A implementação da Reforma Tributária no Brasil deve alterar a forma como empresas administram fornecedores, fluxo de caixa e créditos fiscais. Com o novo modelo de IVA dual, composto pela CBS e pelo IBS, e a ampliação da fiscalização digital em tempo real, o aproveitamento de créditos tributários passará a depender também da regularidade fiscal dos fornecedores. A mudança coloca a cadeia de suprimentos no centro das estratégias de competitividade e gestão tributária das companhias.
Segundo a empresa de inteligência de mercado Cial Dun & Bradstreet, especializada em dados corporativos e análise de riscos, o novo sistema exige monitoramento contínuo da situação fiscal dos parceiros comerciais. Pelo modelo previsto, o crédito tributário deixa de depender apenas da emissão da nota fiscal e passa a estar condicionado ao pagamento efetivo do imposto pelo fornecedor. Com isso, empresas poderão perder créditos em operações realizadas com fornecedores inadimplentes ou irregulares.
Um fornecedor competitivo em preço pode se tornar mais caro na prática se houver maior probabilidade de perda de crédito tributário ou questionamento fiscal. A Reforma Tributária traz a gestão de fornecedores para o centro da discussão sobre margem, fluxo de caixa e competitividade”, afirma o COO Brasil da Cial Dun & Bradstreet e head de Produtos para a América Latina, Pedro Vieira Maciel.
Análise fiscal passa a integrar área de compras
A nova dinâmica amplia a responsabilidade das áreas de compras, que passam a considerar não apenas preço, prazo e qualidade, mas também riscos fiscais indiretos. Entre os fatores que precisarão ser analisados estão regularidade do CNPJ, CNAE, enquadramento tributário, participação no Simples Nacional, incidência de Imposto Seletivo e impactos sobre créditos de IBS e CBS.
De acordo com a empresa, organizações com centenas ou milhares de fornecedores tendem a enfrentar dificuldades para realizar esse monitoramento manualmente. Para lidar com esse cenário, a Cial Dun & Bradstreet vem desenvolvendo soluções automatizadas baseadas em cruzamento de dados fiscais, cadastrais, financeiros e societários.
A partir dessas informações, é possível classificar fornecedores conforme o potencial de geração de créditos válidos, o risco de perda tributária e os impactos no custo efetivo das operações. O modelo busca transformar o acompanhamento tributário em um processo contínuo e integrado à estratégia empresarial. “A pergunta deixa de ser apenas quanto imposto pagar, e passa a ser quanto risco tributário está escondido na base de fornecedores. Com dados e monitoramento, as empresas deixam de reagir às mudanças e ganham capacidade de planejar a cadeia sob as novas regras”, comenta Maciel.
Mudanças afetam fluxo de caixa e gestão financeira
Além das questões tributárias, a reforma também deve impactar a gestão financeira das empresas. Entre os pontos observados está a possível adoção do mecanismo de split payment, em que o imposto é separado automaticamente no momento da transação comercial. Segundo a Cial, isso reduz o uso dos tributos como capital de giro e aumenta a necessidade de planejamento financeiro das organizações.
A empresa avalia que o novo cenário tende a acelerar a profissionalização da gestão de fornecedores no país, exigindo revisão contratual, incorporação de indicadores fiscais e financeiros e uso de inteligência de dados para tomada de decisão. “A Reforma Tributária não é apenas uma mudança técnica do sistema. Ela redefine o papel da cadeia de fornecedores no resultado das empresas. Quem usar dados para entender esse novo ambiente terá vantagem competitiva no próximo ciclo tributário brasileiro”, conclui Maciel.


