socioeconômicas influenciam o acesso a recursos, conhecimento e oportunidades, as diferentes gerações apresentam formas próprias de se relacionar com o mercado, a inovação e o desenvolvimento dos negócios.

Diferenças entre gerações

Entre os empreendedores mais experientes, a pesquisa identificou maior influência da trajetória profissional e da experiência prática. Nesse grupo, o empreendedorismo aparece frequentemente como alternativa de reinvenção profissional ou continuidade da atividade produtiva, com participação da família na construção dos negócios. Também foi observada maior preferência por capacitações presenciais e uma relação mais cautelosa com ferramentas digitais, embora os participantes reconheçam sua importância para a competitividade.

Entre os millennials, aparecem com maior frequência preocupações relacionadas a planejamento, organização e crescimento sustentável. De acordo com o estudo, a busca por qualificação por meio de cursos, mentorias e consultorias é recorrente, assim como o uso de plataformas digitais para divulgação, relacionamento com clientes e fortalecimento das marcas. “Para essa geração, sucesso significa equilibrar estabilidade financeira, qualidade de vida, realização pessoal e impacto positivo na família e na comunidade”, aponta o especialista em Competitividade Setorial do Sebrae RS, Fabiano Zortéa.

Já a geração Z apresenta uma relação mais frequente com a tecnologia e associa o empreendedorismo à autonomia, flexibilidade e liberdade. Segundo a pesquisa, muitos integrantes desse grupo iniciam atividades como projetos paralelos, testam modelos de negócio e modificam estratégias de acordo com as demandas do mercado. Internet e redes sociais aparecem como ferramentas utilizadas para aprendizagem, tomada de decisões e identificação de oportunidades.

Influência do território

As diferenças territoriais também foram identificadas pelo levantamento. Em regiões com maior desenvolvimento e acesso a infraestrutura, crédito, serviços e ambientes de inovação, o empreendedorismo tende a estar associado à busca por crescimento, autonomia e qualidade de vida.

Nas localidades com menor acesso a esses recursos, abrir um negócio aparece com maior frequência como estratégia de geração de renda, emancipação social e fortalecimento da economia local. A pesquisa também aponta que a ampliação do acesso ao crédito, à capacitação, às redes de apoio e às oportunidades pode fortalecer o empreendedorismo feminino em territórios mais vulneráveis.

Mudanças na percepção de sucesso

A pesquisa identificou ainda mudanças na forma como os empreendedores definem sucesso. Segundo o coordenador do estudo, “o resultado financeiro continua sendo relevante, mas passa a dividir espaço com fatores como propósito, saúde mental, equilíbrio entre vida pessoal e profissional e contribuição para a comunidade”.

Para Fabiano Zortéa, compreender as diferenças entre gerações e territórios pode orientar ações direcionadas aos pequenos negócios. “Os resultados mostram que não existe um único perfil de empreendedor. Cada geração possui expectativas, formas de aprender e desafios próprios, ao mesmo tempo em que o território influencia diretamente as oportunidades disponíveis. Conhecer essa realidade permite desenvolver iniciativas mais assertivas e ampliar o impacto das ações voltadas aos pequenos negócios”, afirma o especialista.

Segundo o coordenador, os resultados serão utilizados pelo Sebrae RS no aperfeiçoamento das estratégias de atendimento. “Esse estudo nos ajuda a olhar para o empreendedor de forma mais completa. A partir desse conhecimento, podemos construir programas, conteúdos e experiências mais adequados às diferentes realidades, fortalecendo quem já empreende e preparando o ecossistema para as transformações das próximas gerações”, destaca Fabiano Zortéa.

Com base nas conclusões, o Sebrae RS pretende ampliar ações segmentadas para diferentes públicos, combinando capacitação, consultorias, conexões e soluções direcionadas às necessidades de cada geração. A estratégia também prevê acompanhar mudanças de comportamento, tecnologia e formas de aprendizagem para preparar o ambiente empreendedor para as próximas gerações.

Foto: Javi Indi/Magnific/Reprodução | Fonte: Assessoria
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