Com o objetivo de fortalecer a identidade vitivinícola da Serra Gaúcha e ampliar alternativas ao material introduzido de programas europeus, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa Uva e Vinho), desenvolve o Projeto Seleclone, contando com apoio do Instituto de Gestão, Planejamento e Desenvolvimento da Vitivinicultura do Estado do Rio Grande do Sul (Consevitis-RS) nos últimos dois anos. A iniciativa já contabiliza cerca de 135 clones de 59 variedades viníferas em estudo, sendo 14 materiais atualmente em fase final de validação e dois já encaminhados para registro, consolidando um avanço na construção de alternativas genéticas adaptadas ao terroir local.
As demandas que buscam ser atendidas pelo Programa de Seleção Clonal são a falta de recomendações técnicas para a região da Serra Gaúcha dos clones comerciais introduzidos de programas europeus, bem como a busca por alternativas de novos clones selecionados nas condições locais. Dessa forma, o objetivo principal é prospectar, avaliar e selecionar clones de variedades viníferas com características agronômicas e atributos de interesse comercial para disponibilização ao setor vitivinícola.
De acordo com dados de 2025 do Sistema de Informações da Área de Vinhos e Bebidas (SIVIBE) da Secretaria de Defesa Agropecuária (SDA-MAPA), atualmente mais de 2.000 vitivinicultores produzem uvas de cultivares Vitis vinifera no Rio Grande do Sul, as quais geralmente são utilizadas para processamento, tendo como destino a elaboração de vinhos finos. A área de cultivo correspondente a estes produtores gaúchos é cerca de 6.500 hectares, o que demonstra o potencial de impacto do Projeto Seleclone.
Desde 2015, ano em que o projeto começou a ser desenvolvido, o valor total de recursos investidos pela Embrapa no Projeto Seleclone, até 2025, foi de mais de R$ 928 mil reais. O Consevitis-RS contribuiu com o somatório de R$ 52 mil nos anos de 2024 e 2025, para compra de equipamentos, insumos agrícolas e de microvinificação.
Para o presidente do Consevitis-RS, Luciano Rebelatto, é fundamental que o Instituto esteja atuando nas atividades e pesquisas que são desenvolvidas. “Pela nossa representação, devemos acompanhar o que acontece no setor e planejar de forma conjunta com as instituições e entidades o que precisamos executar. Trabalhar variedades alinhadas com o que o setor necessita é fundamental, pois busca trazer e valorizar a identidade e a qualidade. Podermos ter nossas variedades faz com que possamos trabalhar mais forte aspectos como o terroir e técnicas locais, entre outros tão importantes fatores”, pontua.
Conforme o pesquisador da Embrapa Léo Carson, o Projeto Seleclone pode trazer novas opções de cultivares importantes para a região da Serra Gaúcha em alternativa a clones importados, que em muitos casos não foram previamente testados em solos da Serra Gaúcha. O programa também acompanha e avalia opções de variações espontâneas ocorridas no ambiente local (mutações) na maioria das vezes selecionadas pelo próprio produtor, que observou nestas pequenas variações alguma característica de interesse ou algum diferencial em relação ao material original.
“Além disso, somado à seleção clonal, é exercida a limpeza sanitária dos materiais, que busca disponibilizar clones livres dos principais vírus que acometem a videira, sendo um dos focos principais do projeto. Por fim, o produtor terá novas alternativas de clones disponíveis no mercado, sem a necessidade de importação, com informações técnicas obtidas via pesquisa no nosso ambiente, em relação a solo e clima, e com qualidade sanitária garantida pela Embrapa”, ressalta Carson.

