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futebol feminino

Política

ACI pede revogação de regra sobre férias escolares durante Copa Feminina

Por Jonathan da Silva 28/07/2026
Por Jonathan da Silva

A Associação Comercial, Industrial e de Serviços de Novo Hamburgo, Campo Bom, Estância Velha e Dois Irmãos (ACI) encaminhou um documento ao ministro da Educação, Leonardo Osvaldo Barchini Rosa nesta terça-feira (28), solicitando a revogação do artigo 67 da Lei nº 15.421/2026, que determina a adequação obrigatória dos calendários escolares para que as férias do primeiro semestre de 2027 coincidam com o período de realização da Copa do Mundo Feminina da FIFA no Brasil. A entidade também enviou o documento à Ordem dos Advogados do Brasil (OAB Nacional), pedindo a análise da constitucionalidade da norma e a adoção de medidas judiciais, incluindo o ajuizamento de uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) no Supremo Tribunal Federal (STF).

No documento, intitulado “Em defesa do pacto federativo, da autonomia dos sistemas de ensino, das famílias brasileiras e da segurança jurídica”, a ACI afirma reconhecer a importância da realização da Copa do Mundo Feminina no Brasil e destaca que o evento fortalece o esporte, amplia a visibilidade do futebol feminino e projeta a imagem do país internacionalmente. Entretanto, sustenta que essa relevância não justifica, em seu entendimento, a adoção de medidas que afetem princípios constitucionais e provoquem impactos na organização da educação, da economia e da rotina das famílias.

A entidade argumenta que o artigo 67 da Lei nº 15.421/2026 extrapola a competência legislativa da União ao impor, por meio de lei federal, um período obrigatório de férias para todas as redes de ensino do país. Segundo a ACI, embora caiba à União estabelecer normas gerais para a educação, a definição dos calendários escolares pertence à esfera de autonomia dos sistemas de ensino estaduais, municipais e das instituições de ensino, respeitados os dias letivos e a carga horária mínima previstos em lei.

Questionamento sobre autonomia dos entes federativos

De acordo com a entidade, a medida representa uma afronta ao pacto federativo ao interferir diretamente na gestão administrativa dos sistemas de ensino. A ACI ressalta que o Brasil possui diferenças regionais, climáticas, econômicas e educacionais que justificariam a manutenção da autonomia de estados e municípios para definir seus próprios calendários escolares.

No documento, a associação afirma ainda que a obrigatoriedade das férias durante a competição pode gerar impactos para famílias em que os responsáveis permanecerão trabalhando normalmente no período. Segundo a entidade, muitas delas precisarão recorrer a cuidadores, familiares, colônias de férias ou outras alternativas para acompanhar crianças e adolescentes durante o recesso escolar.

Impactos econômicos

A ACI também aponta possíveis reflexos para o setor produtivo. Conforme o documento, empresas de diferentes portes poderão enfrentar aumento do absenteísmo, dificuldades na organização das equipes e necessidade de flexibilizações na jornada de trabalho dos funcionários. A entidade avalia que pequenos negócios poderão ser mais afetados devido ao menor número de colaboradores.

Como alternativa, a associação defende que a União poderia incentivar ou recomendar a flexibilização dos calendários escolares, preservando a autonomia dos estados, municípios e sistemas de ensino para decidir sobre a adoção da medida conforme suas realidades locais.

Pedidos encaminhados

Além da revogação do artigo 67 da Lei nº 15.421/2026, a ACI solicita, de forma subsidiária, que o dispositivo seja alterado para tornar facultativa a adequação dos calendários escolares durante a Copa do Mundo Feminina. A entidade também pediu apoio institucional da OAB/RS para atuação conjunta na revisão da legislação e conclamou o governo federal e o Congresso Nacional a promoverem alterações no texto legal.

O documento é assinado pelo presidente da ACI, Robinson Klein, e pelo diretor da entidade, Fauston Saraiva.

Foto: Magnific/Reprodução | Fonte: Assessoria
28/07/2026 0 Comentários 112 Visualizações
Cidades

Secretária da Copa do Mundo Feminina avalia estrutura esportiva de Gramado

Por Jonathan da Silva 01/12/2025
Por Jonathan da Silva

A secretária extraordinária da Copa do Mundo Feminina, Débora Rios Garcia, visitou Gramado nesta sexta-feira (28) para realizar uma vistoria técnica na Vila Olímpica, com o objetivo de avaliar se o local poderá integrar a lista de possíveis centros de treinamento das seleções que disputarão a Copa do Mundo Feminina de 2027, que será sediada no Brasil. A inspeção ocorreu no próprio complexo esportivo, onde a representante federal analisou as instalações, registrou dados e coletou informações para envio à equipe técnica da Fifa, responsável pela homologação dos espaços.

Durante a visita, a secretária percorreu a Vila Olímpica observando os equipamentos esportivos e realizando registros fotográficos e técnicos. Todo o material reunido será encaminhado à Fifa, que fará a análise dos locais aptos a receber delegações internacionais durante o torneio.

Importância para o município

O secretário municipal de Esporte e Lazer de Gramado, Lucas Roldo, afirmou que a possibilidade de receber treinamentos da Copa representa um avanço para o município. “Receber a equipe da Secretaria da Copa é um reconhecimento do potencial de Gramado. Temos trabalhado para qualificar nossos espaços esportivos e estar entre as cidades aptas a receber seleções durante um evento dessa magnitude seria um orgulho para a comunidade e um incentivo ao desenvolvimento do esporte local”, destacou o titular da pasta.

Copa do Mundo Feminina de 2027

A Copa do Mundo Feminina de 2027 será a primeira edição do torneio sediada no Brasil. O evento é considerado um dos maiores do esporte mundial e deve movimentar torcedores, impulsionar o turismo e ampliar a visibilidade do futebol feminino no país.

Foto: Divulgação | Fonte: Assessoria
01/12/2025 0 Comentários 272 Visualizações
Esporte

Futebol feminino: disparidade salarial e a sexualização dos corpos femininos

Por Marina Klein Telles 25/07/2023
Por Marina Klein Telles

Desde os primeiros passos no campo até os gramados das competições profissionais, o futebol feminino tem trilhado uma jornada de evolução no Brasil e no mundo. Contudo, essa trajetória ainda enfrenta desafios significativos. Para entender melhor a situação, Tácio Santos, professor de Educação Física do Centro Universitário de Brasília (CEUB) e especialista no tema, aborda os principais obstáculos enfrentados pelas atletas do futebol feminino em relação ao reconhecimento e valorização em comparação ao futebol masculino.

Apesar do crescente reconhecimento da modalidade como um esporte de alto rendimento e o aumento do número de atletas profissionais, ainda há uma série de desafios a serem enfrentados pelas atletas. Segundo o professor, uma dessas dificuldades está na percepção da modalidade como um esporte profissional, tanto em seu aspecto simbólico, com a valorização das jogadoras, quanto em sua sustentabilidade material. “A falta de recursos, infraestrutura adequada e investimentos limitam o desenvolvimento pleno do futebol feminino”, reivindica.

O docente do CEUB explica que o acesso a oportunidades é fundamental para o crescimento das atletas. A equação entre a capacidade individual das jogadoras e o ambiente em que atuam pode ser determinante para seu sucesso no esporte. “Infelizmente, em muitos casos, a disparidade entre o potencial das atletas e o ambiente desfavorável resulta em pontuações baixas, prejudicando suas carreiras e o próprio futebol feminino como um todo”.

O acesso a recursos, infraestrutura e investimentos é crucial para o desenvolvimento do futebol feminino, defende Tácio. Ele utiliza uma equação simples que considera a capacidade individual da atleta multiplicada pelas características do ambiente em que ela atua. A disparidade entre a capacidade individual e o ambiente desfavorável resulta em pontuações baixas para atletas, mesmo que possuam alto potencial. “Por outro lado, países com menor potencial humano, mas ambientes mais favoráveis, conseguem projetar suas atletas com maior sucesso”, critica.

O especialista ressalta ainda que a maioria dos profissionais envolvidos no futebol feminino é do sexo masculino, o que pode gerar dificuldades no tratamento adequado das particularidades femininas. “Essa questão manifesta-se tanto na negação dessas particularidades como em uma intenção genuína de compreendê-las, mas com dificuldades na formação e instrução sobre como proceder profissional e humanamente em relação às atletas do sexo feminino”.

Em relação à igualdade de gênero e às condições de trabalho e salários das jogadoras, o profissional destaca que muitas vezes as mulheres precisam se posicionar social e politicamente para defender sua posição no futebol feminino, dada a história de estigma que o esporte enfrentou no Brasil. Diversas questões trabalhistas também afetam as atletas, como a disparidade salarial entre gêneros e a sexualização dos corpos em um ambiente esportivo que está constantemente em evidência.

Para enfrentar esses desafios, Tácio Santos defende que diferentes agentes devem buscar maior visibilidade e respeito para o futebol feminino em suas respectivas áreas de atuação. Ele aponta que governos devem fomentar o esporte com investimentos e bolsas para atletas e pesquisadores. “Instituições esportivas precisam equiparar as condições e investir no futebol feminino da mesma forma que fazem com o masculino”.

Em termos de capilaridade do esporte, o professor do CEUB frisa que a sociedade também deve abraçar a modalidade, reconhecendo que a seleção de futebol feminino é tão valiosa quanto a masculina, e que os clubes devem se engajar em atrair público para o futebol feminino. “Com o engajamento de todos esses atores, é possível superar os desafios e construir um cenário mais justo e igualitário para o futebol feminino no Brasil, possibilitando que as atletas alcancem todo o seu potencial e contribuam positivamente para a sociedade”, arremata.

Foto: Divulgação | Fonte: Assessoria
25/07/2023 0 Comentários 958 Visualizações

Edição 309 | Agosto 2026

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