Entrou em vigor nesta terça-feira (31) o reajuste anual dos preços de medicamentos em todo o país, após publicação no Diário Oficial da União. A atualização foi aprovada pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED) e estabelece um teto médio de 2,47% para 2026. A medida vale para medicamentos com preços regulados e define limites máximos de aumento conforme o nível de concorrência no mercado, com o objetivo de controlar a variação de preços no setor farmacêutico.
De acordo com a CMED, o índice máximo permitido será de 3,81% para medicamentos do Nível 1, de alta concorrência; 2,47% para o Nível 2, de concorrência intermediária; e 1,13% para o Nível 3, de baixa concorrência. Os percentuais têm como base a inflação medida pelo IPCA acumulado em 12 meses até fevereiro e funcionam como limite para os reajustes aplicados pelas farmacêuticas.
Aplicação do reajuste
O presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Produtos Farmacêuticos no Estado do Rio Grande do Sul (Sinprofar RS), Leomar Rehbein, explica que o reajuste não é automaticamente aplicado no teto máximo definido pela CMED. “O reajuste dos medicamentos nem sempre ocorre com base no teto máximo definido pela CMED. Muitas farmácias optam por elevações menores de preço, a fim de conquistar e fidelizar clientes”, destaca Rehbein.
O dirigente também ressalta que a atualização dos preços não ocorre de forma imediata para todos os produtos. “Outro detalhe é que o reajuste não é automático, ou seja, não significa que todos os medicamentos estarão com preços mais elevados a partir de 1º de abril”, pontua o presidente da entidade.
Segundo Rehbein, as farmácias podem aplicar o reajuste de forma gradual ao longo do ano, desde que respeitem os limites estabelecidos pela Câmara de Regulação. O dirigente também destaca que a maior parte dos medicamentos comercializados no país possui preços regulados, embora existam exceções com valores livres.
Orientações ao consumidor
Para os consumidores, a recomendação é de atenção na hora da compra. O presidente do Sinprofar RS orienta a pesquisa de preços e o uso de benefícios oferecidos pelas farmácias. “Vale lembrar que a grande maioria das farmácias possui ainda programas de fidelidades com benefícios importantes para os consumidores, o que ameniza o reflexo do reajuste”, pontua Rehbein.
Setor farmacêutico
O dirigente também avalia o impacto do modelo de regulação de preços sobre o setor e defende a revisão das regras atuais. “O modelo atual traz dificuldades para que os estabelecimentos farmacêuticos possam equilibrar suas contas, uma vez que na série histórica o reajuste acumulado de preços de medicamentos está abaixo do IPCA. Sabemos do impacto de reajustes de preços no orçamento das famílias, mas para o setor farmacêutico quanto menor for o valor do medicamento, maiores são os desafios e obstáculos para manter o equilíbrio financeiro . E, em 2026, o reajuste médio no preço dos medicamentos é o menor em quase 20 anos. E abaixo da inflação acumulada dos últimos 12 meses, que foi 3,81%”, conclui o presidente do Sinprofar RS.


