Com foco em reforma tributária e jornada de trabalho, Fiergs e CBIC discutem perspectivas da construção civil

Por Marina Klein Telles

Responsável por cerca de 1 milhão de empregos formais gerados desde a pandemia e por uma parcela significativa do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, a construção civil foi o foco de encontro promovido pelo Sistema FIERGS e pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) na quinta-feira (18). Entre os principais temas debatidos estiveram os impactos da reforma tributária e da proposta de redução da jornada de trabalho, atualmente em tramitação no Congresso Nacional.

O vice-presidente da FIERGS e coordenador do Conselho da Construção Civil (Consic), Claudio Teitelbaum, que representou no evento o presidente do Sistema FIERGS, Claudio Bier, destacou a relevância do setor para a economia e o papel da Região Sul no cenário nacional. “É uma atividade estratégica para o desenvolvimento econômico e social. Foi um dos primeiros setores a reagir após a covid-19 e, durante oito trimestres consecutivos, liderou a geração de empregos no Brasil”, afirmou.

Teitelbaum ressaltou, porém, os desafios, como a reforma tributária. “Teremos de buscar mais industrialização, mecanização e ferramentas que hoje ainda utilizamos pouco. Haverá aumento de impostos e redução da competitividade. Até alcançarmos o estágio de creditação dos impostos, o fluxo de caixa das empresas sofrerá bastante”, ponderou.

O presidente eleito da CBIC, Eduardo Aroeira Almeida, considera que o setor precisa se mobilizar diante das mudanças em curso. “Este é um ano de transição e de muitas incertezas políticas. A regulamentação da reforma tributária, por exemplo, está acontecendo agora, e a participação das empresas é fundamental. Precisamos agir para não sermos prejudicados”, disse.

Almeida também alertou para os possíveis impactos da redução da jornada semanal para 40 horas. Segundo ele, a medida exigiria a contratação imediata de cerca de 280 mil trabalhadores adicionais na construção civil. “O que precisamos é de tempo e produtividade”, pontuou.

Já o coordenador do Conselho Técnico de Assuntos Tributários, Legais e Cíveis da FIERGS (Contec) e presidente do Sindicato da Indústria da Construção de Estradas, Pavimentação e Obras de Terraplanagem em Geral no Estado do Rio Grande do Sul (Sicepot-RS), Rafael Sacchi, defendeu maior equilíbrio fiscal e investimentos em infraestrutura. “Deveríamos ter feito uma reforma administrativa antes da reforma tributária. O Brasil regula a receita pelo aumento da despesa. A arrecadação cresceu, mas a dívida pública continua aumentando por causa da despesa descontrolada. E não se trata de despesas que geram investimentos, como despesas com construção, que trazem efeitos positivos na economia”, afirmou.

Sacchi defendeu políticas públicas de Estado voltadas para infraestrutura, habitação, saneamento e logística. “Com o fim de incentivos fiscais previsto na reforma tributária, como o Estado pode se tornar mais competitivo? Pela logística”, enfatizou, ressaltando que o Rio Grande do Sul conta atualmente com apenas um porto e uma malha ferroviária defasada.

Na abertura do encontro, foram homenageadas duas personalidades com trajetória relevante para o setor: o engenheiro, empresário, deputado constituinte e ex-ministro-chefe da Casa Civil Luis Roberto Andrade Ponte e o empresário, contador e ex-presidente do Sinduscon-RS Ricardo Antunes Sessegolo.

“É uma honra receber essa homenagem. Entrei na vida pública com o objetivo de ser útil. Precisamos defender os interesses do país. E quase tudo o que a construção faz é positivo para o Brasil, pois está presente nos hospitais, nas escolas e nas estradas”, agradeceu Ponte. Em sua fala, Sessegolo destacou a importância da aproximação entre a indústria e construção civil. “Esta é a casa da indústria. A construção civil conquistou um espaço na entidade que antes não tinha, com muita luta e perseverança”, celebrou.

Foto: Divulgação | Fonte: Assessoria
Publicidade

Você também pode gostar

Deixe um comentário

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.