Fecomércio-RS divulga primeira sondagem do setor atacadista no estado em 2026

Por Jonathan da Silva

A Fecomércio-RS apresentou os resultados da primeira edição de 2026 da Sondagem do Segmento Atacadista, realizada entre os dias 5 e 24 de março com 385 estabelecimentos no Rio Grande do Sul. O levantamento reúne percepções de gestores sobre o cenário atual do setor, incluindo situação financeira, desempenho de vendas, nível de endividamento e expectativas, com o objetivo de orientar análises sobre o comportamento do mercado atacadista no estado.

De acordo com os dados, 64,2% das empresas entrevistadas têm mais de 10 anos de atividade. Entre os participantes, 46,2% atuam como atacadistas comerciais, revendendo produtos diversos, enquanto 22,6% operam no segmento de alimentos e bebidas. Em relação ao porte, 43,9% são pequenas empresas e 31,7% possuem mais de 10 funcionários.

Situação financeira

Sobre a situação financeira, 47,8% dos entrevistados classificaram o momento como bom ou muito bom, enquanto 40,3% apontaram condição regular e 11,9% indicaram cenário ruim ou muito ruim. O nível de endividamento foi considerado baixo por 53,8% dos gestores, moderado por 30,4%, alto por 12,1% e crítico por 3,8%.

Entre as operações financiadas por crédito comercial, a compra de mercadorias aparece como principal destino, com 74,5%. Já nas operações financeiras, o crédito para capital de giro foi citado por 49,7% dos entrevistados.

Desempenho das vendas

Em relação às vendas nos últimos seis meses, 41,6% classificaram o desempenho como regular, 34,7% como bom, muito bom ou excelente e 23,9% como ruim. Para 58,4% dos participantes, os resultados ficaram abaixo das expectativas, enquanto 37,4% afirmaram que as metas foram atendidas e 4,2% disseram que houve superação.

Entre os principais entraves internos, destacam-se a gestão de equipes, mencionada por 37,1%, a gestão financeira, com 30,9%, e o planejamento estratégico, com 30,6%. No ambiente externo, os principais desafios apontados foram a carga tributária, citada por 68,1%, a dificuldade de contratação de mão de obra, com 29,4%, e o aumento dos custos logísticos no Estado, com 27,8%.

Expectativas e investimentos

Quanto às perspectivas, 47,8% dos entrevistados esperam melhora no cenário, enquanto 19,2% projetam piora. “Apesar das circunstâncias atuais de desaceleração econômica e juros elevados, os atacadistas permanecem otimistas”, afirmou o presidente da Fecomércio-RS, Luiz Carlos Bohn.

A sondagem indica ainda que 63,1% das empresas não pretendem ampliar o quadro de funcionários nos próximos meses. Em relação a investimentos, 45,7% dos entrevistados planejam investir no negócio no período de seis meses.

Impactos das enchentes

O levantamento também abordou os efeitos da tragédia climática ocorrida em maio de 2024. Segundo os dados, 59% dos atacadistas relataram ter sido impactados pelas cheias. Entre os entrevistados, 67,8% afirmaram que ainda não estavam plenamente recuperados no momento da pesquisa.

Os principais reflexos apontados foram a redução de faturamento, mencionada por 63%, a perda de clientes, com 53,2%, e dificuldades financeiras, citadas por 33,1% dos participantes.

Foto: Aleksandar Little Wolf/Freepik/Reprodução | Fonte: Assessoria
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