ACI pede ao governo medidas para reduzir impactos das apostas esportivas

Por Jonathan da Silva

A Associação Comercial, Industrial e de Serviços de Novo Hamburgo, Campo Bom, Estância Velha, Dois Irmãos e Ivoti (ACI) encaminhou uma carta ao vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, nesta segunda-feira (3), solicitando a adoção de medidas para enfrentar os impactos econômicos e sociais da expansão das apostas esportivas no Brasil. No documento, a entidade propõe o fortalecimento da regulamentação do setor, maior controle sobre plataformas de apostas e campanhas permanentes de conscientização sobre os riscos da atividade.

Segundo a ACI, o avanço das apostas eletrônicas, conhecidas popularmente como bets, tem provocado o deslocamento da renda das famílias para esse mercado, reduzindo recursos tradicionalmente destinados ao comércio, aos serviços, à indústria, ao lazer, à educação e à formação de patrimônio. A entidade afirma que o cenário se soma aos desafios econômicos enfrentados pelo setor produtivo.

Dados apontam endividamento e influência da publicidade

Na carta, a ACI cita estudo do Procon-SP segundo o qual 39,7% dos apostadores brasileiros afirmaram ter se endividado em razão das apostas eletrônicas. O levantamento também aponta que 52,4% comprometeram parcela significativa da renda, recorrendo inclusive a empréstimos ou aplicações financeiras para continuar apostando, enquanto 56,6% disseram ser influenciados por publicidade e campanhas com celebridades.

O documento também menciona estudos que indicam que 3,4% da população brasileira apresentam baixo risco de desenvolver transtorno do jogo, 2,6% estão em risco moderado e 0,8% são classificados como jogadores problemáticos. Entre as consequências apontadas estão ansiedade, depressão, estresse, isolamento social, perda de produtividade, conflitos familiares e comprometimento da saúde mental.

Reflexos para empresas

De acordo com a entidade, empresas têm relatado aumento nos pedidos de adiantamento salarial, crescimento do endividamento de trabalhadores, redução do poder de compra dos consumidores e queda na demanda por bens e serviços.

A ACI também cita estimativas da Confederação Nacional do Comércio (CNC), segundo as quais as apostas esportivas retiraram cerca de R$ 143 bilhões do varejo brasileiro entre 2023 e março de 2026, contribuindo para o aumento da inadimplência e afetando diferentes setores da economia.

Propostas ao governo federal

Embora reconheça a legalidade das apostas quando realizadas dentro da legislação vigente, a entidade defende que a dimensão alcançada pelo setor exige ações coordenadas do poder público. Entre as medidas sugeridas estão o fortalecimento da regulamentação e da fiscalização, restrições mais rigorosas à publicidade direcionada ao público vulnerável, especialmente jovens, mecanismos de prevenção, diagnóstico e tratamento da ludopatia, campanhas nacionais permanentes de conscientização, realização de estudos periódicos sobre os impactos econômicos e sociais, aperfeiçoamento dos mecanismos de identificação de apostadores vulneráveis e de autoexclusão, além da discussão de medidas para reduzir o comprometimento da renda familiar com apostas.

O presidente da ACI, Robinson Klein, afirma que a resposta ao problema deve envolver diferentes esferas do poder público. “Entendemos que o enfrentamento desse problema demanda atuação conjunta dos ministérios, do Congresso Nacional, dos órgãos reguladores e da sociedade civil. A velocidade com que esse mercado se expandiu exige igual rapidez na construção de políticas públicas capazes de impedir que o Brasil enfrente um processo crescente de deterioração econômica e social decorrente da dependência em jogos de aposta”, afirma Klein.

O diretor da ACI, Fauston Saraiva, destaca que a entidade pretende participar das discussões sobre o tema. “A ACI coloca-se à disposição para contribuir com esse debate, participando de grupos de trabalho, audiências e iniciativas voltadas à construção de soluções equilibradas, capazes de proteger as famílias brasileiras, fortalecer o setor produtivo e preservar o desenvolvimento econômico sustentável do País”, conclui Saraiva.

Foto: Magnific/Divulgação | Fonte: Assessoria
Publicidade

Você também pode gostar

Deixe um comentário

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.