Museu Julio de Castilhos recebe acervo pessoal da primeira Miss Universo brasileira

Por Jonathan da Silva

O Museu de História Julio de Castilhos recebeu itens do acervo pessoal de Ieda Maria Vargas, primeira brasileira a conquistar o título de Miss Universo, em 1963. A entrega do material ocorreu nesta terça-feira (3), em Gramado, quando os filhos da ex-miss repassaram a coleção à instituição vinculada à Secretaria da Cultura do Rio Grande do Sul. As peças passarão por processos de documentação, catalogação e preservação antes de serem disponibilizadas para pesquisa e apresentadas em futuras exposições.

O conjunto doado reúne vestidos, faixas, medalhas, diplomas, revistas, recortes de jornais, telegramas e um acervo fotográfico com mais de 800 imagens. Também fazem parte da coleção as malas originais utilizadas para guardar parte dos materiais.

Entre os itens destacados estão vestidos de alta costura nacional usados por Ieda nos concursos de Miss Brasil e Miss Universo. As peças foram confeccionadas pelas estilistas Milka Wolff e Beatriz de Salles e Silva.

O material inclui ainda registros jornalísticos e fotográficos que documentam diferentes momentos da trajetória da ex-miss, como a recepção no Brasil após a conquista do título e sua participação em atividades diplomáticas e em causas sociais no Rio Grande do Sul.

Outro item presente na coleção é um bibelô de porcelana que representa a caracterização gaúcha utilizada por Ieda durante o concurso de Miss Universo. Segundo o museu, a peça é considerada rara. Outro exemplar da mesma série está sob guarda do Museu Histórico Farroupilha.

Preservação dos itens

A coordenadora e museóloga do Museu de História Julio de Castilhos, Doris Couto, responsável pela coleta e transporte das peças, afirmou que a incorporação do material reforça o papel da instituição na preservação da memória do estado. “Ieda Maria Vargas não foi apenas uma rainha de beleza, ela foi uma embaixadora da cultura gaúcha no mundo. Ter essa coleção em nosso acervo é garantir que sua coragem e elegância sigam inspirando futuras gerações”, afirmou Doris.

Doação da família

O filho de Ieda Maria Vargas, Rafael Athanasio, afirmou que a família decidiu destinar o acervo ao museu para manter o material no Rio Grande do Sul. “Eu e minha irmã estamos muito felizes. Acho que a minha mãe gostaria que esse acervo ficasse aqui no Estado. Quando do seu reinado, ela foi convidada para trabalhar nos Estados Unidos e não aceitou, ela queria voltar para casa. Aqui no Brasil, chamaram para fazer novelas e apresentar programas em outros estados, mas só aceitou as oportunidades em Porto Alegre, ela nunca quis sair do Rio Grande do Sul”, relatou Athanasio.

Ele também afirmou que a família aguarda a conclusão da reforma do museu para ver a coleção exposta ao público. “Estamos ansiosos pela conclusão da reforma, para podermos ver as peças da minha mãe”, completou o filho da Miss.

Quem foi Ieda Maria Vargas

Nascida em Porto Alegre, Ieda Maria Vargas conquistou o título de Miss Universo em 1963, tornando-se a primeira brasileira a vencer o concurso. Ao longo da vida, também atuou em atividades filantrópicas e apoiou iniciativas como as ações voltadas às tropas do Batalhão Suez.

Ieda foi casada com José Carlos Athanasio desde 1968 e teve dois filhos. Ela ficou viúva em 2009.

A ex-miss morreu em dezembro de 2025, aos 80 anos. A cerimônia de despedida foi realizada na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul e foi aberta ao público. Na ocasião, o governador do estado, Eduardo Leite (PSD), declarou que Ieda foi “símbolo da beleza da mulher gaúcha que representou o charme da mulher brasileira para o mundo” e que “sua trajetória permanece como referência para várias gerações”.

Foto: MHJC/Divulgação | Fonte: Assessoria
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