A Associação Médica do Rio Grande do Sul (AMRIGS), a Sociedade Gaúcha de Infectologia (SGI) e a Sociedade de Pediatria do Rio Grande do Sul (SPRS) manifestam-se sobre a ocorrência envolvendo a identificação da bactéria Acinetobacter baumannii em uma Unidade de Terapia Intensiva Neonatal, em Porto Alegre, associada ao óbito de um recém-nascido prematuro extremo. A situação mobiliza profissionais de saúde e a sociedade civil, exigindo análise técnica responsável, fundamentada em evidências científicas e na avaliação clínica dos indivíduos envolvidos.
A Acinetobacter baumannii é um micro-organismo ligado a infecções em pacientes com maior fragilidade clínica, frequentemente relacionado a quadros em serviços de alta complexidade, especialmente em unidades intensivas, onde há maior uso de dispositivos invasivos e permanência prolongada de pessoas em estado crítico. Em determinadas circunstâncias, pode apresentar resistência a múltiplos antimicrobianos, sendo classificada como pan-resistente, o que reduz significativamente as alternativas terapêuticas disponíveis.
Ocorrências dessa natureza atingem, principalmente, indivíduos mais vulneráveis, como recém-nascidos prematuros extremos, que possuem sistema imunológico imaturo e demandam suporte intensivo contínuo. Nesses casos, múltiplos fatores clínicos coexistem e podem interferir no desfecho, motivo pelo qual a relação direta entre a presença do agente e a evolução para óbito deve ser analisada com cautela pelas autoridades competentes.
Cabe destacar que a presença desse tipo de bactéria está vinculada ao ambiente assistencial e não representa risco para a população fora desse contexto. A situação evidencia a complexidade do cuidado em unidades críticas e a necessidade permanente de vigilância epidemiológica, além da aplicação rigorosa de medidas de prevenção e controle. Entre as estratégias essenciais estão a correta higienização das mãos, a desinfecção de superfícies e equipamentos, o uso criterioso de terapias antimicrobianas, o acompanhamento contínuo dos internados e, quando necessário, a suspensão temporária de novas admissões para contenção de possíveis surtos, prática prevista em protocolos assistenciais.
A redução da eficácia dos antimicrobianos figura entre os principais desafios globais em saúde, sendo agravada pelo uso inadequado dessas medicações tanto em instituições de saúde quanto na comunidade. O enfrentamento dessa realidade exige atuação integrada, atualização técnica constante e responsabilidade na indicação terapêutica.
Diante desse quadro, AMRIGS, SGI e SPRS ressaltam a importância da informação qualificada para evitar interpretações equivocadas, bem como o reconhecimento do trabalho das equipes assistenciais que atuam em cenários de alta complexidade, lidando diariamente com decisões que demandam agilidade e embasamento científico.
As instituições seguem acompanhando a situação e colocam-se à disposição para contribuir com esclarecimentos técnicos, sempre pautados na ética, na ciência e na defesa da segurança dos pacientes.
Dr. Gerson Junqueira Jr.
Presidente da Associação Médica do Rio Grande do Sul (AMRIGS)
Dr. Dimas Kliemann
Presidente da Sociedade Gaúcha de Infectologia (SGI)
Dr. Marcelo Pavese Porto
Presidente da Sociedade de Pediatria do Rio Grande do Sul (SPRS)


