Os primeiros animais da 49ª Expointer entraram no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio, pouco depois das 8h desta segunda-feira (24), com o rebanho das raças Texel e Texel Naturalmente Colorido (NC), da Fazenda do Angico, de Tupanciretã, novamente à frente da fila. A feira está programada para ocorrer de 29 de agosto a 6 de setembro. A viagem de 350 quilômetros até Esteio começou na madrugada de domingo (23) e contou medidas de bem-estar, entre elas cuidados com uma cordeira de seis dias.
Pelo segundo ano consecutivo, os animais da Fazenda do Angico foram os primeiros a ingressar pelo Portão 8 do Parque Assis Brasil. O proprietário da Fazenda do Angico, Arthur Valladão, afirmou que a criação é recente e participou da Expointer de 2025, quando também foi a primeira a chegar ao parque. Na ocasião, a cabanha recebeu os títulos de Reservado de Grande Campeão e Grande Campeã. “A nossa criação é uma cabanha nova. No ano passado também fomos os primeiros a entrar no parque e saímos da Expointer consagrados como Reservado de Grande Campeão e Grande Campeã”, afirmou Valladão.
A viagem de Tupanciretã até Esteio começou à meia-noite e meia de sábado para domingo e terminou às 7h10min de domingo, em frente ao parque. Segundo Valladão, o transporte foi realizado durante a noite para reduzir a exposição dos animais ao calor. O caminhão utilizado tinha calefação e iluminação. “Saí de Tupanciretã à meia-noite e meia, de sábado para domingo, e cheguei em frente ao parque ontem às 7h10min da manhã. A gente demora bastante por causa dos cuidados com os animais. O caminhão tem calefação e luz. Viajamos à noite, quando é mais fresco, e temos bastante preocupação com essa questão do bem-estar animal”, relatou o proprietário.
Investimento em genética
A entrada dos primeiros animais também ocorre em um período de dificuldades enfrentadas pelo agronegócio. Para o presidente da Federação Brasileira das Associações de Criadores de Animais de Raça (Febrac), Marcos Tang, a Expointer permite apresentar o trabalho desenvolvido pelos criadores ao longo do ano. “As estrelas são os animais, seus expositores e seus criadores. É para eles que devemos todo o aplauso e toda a honra, porque não está fácil manter os animais, promover a evolução genética e continuar investindo”, afirmou o dirigente.
Tang ressaltou que a feira reúne animais de diferentes regiões e países. “Aqui estarão os melhores animais da região, do estado, do país e, em muitas raças, os melhores exemplares do mundo. Isso é motivo de muito orgulho”, enfatizou o presidente da entidade.
Para o dirigente, os investimentos em genética produzem resultados no médio e longo prazos, o que torna a continuidade dos programas de melhoramento relevante mesmo em períodos de dificuldades econômicas. “O produtor continua investindo, apesar de todas as agruras e dificuldades. E nós vamos ver esse trabalho desfilando nas pistas. Genética é um trabalho contínuo e evolutivo. A interrupção pode ser fatal, porque se trata de um investimento de médio e longo prazo”, destacou Tang.
O presidente da Febrac citou ainda a pecuária leiteira como exemplo. De acordo com ele, uma fêmea nascida atualmente leva dois anos para iniciar a produção. “Você não pode simplesmente interromper esse processo. Não é como uma lavoura, em que eventualmente se pode deixar de plantar em determinado ano. Na genética, se você perde o rebanho ou perde o trabalho desenvolvido, fica para trás”, pontuou Marcos Tang.


