PNAE Agroecológico atua com 11 famílias em Montenegro

Por Jonathan da Silva

O Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) Agroecológico selecionou 11 famílias de Montenegro para ampliar a produção de alimentos agroecológicos destinados à merenda escolar. O município é um dos cinco do Rio Grande do Sul escolhidos para participar da iniciativa, que terá duração prevista de quatro anos e reúne poder público, instituições de pesquisa e organizações ligadas à alimentação saudável. O projeto busca fortalecer a agricultura familiar, ampliar a oferta de alimentos agroecológicos nas escolas e aproximar a produção local da alimentação escolar.

Segundo o engenheiro agrônomo da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Rural de Montenegro, Felipe Kayser Lampert, o programa prevê acompanhamento técnico das famílias participantes. “Não se trata apenas de produzir para a merenda escolar. O objetivo é construir sistemas produtivos mais sustentáveis, reduzir custos, melhorar a qualidade dos alimentos e tornar as propriedades economicamente mais fortes no longo prazo”, destaca Lampert.

A iniciativa pretende ampliar os conhecimentos técnicos dos agricultores, diversificar culturas e criar condições para a geração de renda associada a práticas de produção com menor impacto ambiental. A proposta também deverá servir de referência para políticas públicas voltadas à produção agroecológica em outras regiões do país.

Da contabilidade para a agroecologia

Entre as agricultoras participantes está Caroline Cattermann, que trabalhou por mais de oito anos na área de contabilidade antes de mudar de atividade. O contato com a agroecologia ocorreu em 2017, durante um curso da Emater. Desde 2021, ela se dedica integralmente à produção de alimentos livres de agrotóxicos.

Na propriedade, Caroline cultiva folhas, verduras, frutas, aipim e flores comestíveis. A produção é associada a ações de recuperação da biodiversidade. Com a participação no PNAE Agroecológico, a agricultora pretende ampliar os mercados, investir em equipamentos e aperfeiçoar as técnicas de produção. O projeto também prevê o incentivo ao plantio de árvores nativas e à conservação ambiental.

Retomada da produção

Na propriedade de Fernanda Fraga Prade e da mãe, Clariza Andrioli Fraga, o programa ocorre durante a retomada das atividades agrícolas. A família havia interrompido a produção de hortifrúti em razão de problemas de saúde e voltou ao cultivo utilizando canteiros elevados e práticas sem agrotóxicos.

Atualmente, as agricultoras fornecem feijão, beterraba e repolho para a merenda escolar e planejam ampliar a variedade de verduras e legumes. Entre os próximos investimentos está a instalação de uma agroindústria para a produção de alimentos minimamente processados. Para a família, o acompanhamento técnico do programa oferece suporte para a retomada dos investimentos na propriedade.

Transição para a produção orgânica

A família de Rosa Elaine Garcia e José Augusto Bagatini iniciou a produção convencional de melancia em 2000 e começou a transição para a agroecologia em 2007. Em 2011, José sofreu uma intoxicação provocada pela deriva do herbicida 2,4-D aplicado em uma propriedade vizinha. O episódio reforçou a decisão da família de manter a produção de alimentos sem agrotóxicos.

Certificados como produtores orgânicos há um ano, Rosa e José participam do PNAE Agroecológico com o objetivo de consolidar a produção. A família também envolve a nova geração na atividade. A filha Ana Helena, de oito anos, afirma que pretende ser “médica de plantas”.

Jovens na atividade rural

A sucessão familiar é outro aspecto presente no projeto, como na propriedade de Carlos Ernesto Koch e do filho Arthur Ernesto Koch. Filho de agricultores, Carlos mantém atividades de produção de melancia, silvicultura e pecuária de corte. Embora seja formado em Contabilidade, permaneceu ligado à produção rural.

O filho Arthur conclui neste ano o curso da Escola Família Agrícola da Serra. A família pretende utilizar o programa para aprender novas técnicas de cultivo, produzir melão e pepino destinados ao PNAE, reduzir o uso de inseticidas e aumentar a rentabilidade da propriedade por meio da diversificação.

Produção e mercado

O secretário municipal de Desenvolvimento Rural de Montenegro, Vlademir Ramos Gonzaga, relaciona o projeto à aproximação entre a produção rural e as escolas. “Quando a escola compra alimentos produzidos por agricultores do próprio município, todos ganham”, afirma o titular da pasta.

As crianças recebem produtos mais frescos e saudáveis, enquanto os produtores têm mercado, renda e incentivo para investir em sistemas cada vez mais sustentáveis. É um ciclo que beneficia toda a comunidade”, conclui Vlademir Ramos Gonzaga.

Foto: Divulgação | Fonte: Assessoria
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