Projeto oferece apoio em saúde mental a vítimas das enchentes no RS

Por Jonathan da Silva

Estão abertas as inscrições para o projeto Recomeçar, iniciativa do Hospital Moinhos de Vento, em parceria com o Ministério da Saúde, voltada ao atendimento em saúde mental de pessoas afetadas pelas enchentes de maio de 2024 no Rio Grande do Sul. O programa, lançado por meio do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS), oferece suporte gratuito por meio de um processo estruturado que inclui triagem e acompanhamento psicológico. A iniciativa busca atender pessoas que sofreram impactos diretos das cheias, como deslocamento forçado e perdas materiais e emocionais, com expectativa de alcançar cerca de 10 mil participantes na primeira fase.

Podem se inscrever pessoas com 16 anos ou mais que tenham sido diretamente atingidas pelas enchentes. O processo começa com uma pré-triagem online, seguida de avaliação de sintomas como ansiedade, depressão e estresse pós-traumático. Aqueles que atenderem aos critérios participarão de um programa de apoio psicológico, enquanto os demais receberão orientações e materiais de suporte.

Como funciona

O projeto utiliza o protocolo Enfrentando Problemas+ (EP+), desenvolvido pela Organização Pan-Americana da Saúde, com base em técnicas validadas internacionalmente para atendimento de pessoas expostas a situações adversas. A abordagem prevê até sete encontros, com foco no manejo do estresse, na resolução de problemas cotidianos e na melhoria do bem-estar.

O médico intensivista e chefe do Serviço de Medicina Interna do Hospital Moinhos de Vento, Regis Goulart Rosa, destacou o objetivo da iniciativa. “Trata-se de um cuidado que vai além da perda material. Nosso objetivo é reduzir os impactos na saúde mental associados a essa experiência, que podem persistir por anos”, afirmou.

Equipe envolvida

Segundo a líder operacional do projeto, Geraldine Trott, o atendimento será realizado por uma equipe multidisciplinar. “A equipe do projeto é multidisciplinar, composta por profissionais qualificados e capacitados em saúde mental, com supervisão de psicólogos e psiquiatras”, destacou Geraldine.

O psiquiatra do Hospital Moinhos de Vento, Christian Kieling, explicou a proposta do método utilizado. “O protocolo consiste em uma intervenção psicológica de baixa intensidade que oferece ferramentas práticas que empoderam o indivíduo para lidar com o estresse e o sofrimento emocional de maneira mais saudável. Trata-se de uma oportunidade única para desenvolver e adaptar estratégias eficazes de cuidado em saúde mental no Brasil”, ressaltou Kieling.

O superintendente de Responsabilidade e Gestão de Riscos do Hospital Moinhos de Vento, Admilson Reis, ressaltou os efeitos prolongados de eventos extremos. “Catástrofes naturais podem gerar impactos psicológicos que perduram por até uma década, afetando significativamente a qualidade de vida das pessoas”, ponderou Reis.

Objetivo da ação

De acordo com o CEO do hospital, Mohamed Parrini, a proposta do projeto vai além do atendimento imediato. “Mais que uma resposta emergencial, o Recomeçar oferece um modelo estruturado de enfrentamento psicológico para situações de desastres climáticos que pode até apoiar futuras políticas públicas na saúde pública”, enfatizou Parrini.

Até dezembro

Com duração prevista até dezembro de 2026, o projeto também incluirá um estudo sobre os resultados do programa, com o objetivo de produzir dados para o sistema de saúde brasileiro em contextos de eventos climáticos extremos.

As inscrições são realizadas por meio de formulário online. Após o preenchimento, um profissional da equipe entra em contato para dar continuidade ao processo de triagem. Podem participar pessoas a partir de 16 anos, sendo necessária autorização de responsável legal para menores de 18 anos.

Foto: Divulgação | Fonte: Assessoria
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