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apostas

Política

ACI pede ao governo medidas para reduzir impactos das apostas esportivas

Por Jonathan da Silva 03/08/2026
Por Jonathan da Silva

A Associação Comercial, Industrial e de Serviços de Novo Hamburgo, Campo Bom, Estância Velha, Dois Irmãos e Ivoti (ACI) encaminhou uma carta ao vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, nesta segunda-feira (3), solicitando a adoção de medidas para enfrentar os impactos econômicos e sociais da expansão das apostas esportivas no Brasil. No documento, a entidade propõe o fortalecimento da regulamentação do setor, maior controle sobre plataformas de apostas e campanhas permanentes de conscientização sobre os riscos da atividade.

Segundo a ACI, o avanço das apostas eletrônicas, conhecidas popularmente como bets, tem provocado o deslocamento da renda das famílias para esse mercado, reduzindo recursos tradicionalmente destinados ao comércio, aos serviços, à indústria, ao lazer, à educação e à formação de patrimônio. A entidade afirma que o cenário se soma aos desafios econômicos enfrentados pelo setor produtivo.

Dados apontam endividamento e influência da publicidade

Na carta, a ACI cita estudo do Procon-SP segundo o qual 39,7% dos apostadores brasileiros afirmaram ter se endividado em razão das apostas eletrônicas. O levantamento também aponta que 52,4% comprometeram parcela significativa da renda, recorrendo inclusive a empréstimos ou aplicações financeiras para continuar apostando, enquanto 56,6% disseram ser influenciados por publicidade e campanhas com celebridades.

O documento também menciona estudos que indicam que 3,4% da população brasileira apresentam baixo risco de desenvolver transtorno do jogo, 2,6% estão em risco moderado e 0,8% são classificados como jogadores problemáticos. Entre as consequências apontadas estão ansiedade, depressão, estresse, isolamento social, perda de produtividade, conflitos familiares e comprometimento da saúde mental.

Reflexos para empresas

De acordo com a entidade, empresas têm relatado aumento nos pedidos de adiantamento salarial, crescimento do endividamento de trabalhadores, redução do poder de compra dos consumidores e queda na demanda por bens e serviços.

A ACI também cita estimativas da Confederação Nacional do Comércio (CNC), segundo as quais as apostas esportivas retiraram cerca de R$ 143 bilhões do varejo brasileiro entre 2023 e março de 2026, contribuindo para o aumento da inadimplência e afetando diferentes setores da economia.

Propostas ao governo federal

Embora reconheça a legalidade das apostas quando realizadas dentro da legislação vigente, a entidade defende que a dimensão alcançada pelo setor exige ações coordenadas do poder público. Entre as medidas sugeridas estão o fortalecimento da regulamentação e da fiscalização, restrições mais rigorosas à publicidade direcionada ao público vulnerável, especialmente jovens, mecanismos de prevenção, diagnóstico e tratamento da ludopatia, campanhas nacionais permanentes de conscientização, realização de estudos periódicos sobre os impactos econômicos e sociais, aperfeiçoamento dos mecanismos de identificação de apostadores vulneráveis e de autoexclusão, além da discussão de medidas para reduzir o comprometimento da renda familiar com apostas.

O presidente da ACI, Robinson Klein, afirma que a resposta ao problema deve envolver diferentes esferas do poder público. “Entendemos que o enfrentamento desse problema demanda atuação conjunta dos ministérios, do Congresso Nacional, dos órgãos reguladores e da sociedade civil. A velocidade com que esse mercado se expandiu exige igual rapidez na construção de políticas públicas capazes de impedir que o Brasil enfrente um processo crescente de deterioração econômica e social decorrente da dependência em jogos de aposta”, afirma Klein.

O diretor da ACI, Fauston Saraiva, destaca que a entidade pretende participar das discussões sobre o tema. “A ACI coloca-se à disposição para contribuir com esse debate, participando de grupos de trabalho, audiências e iniciativas voltadas à construção de soluções equilibradas, capazes de proteger as famílias brasileiras, fortalecer o setor produtivo e preservar o desenvolvimento econômico sustentável do País”, conclui Saraiva.

Foto: Magnific/Divulgação | Fonte: Assessoria
03/08/2026 0 Comentários 96 Visualizações
Variedades

Apostas on-line ampliam pressão sobre a inadimplência no comércio

Por Jonathan da Silva 03/07/2026
Por Jonathan da Silva

O crescimento das apostas on-line passou a ser apontado por entidades do comércio e especialistas como um fator adicional de pressão sobre a inadimplência das famílias e o desempenho do varejo. Em Santa Cruz do Sul, onde 33,64% da população economicamente ativa estava inadimplente, conforme levantamento da Equifax utilizado pelo Sindicato do Comércio Varejista de Santa Cruz do Sul e Região (Sindilojas-VRP), o avanço das chamadas bets se soma a fatores como juros elevados, inflação persistente e desaceleração da economia gaúcha, reduzindo a capacidade de pagamento dos consumidores.

Embora o índice tenha recuado em relação a abril deste ano, quando atingiu 33,93%, o indicador ainda permanece elevado e acumula crescimento de 1,64 ponto percentual nos últimos 12 meses. Diante desse cenário, entidades do setor alertam para os impactos do redirecionamento da renda das famílias para as plataformas de apostas.

Impactos sobre o consumo

Estudos da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) indicam que as apostas digitais têm provocado um processo de substituição do consumo. Recursos que antes eram destinados à compra de bens, serviços e ao pagamento de despesas essenciais passam a ser utilizados nas plataformas de apostas.

Segundo estimativa da entidade, entre 2023 e 2026 cerca de R$ 143 bilhões deixarão de circular no varejo brasileiro em razão desse deslocamento de renda. De acordo com a CNC, esse movimento reduz a capacidade de consumo das famílias em um contexto já marcado pelo elevado endividamento e pela perda do poder aquisitivo decorrente da inflação.

Especialistas analisam cenário

Para o economista-chefe da CDL Porto Alegre, Oscar Frank, o crescimento das apostas on-line passou a integrar os fatores que influenciam o risco de crédito no país. “A expansão das apostas nas bets constitui objeto de atenção igualmente importante como motivo de deterioração do risco de crédito, de acordo com alertas do Banco Central”, ponderou o especialista.

Segundo Frank, a atual conjuntura resulta da combinação de diferentes fatores econômicos. Embora a taxa Selic tenha iniciado um movimento gradual de redução, os efeitos sobre a inadimplência tendem a aparecer apenas no médio prazo. Paralelamente, a inflação continua pressionando o orçamento das famílias, especialmente nos gastos com alimentação e combustíveis, enquanto a instabilidade geopolítica internacional e a desaceleração da economia gaúcha ampliam as dificuldades financeiras.

O economista acrescenta que a expansão do crédito consignado privado, a facilidade de acesso ao crédito e a falta de planejamento financeiro também contribuem para o aumento da inadimplência. “A facilidade de acesso ao dinheiro e a falta de conhecimentos básicos sobre planejamento financeiro colaboram para a dinâmica da negativação”, afirmou Frank.

Reflexos no comércio

Para o presidente do Sindilojas-VRP, Mauro Spode, os efeitos desse cenário já são percebidos pelo comércio varejista. “O varejo sente quando há redução da renda disponível. Parte desse recurso deixa de circular na economia local e isso impacta diretamente tanto as vendas quanto o comportamento de pagamento”, analisou Spode.

Segundo o dirigente, o momento exige maior rigor na análise de crédito e um acompanhamento mais próximo do comportamento financeiro dos consumidores.

Atuação institucional

Além do acompanhamento dos indicadores econômicos, entidades representativas do comércio têm participado de iniciativas voltadas à regulamentação da publicidade das plataformas de apostas. No Rio Grande do Sul, a Federação da Associação Gaúcha para o Desenvolvimento do Varejo (FAGV), com apoio do Sindilojas-VRP, participa das articulações em torno do Projeto de Lei nº 408/2025, que trata da regulamentação da publicidade das apostas esportivas.

Também foi sancionada pelo governador Eduardo Leite (PSD) a Lei nº 16.508/2026, que estabelece restrições à publicidade das plataformas de apostas esportivas no estado. A legislação busca reduzir estímulos ao consumo impulsivo, fortalecer a proteção ao consumidor, ampliar a competitividade das empresas locais no acesso aos espaços de mídia e prevenir os impactos das apostas sobre crianças, adolescentes e a população em geral.

Para o presidente da FAGV, Vilson Noer, a aprovação da legislação responde a um cenário que já apresenta efeitos econômicos concretos. “O que nós estamos percebendo é um desvio crescente de renda, que afeta diretamente o bolso do consumidor e reduz o consumo em praticamente todos os segmentos do varejo”, comentou Noer.

Noer acrescenta que os reflexos também aparecem no aumento do endividamento. “Mais de 80% das apostas perdem. Isso significa que jogar, na prática, é perder dinheiro, o que leva muitas pessoas a buscar crédito e amplia a inadimplência”, observou o dirigente.

Na avaliação do presidente da FAGV, a regulamentação da publicidade representa um passo para reduzir os impactos das apostas sobre o consumo. “A grande âncora desse problema está na forma como as apostas são promovidas, com forte presença na mídia e entre influenciadores. Regular essa exposição é essencial para reduzir os danos”, concluiu Noer.

Foto: Divulgação | Fonte: Assessoria
03/07/2026 0 Comentários 129 Visualizações
Variedades

Bets causam prejuízo de R$ 103 bilhões ao varejo em 2024

Por Jonathan da Silva 17/02/2025
Por Jonathan da Silva

Uma estimativa da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) indica que, em 2024, o setor varejista deixou de faturar R$ 103 bilhões devido ao gasto das famílias com apostas esportivas e cassinos on-line, conhecidos como Bets. O levantamento “Panorama das Bets” utilizou dados do Banco Central, que apontam que os brasileiros destinaram R$ 240 bilhões a essas plataformas no último ano.

Além da redução na receita do varejo, o estudo mostra que os jogos eletrônicos contribuíram para o aumento da inadimplência no país. Conforme a CNC, cerca de 1,8 milhão de brasileiros encerraram 2024 com dívidas em atraso devido aos gastos com apostas on-line. Inicialmente, a preocupação estava focada em beneficiários do programa Bolsa Família, após a divulgação do Banco Central, em setembro de 2023, de que R$ 3 bilhões oriundos do programa haviam sido usados em apostas. No entanto, a confederação destaca que a prática também afeta famílias com renda de três a cinco salários mínimos, grupo que terminou 2024 com um índice de inadimplência de 29%.

Impactos no comércio e no ambiente de trabalho

O presidente da Federação da Associação Gaúcha do Varejo (FAGV), Vilson Nailor Noer, afirma que as apostas eletrônicas afetam não apenas a situação financeira dos consumidores, mas também sua saúde mental. Segundo o dirigente, os jogos podem levar ao vício e prejudicar até mesmo o desempenho dos trabalhadores do varejo. “Esta situação afeta o consumidor e até mesmo os trabalhadores do varejo, que desviam atenção da venda para a prática de apostas e jogos eletrônicos durante o próprio horário de trabalho. Seguimos muito preocupados com esta situação, especialmente após a mensuração dos gastos, apontados pelo relatório da CNC”, salienta Noer.

Reflexos na economia de Santa Cruz do Sul

O presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Santa Cruz do Sul e Região (Sindilojas-VRP), Mauro Spode, destaca que a entidade tem acompanhado o impacto das apostas eletrônicas no comércio local. De acordo com dados da Equifax/Boa Vista, o índice de inadimplência em Santa Cruz do Sul encerrou 2024 em 30,19%, um aumento de 8,98% em relação ao índice de dezembro de 2023, que era de 27,7%.

Spode pondera também que, embora fatores como as enchentes de maio possam ter influenciado esse aumento, as apostas eletrônicas também devem ser consideradas um fator relevante. “Existem fatores naturais, como as enchentes de maio que podem ter contribuído para isso, mas, no entanto, entendemos que a presença dos jogos e apostas nestas plataformas podem ter uma contribuição para este resultado negativo no que se refere ao crédito e à restrição dele, por conta da inadimplência que cresceu”, afirma o presidente da entidade.

Debate sobre regulamentação e conscientização

O Sindilojas-VRP pretende manter o debate regional sobre os impactos das apostas eletrônicas e atuar junto a seus associados para quantificar as perdas no comércio e os reflexos na saúde pública. “Precisamos agir, enquanto segmento, para tentar ao máximo esclarecer a população sobre os riscos, que podem promover a desorganização financeira, ou até mesmo, comprometer a saúde dos apostadores, na recorrência ao uso das plataformas conhecidas como Bets”, conclui Spode.

Foto: Divulgação | Fonte: Assessoria
17/02/2025 0 Comentários 562 Visualizações
Variedades

Impacto das apostas on-line preocupa varejo e aumenta inadimplência no Rio Grande do Sul

Por Jonathan da Silva 30/10/2024
Por Jonathan da Silva

O crescimento das apostas on-line, conhecidas como “bets”, tem gerado preocupações no setor varejista do Rio Grande do Sul, afetando o volume de vendas e aumentando os índices de inadimplência. A Federação Gaúcha do Varejo e outras entidades ligadas ao comércio discutem o tema e buscam pressionar o governo federal pela regulamentação e tributação das apostas virtuais, visando mitigar os impactos na economia familiar.

O economista-chefe da Câmara de Dirigentes Lojistas de Porto Alegre (CDL POA), Oscar Frank, destaca que 24 milhões de brasileiros participam dessas apostas, movimentando valores via Pix entre janeiro e agosto de 2024. Frank ressalta que, desse total, 8,9 milhões de participantes do Bolsa Família movimentaram mais de R$ 10,5 bilhões, o que começa a influenciar a inadimplência. “Esse contingente começa a impactar nos níveis de inadimplência do país”, afirma o economista.

Outro fator citado pelo Banco Central (BC) é o impacto da inadimplência no custo do crédito. Segundo Frank, 22% do custo do crédito se refere a financiamentos e operações afetados pelo não pagamento de dívidas em atraso. “Quanto maior a inadimplência, maiores as taxas de juros como um todo, prejudicando a contratação de crédito para investimentos e para o financiamento das famílias”, aponta o especialista da CDL-POA.

O presidente da Federação da Associação Gaúcha do Varejo (FAGV), Vilson Nailor Noer, explica que as apostas em jogos têm gerado prejuízos financeiros e problemas de saúde pública, dado o risco de vício. Ele também observa efeitos negativos no ambiente laboral: “Ao invés de realizar vendas, os vendedores começam a usar o telefone para apostar, causando desorganização no ambiente de trabalho”, avalia Noer.

No Sindicato do Comércio Varejista de Santa Cruz do Sul e Região (Sindilojas-VRP), o tema é discutido regularmente entre diretores e associados. Segundo o presidente da entidade, Mauro Spode, os impactos econômicos e sociais das apostas afetam o desempenho do comércio na região. “Embora Santa Cruz do Sul tenha um dos menores índices de inadimplência do Estado, o custo do crédito, que reflete a inadimplência, já é sentido por aqui”, comenta Spode. O Sindilojas-VRP apoia a regulamentação nacional das apostas on-line e defende maior divulgação de informações para consumidores. “Não somos contra os jogos, mas é preciso que o governo regulamente essa atividade”, afirma Spode.

A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) prevê que as apostas on-line causem um prejuízo anual de R$ 117 bilhões ao comércio nacional. Segundo a CNC, o valor movimentado em apostas no Brasil deve ultrapassar R$ 150 bilhões até o fim de 2024.

Para ajudar a controlar o problema, o Sindilojas-VRP incentiva empresários a abordarem o tema com suas equipes, promovendo conscientização sobre os riscos das apostas. “Mais do que uma questão econômica, o vício em apostas é um problema social que demanda atenção de toda a sociedade”, salienta Spode, relatando que algumas empresas já enfrentam dificuldades com colaboradores impactados pelo vício.

No próximo dia 11 de novembro, o Supremo Tribunal Federal (STF) discutirá a regulamentação das apostas on-line em uma audiência pública em Brasília. A Federação da Associação Gaúcha do Varejo (FAGV) participará do encontro, defendendo medidas de comunicação para alertar os apostadores sobre os riscos e propondo a tributação das apostas. “Não somos contra essas empresas, mas é importante que o setor de saúde pública receba parte dos impostos de atividades que causam impactos na sociedade”, conclui Noer.

Foto: Master1305/Divulgação | Fonte: Assessoria
30/10/2024 0 Comentários 547 Visualizações
Variedades

Fiergs alerta para uso nocivo de jogos de apostas

Por Jonathan da Silva 02/10/2024
Por Jonathan da Silva

A Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs) realizou um alerta para os efeitos nocivos dos jogos de apostas no Brasil, destacando o aumento no número de viciados em jogos e os impactos econômicos e emocionais nas famílias. A preocupação levou o Serviço Social da Indústria (Sesi-RS) a desenvolver ações de conscientização e apoio aos trabalhadores da indústria, incluindo materiais educativos, palestras e terapias voltadas para os riscos da dependência de jogos.

O presidente da Fiergs, Cláudio Bier, afirmou que a ideia de “dinheiro fácil” promovida nas publicidades de apostas atrai, principalmente, pessoas de baixa renda, muitas vezes utilizando recursos de programas sociais como o Bolsa Família. “É uma questão muito séria que está comprometendo ainda mais os orçamentos das famílias, além de causar danos psíquicos e emocionais, já que causam vício”, destacou Bier.

Mesmo com a regulamentação das apostas prevista para entrar em vigor no próximo ano, o dirigente alertou que o problema continuará, ressaltando a diferença entre a arrecadação de impostos sobre os prêmios dos jogos e a tributação de alimentos. “A arrecadação dos valores dos jogos será bem menor que os valores que serão usados em saúde pública”, afirmou Bier. Ele defendeu a necessidade de um debate responsável sobre o tema, ressaltando que o vício está endividando e adoecendo uma parte significativa da população, o que trará custos ao Estado.

Foto: Master 1305/Freepik/Divulgação | Fonte: Assessoria
02/10/2024 0 Comentários 486 Visualizações

Edição 308 | Jul 2026

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