Compartilhar cases de sucesso de empreendedores locais e da região é a proposta da programação do Café Empresarial este ano. Para a edição de abril, o tradicional evento de networking da Associação Comercial e Industrial (ACI) de Santa Cruz trouxe como painelista o empresário Eder Griebeler, CEO da Fast2 Mine, empresa santa-cruzense de tecnologia que está revolucionando a gestão da mineração no planeta. O encontro, realizado, na manhã de terça-feira, 26 de abril, reuniu mais de 40 participantes, entre empresários e profissionais de empresas, no auditório 2 da entidade. O relato da inspiradora trajetória do empreendedor teve a mediação dos diretores da ACI, Rogério Pereira, de Inovação e Transformação, e Eduardo Bitencourt, de Tecnologia.
Eder Griebeler
Natural de Santa Cruz do Sul, formado em Engenharia de Minas pela UFGRS, Eder Griebeler deixou uma promissora carreira profissional, na gigante Vale do Rio Doce, para criar o seu próprio negócio. A veia empreendedora herdada do pai, Elton Griebeler – conhecido empresário local – foi um fator decisivo e inspiração para que o jovem engenheiro se lançasse no imprevisto e desafiante mundo empresarial.

Em 2012, motivado pelo propósito de desenvolver um software para revolucionar a gestão operacional das mineradoras, tornar o setor mais competitivo e sustentável e melhorar a vida das pessoas, fundou a Fast2 Mine, junto com um colega de trabalho e sócio. O primeiro projeto, direcionado para pessoas físicas, levou cerca de um ano e meio de trabalho para ser desenvolvido e depois de lançado, ninguém comprou. O aparente fracasso não desanimou o empreendedor que junto com o sócio partiu para projetos voltados a gestão das empresas mineradoras.
“Na época existiam sistemas de fora, que eram caros, mas muitas mineradoras ainda gerenciavam seus equipamentos no papel. Com essa informação começamos a desenvolver um sistema operacional para gestão de minas focado na gestão de frota”.
Desistir não era opção
Contado apenas com os próprios recursos e conciliando o trabalho na Vale, manter a empresa era um desafio que o sócio não suportou. Eder seguiu sozinho na empresa, pois “desistir não era opção”, e contratou um programador para tocar o projeto por mais um ano e meio. “Eu não tinha capital e precisei vender 40% da empresa para um sócio. Seguimos desenvolvendo o negócio juntos. Investia tudo na empresa e praticamente não tinha nada de retorno”, relembra.
Quando a segunda versão do produto ficou pronta e foi implementada em uma mineradora, surgiu mais uma barreira a superar: o projeto precisava ainda de ajustes e levou mais um ano e meio de trabalho e de investimentos até funcionar e estar pronto para o mercado.

Veio então a decisão mais difícil, a de sair da Vale do Rio Doce para se dedicar exclusivamente a Fast2 Mine, pois não era mais possível conciliar as duas atividades. “Minha esposa foi um porto seguro e sempre bancou comigo essas decisões, me apoiando”, recorda o empresário. Foi um período muito conturbado, pois ambos trabalhavam na Vale e tinham carreiras promissoras e uma boa remuneração.
“Reduzimos nossa renda mensal a uns 30%, mas nunca deixamos de acreditar no sonho da Fast2 Mine. Eu passava mais de 20 dias do mês viajando em busca de clientes e desenvolvendo o negócio”.
Somente em julho de 2018 a Fast2 Mine começou a alavancar no mercado e ter um retorno financeiro positivo, com a venda dos projetos. Hoje, a empresa é líder em sistemas de mineração no país, com mais de 40 minas gerenciadas, cerca de 60 funcionários, e está em franco processo de expansão e internacionalização, com projetos nos Estados Unidos. Recentemente, firmou uma parceria de distribuição global de seus softwares com a empresa Mining Plus, uma das maiores empresas de consultoria para Engenharia de Minas, Geologia e Geotecnia do mundo.
Desta trajetória, Eder Griebeler tira importantes ensinamentos que carrega para vida e são a marca da gestão de sua empresa: a valorização das pessoas, tanto dos colaboradores como dos que se beneficiam de seus produtos. “Tornar a vida das pessoas melhor é o que nos motiva e nos faz continuar sonhando em chegar cada vez mais longe com nosso negócio”.
Networking
Em sua fala, na abertura do encontro, o presidente da ACI, Cesar Cechinato, recordou a importante atuação do empresário Elton Griebeler, ex-presidente da ACI e pai do palestrante, na comunidade. “Vim integrar a diretora da ACI na época à convite dele”, destacou. Cechinato mencionou também as novidades que a entidade está programando, na área de convênios e de novas parcerias, e que em breve serão anunciadas, “revertendo em muitos benefícios e vantagens para os atuais e futuros associados”.
Presente na programação de eventos da ACI há quase uma década, o Café Empresarial é um espaço para troca de conhecimentos e networking. Recepcionados com um café da manhã, os convidados participam de uma dinâmica de apresentação e assistem a palestras com foco na área empresarial.
O evento conta com ao patrocínio do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), UNISC, Unimed, Cindapa, Borba Imóveis, Lisaruth e Grupo Gazeta de Comunicações.


