Entidades reafirmam compromisso com os trabalhadores e o futuro da cadeia do tabaco

Por Marina Klein Telles

O primeiro encontro do Ciclo de Seminários Regionais sobre a cadeia produtiva do tabaco ocorreu nesta quinta-feira, 23, na Câmara de Vereadores de Santa Cruz do Sul, reunindo lideranças institucionais, autoridades, especialistas e trabalhadores da indústria em torno de um compromisso público com a defesa do emprego, da saúde do trabalhador e da sustentabilidade da atividade. O debate foi mediado pelos presidentes da Federação Nacional dos Trabalhadores nas Indústrias do Tabaco e Afins (Fentitabaco), Rangel Marcon, e da Associação dos Municípios Produtores de Tabaco (Amprotabaco), Gilson Becker.

Na abertura do debate central, Marcon situou o seminário como um marco político e institucional para o setor. “Este seminário não é um ato isolado. É o início de uma construção coletiva, que coloca o trabalhador no centro da discussão sobre o futuro da cadeia produtiva do tabaco”, afirma. Na mesma linha, Becker reforçou o papel dos municípios nessa articulação. “Nosso compromisso não é apenas participar deste encontro. Precisamos transformar este movimento em uma agenda permanente, envolvendo mais entidades e dando força a uma discussão que é estratégica para a nossa região e para o Sul do País”, afirma.

Entre as manifestações institucionais, o presidente do Sindicato Interestadual da Indústria do Tabaco (SindiTabaco), Valmor Thesing, dimensionou a força econômica e social da atividade. Ele lembrou que o tabaco representa 14% das exportações gaúchas, posiciona Santa Cruz do Sul como o segundo maior município exportador do Rio Grande do Sul e mobiliza cerca de 44 mil trabalhadores na indústria, além de mais de 600 mil pessoas na lavoura. “Estamos falando de uma cadeia produtiva unida, relevante e que precisa ser defendida com responsabilidade”, afirma. Segundo Thesing, esse compromisso passa pelo fortalecimento do setor, pelo combate ao mercado ilícito e às organizações criminosas, pela atenção permanente à Convenção-Quadro e pela abertura de novas oportunidades para a atividade.

A defesa do setor também foi reforçada por representantes da produção e da organização técnica da cadeia. O gerente comercial da Yara Brasil Fertilizantes, Marcos Pereira, destacou o papel da empresa na defesa corporativa da produção do tabaco em parceria com as indústrias e com a Afubra. Já o presidente da Câmara Setorial do Tabaco no Ministério da Agricultura e Pecuária e presidente da Agro Comercial Afubra, Romeu Schneider, lembrou que a preocupação com o trabalhador e com o meio ambiente acompanha historicamente a atividade. “Seguimos trabalhando para levar a verdade sobre a nossa atividade, mesmo diante das dificuldades e da resistência que ainda existe em âmbito nacional”, afirma. Segundo Schneider, programas permanentes como o Verde é Vida e o incentivo à diversificação ajudaram a transformar a realidade da pequena propriedade, reduzindo a dependência exclusiva da cultura ao longo das últimas décadas.

No campo acadêmico, o reitor da Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc), Rafael Henn, assumiu um dos posicionamentos mais enfáticos do encontro ao colocar a instituição à disposição da cadeia produtiva. Ele observou que a região desenvolve inúmeras ações a partir do tabaco nas áreas do conhecimento, da inovação, da qualidade e do meio ambiente, embora muitas vezes isso não seja suficientemente comunicado. “Uma universidade comunitária deve estar a serviço das questões sociais. Contem conosco. A nossa universidade está ao lado da cadeia produtiva do tabaco”, afirma. Segundo Henn, esse compromisso envolve pesquisa, inovação, prestação de serviço à comunidade e atuação direta junto aos trabalhadores rurais, além da mobilização do Consórcio das Universidades Comunitárias Gaúchas e de instituições comunitárias de Santa Catarina para colaborar com o setor.

Representando a Associação Comercial e Industrial de Santa Cruz do Sul (ACI), o vice-presidente de agronegócio, Marco Dorneles, ressaltou que a defesa da cadeia produtiva do tabaco também passa por enfrentar gargalos regulatórios e tributários que afetam a competitividade regional. “No setor do tabaco, o que mais impacta é a questão regulatória, que hoje é um grande empecilho ao desenvolvimento. Para a ACI, a defesa da cadeia produtiva do tabaco é extremamente importante”, afirma. Segundo Dorneles, o peso econômico do setor sobre os municípios é expressivo e, em algumas realidades, chega a representar até 70% da arrecadação, o que reforça a necessidade de ampliar a mobilização institucional. No mesmo sentido, o médico Airton Artus alertou para o peso do preconceito na condução do debate público. “Criou-se uma discriminação em cima da indústria, muito mais ideológica do que científica”, afirma. Segundo ele, ampliar a presença de representantes e defender tecnicamente a relevância da cadeia é parte essencial desse processo.

O encontro reuniu autoridades estaduais e federais, entre elas os deputados Kelly Moraes, Edivilson Brum e Marcelo Moraes, além do prefeito de Santa Cruz do Sul, Sérgio Moraes, prefeito de Sinimbu, Wilson Molz, do presidente do Legislativo, Serginho Moraes, e demais vereadores do município. A presença expressiva de trabalhadores da indústria reforçou o caráter representativo do seminário.

Foto: Divulgação | Fonte: Assessoria
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