A produtividade da soja no Rio Grande do Sul tem ficado abaixo da média registrada em outros estados brasileiros nos últimos cinco anos, segundo análise apresentada nesta terça-feira (10) durante o 36º Fórum Nacional da Soja, realizado no Auditório Central da Expodireto Cotrijal, em Não-Me-Toque. A avaliação foi apresentada pelo fundador da Veeries e especialista em inteligência de mercado para o agronegócio, Marcos Rubin, durante debate que reuniu especialistas para discutir competitividade, cenário produtivo e perspectivas para as cadeias da soja e do milho.
O evento integrou a programação técnica da 26ª edição da Expodireto Cotrijal. Durante a palestra “2026: O Novo Ciclo da Soja e do Milho: entre safras recordes e mudanças na demanda”, Marcos Rubin apresentou dados e ferramentas voltadas à análise do mercado agrícola.
Cenário da produtividade
Na apresentação, Rubin exibiu dados sobre o desempenho da soja nos últimos anos e afirmou que a produtividade no Rio Grande do Sul tem ficado abaixo da média observada em outros estados brasileiros.
Segundo o especialista, fatores climáticos têm contribuído para esse cenário, além de limitações no investimento nas lavouras. “Além do clima tem sobrado menos dinheiro para investir em novas safras”, ressaltou o especialista.
Demanda por biodiesel
Durante a palestra, Rubin também destacou o potencial da produção de biocombustíveis como alternativa para ampliar a demanda por soja no país. “A nova China para o Brasil é a geração de biodiesel. No Brasil, existe um mercado interno considerável para comercialização de biodiesel. A gente tem uma oportunidade gigantesca. Então, se aplicarmos o biocombustível no futuro, ele vai ser o principal responsável pelo crescimento da demanda de soja no Brasil nos próximos anos”, concluiu o palestrante.
Perspectivas do cenário internacional
Rubin também apresentou gráficos comparativos sobre a evolução da produção de soja no cenário internacional. Segundo ele, o Brasil ampliou significativamente sua produção nos últimos dez anos em comparação com os Estados Unidos.
Sobre as perspectivas futuras, o especialista afirmou que há sinais mais positivos para o segundo semestre, mas destacou fatores de incerteza no cenário internacional. “Eu acho que existem fatores imponderáveis como as consequências da guerra Estados Unidos-Irã. Tem um fator que não é benéfico nessa questão da guerra, que é o fertilizante. A gente não sabe por quanto tempo, mas os preços já subiram”, constatou Rubin.
Infraestrutura e logística
Além da análise de mercado, o fórum também abordou desafios relacionados à infraestrutura e à logística do agronegócio brasileiro. A programação incluiu a palestra “Da adversidade à vantagem competitiva: o novo ciclo estratégico do Termasa”, apresentada pelo vice-presidente da Cooperativa Central Gaúcha Ltda. (CCGL) e dos terminais portuários Termasa-Tergrasa, Guillermo Dawson Jr.
Durante a apresentação, Dawson Jr. falou sobre o papel da infraestrutura portuária e da logística integrada na competitividade do setor. “O momento da soja é uma preocupação constante que vai desde o clima até questões comerciais, em um contexto mundial de guerras. Nos cabe dar as melhores condições de infraestrutura logística para que a soja possa ingressar nos mercados”, afirmou o especialista.
Terminais portuários
O dirigente também apresentou informações sobre a trajetória dos terminais Termasa-Tergrasa, localizados no Porto de Rio Grande. Segundo ele, o empreendimento surgiu no final dos anos 1960 a partir de uma iniciativa de cooperativistas que buscavam alternativas para o escoamento da produção de grãos.
O terminal tornou-se o primeiro terminal graneleiro do país em 1972. Atualmente, o Termasa passa por um processo de reconstrução após um acidente envolvendo um navio, com investimento estimado em R$ 600 milhões. As obras devem se estender até outubro de 2026.
Abertura do fórum
Na abertura do fórum, o presidente da Federação das Cooperativas Agropecuárias do Rio Grande do Sul (FecoAgro/RS), Paulo Pires, destacou a relevância do encontro, que chega à 36ª edição e ocorre pelo 26º ano consecutivo dentro da Expodireto Cotrijal. “Eu acho que a questão mais importante do Fórum da Soja é a interação. Nós temos basicamente representantes de cooperativas, de empresas, do sistema financeiro e é nesse contexto que temos uma seleção muito grande de debates no sentido convergente para solucionar os problemas”, ressaltou Pires.
O 36º Fórum Nacional da Soja é promovido pela Federação das Cooperativas Agropecuárias do Rio Grande do Sul (FecoAgro/RS), pela Cotrijal e pela Cooperativa Central Gaúcha Ltda. (CCGL), com apoio do Sistema Ocergs/Sescoop-RS.


