Concurso de Velos é destaque no terceiro dia de julgamento de ovinos na 49ª Expointer

Características quase invisíveis podem alterar o valor da lã segundo especialistas

Por Ester Ellwanger

O foco principal na pista de ovinos desta terça-feira, no Parque de Exposições Assis Brasil, foi o concurso de velos (cobertura completa de lã que é retirada de uma ovelha de uma só vez durante a tosquia, mantendo-se unida como uma espécie de manto ou capa que reveste o corpo do animal – exceto a cabeça, as patas e a barriga). Alguns tem características quase invisíveis, mas importantes o suficiente para alterar o valor do produto final.

Segundo Sérgio Muñoz, do programa Lã Certificada, o valor final do preço da lã depende de dois fatores: a sua finura, a micronagem, e o rendimento ao lavado. O ideal é que para cada 1 quilo de lã lavada, saia 800 gramas, em um rendimento de 80%.

“Este é um bom número. Mas, existem outros fatores como coloração, comprimento de mechas (o tamanho que os blocos de fios de lã atingem entre uma tosquia e outra, dependendo diretamente da raça da ovelha e do tempo de crescimento do velo) e a quantidade de velos A (de alta qualidade)”, revela.

Referências já trabalhadas pela Arco apontaram cerca de US$ 10 por quilo para lã de 18 micra e US$ 2,40 para lã de 31 micra. Muñoz afirma que o destino final do produto vai para as confecções, sendo que as lãs finas para a alta costura, onde é altamente remunerada, e as lãs grossas para os casacos pesados, cobertores, tapetes, etc. “Alguns subprodutos da lã da ovelha serve até mesmo para ser utilizado em filtros de carro e rolos para pinturas. Existe até mesmo quem esteja produzindo cosméticos com o lubrificante da lã”.

Os números

O Rio Grande do Sul concentra mais de 90% da lã brasileira com valor têxtil, e o programa Lã Certificada já acumulou quase 600 mil quilos em quatro safras. Porém, quem determina o preço é o mercado internacional, em especial, o Australiano. No Brasil, 95% de toda a produção é comercializada para o Uruguai, pois são elas que melhor remuneram os produtores.

“A variação de preço em cima de uma lã certificada em comparação com a lã não certificada é de 30% a 100%. É por isto que eu recomendo a utilização do serviço da Arco na produção de um rebanho de qualidade, pois no nosso site existe uma lista de empresas de esquilas que autenticam o produto”.

Durante à tarde, foram avaliados nove Merinos Australianos e sete Corriedales. O método utilizado foi o Tally-Hi, uma técnica australiana de tosquia de ovinos que prioriza o bem-estar animal, a qualidade da lã e a ergonomia do esquilador. A lã retirada do ovino é avaliada em uma mesa, onde são destacadas características como coloração, resistência, finura e peso.

Também é gerado um valor comercial de acordo com estas características, o material é pesado e os números são inseridos em uma planilha. Raquel Rodrigues, presidente da Associação Brasileira de Criadores de Merino Australiano (ABCMA) ressalta a apresentação de boas finuras de velo, bem destacados. ‘É uma lã de excelência, muito procurada pelo mercado e a indústria, incluindo as malharias do Sul”.

Troféus

Os troféus de campeões macho e fêmea da raça Merino Australiano foram para a cabanha Santa Camila, de Alegrete, de propriedade de Manoel Francisco Zirbes Rodrigues. O macho (Camila 3855, tem peso de velo de Kg 9,9); e a fêmea (Camila 4494, peso de velo de Kg 10,4). “Nas palavras do vencedor, o segredo do sucesso é investimento em genética e muito trabalho”, diz ele.

 Foto: Stéphany Franco/Divulgação | Fonte: Assessoria

 

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