Lisiara Simon apresenta coleção “Florescer” e debate produção e consumo responsável

Por Marina Klein Telles

Porto Alegre recebe, entre os dias 29 de abril e 3 de maio, a nova edição da Design Week POA 2026, que chega à cidade em escala inédita. Com programação distribuída em cerca de 50 endereços e mais de 150 atividades, o evento conecta produção criativa, público e mercado por meio de exposições, lançamentos, palestras e intervenções urbanas.

Entre os destaques está o espaço Trino Design por Lisiara Simon, que apresenta a coleção autoral Florescer — um projeto que parte do design como linguagem de transformação e propõe um olhar sensível sobre matéria, tempo e responsabilidade.  Com estética delicada, parte da coleção remete a universos imaginários, nos quais o mobiliário assume formas leves, que evocam traços desenhados.  Durante a Design Week POA, o público também poderá adquirir peças da coleção.

Instalado em um ambiente de 18m², o espaço reúne peças desenvolvidas a partir de materiais de origem circular, como madeiras de demolição, acrílico reciclado e plástico oriundo de brinquedos e eletrônicos. O crochê, elemento que atravessa a coleção, incorpora tanto cordas produzidas a partir de garrafas PET quanto fios que seriam descartados pela indústria, trazendo textura, memória e ressignificação ao conjunto. Entre os itens expostos estão biombo, mesa, luminária, poltrona e mobiliários multiuso, e transitam entre função e experiência, ampliando a percepção do design como prática sensível e consciente.

Mais do que uma coleção, Florescer nasce como um manifesto. “Não se trata de tendência, mas de responsabilidade”, reforça Lisiara ao propor uma reflexão sobre os ciclos da matéria e o papel do design na construção de novos sistemas de consumo.

A coleção parte do encontro entre o que foi descartado e o que insiste em permanecer. As peças surgem como extensões do ambiente, com formas simples e quase intuitivas, que valorizam a imperfeição, a sobreposição e os vestígios do tempo. Superfícies translúcidas revelam processos, enquanto fragmentos reaproveitados assumem protagonismo estético — não como resíduo, mas como linguagem.

Nesse contexto, o mobiliário deixa de ser apenas funcional e passa a sugerir pequenos rituais cotidianos: pausar, apoiar, chegar, guardar. Objetos que acolhem o uso, mas também convidam à presença.

A participação de Lisiara na programação se estende para além da exposição. No dia 2 de maio, a arquiteta e designer ministra palestra que parte do design como ferramenta de transformação para refletir sobre o papel dos materiais, da indústria e do consumo na construção de um futuro mais consciente. A proposta é ampliar o olhar sobre a cadeia produtiva a partir do projeto, destacando como escolhas de design podem contribuir para que produtos e materiais tenham ciclos de vida mais responsáveis, com maior potencial de reaproveitamento e menor impacto ambiental.

A fala também aborda a responsabilidade compartilhada ao longo desse processo — da indústria ao consumidor — e dá visibilidade aos profissionais envolvidos no ciclo dos resíduos, como recicladores e catadores, além das iniciativas que reintroduzem esses materiais na cadeia produtiva. Nesse contexto, o design é apresentado não apenas como criação estética, mas como agente ativo na construção de soluções e na ressignificação do resíduo como um ativo de valor.

Foto: Divulgação | Fonte: Assessoria
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