Considerado o maior evento de sustentabilidade do interior do Rio Grande do Sul, o ESG Experience chegou à sua 4ª edição nesta quarta-feira, 19 de agosto, reafirmando o protagonismo de Santa Cruz do Sul na agenda de transformação corporativa do Estado.
Promovido pela Associação Comercial e Industrial (ACI) em parceria com a Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc), o fórum reuniu líderes de grandes companhias, especialistas e gestores no Memorial da Unisc para apresentar dados e estratégias que comprovam como as práticas ambientais, sociais e de governança (ESG) impulsionam a competitividade do setor produtivo regional.
A importância da união entre a Universidade e o setor empresarial foi o ponto central da fala do pró-reitor Administrativo da Unisc, professor Heron Sergio Moreira Begnis, na abertura do encontro.
“O verdadeiro motor do desenvolvimento econômico e social reside na parceria estratégica entre a academia e o setor empresarial, unindo conhecimento científico e inovação sob uma mesma ótica: a busca por um propósito transformador para a sociedade”, ressaltou.
Para o vice-presidente da ACI, Tironi Paz Ortiz, os pilares Ambiental, Social e de Governança (ESG) deixaram de ser diferenciais de mercado ou pautas secundárias. “Eles são hoje requisitos fundamentais de sobrevivência, competitividade e longevidade empresarial. Integrar esses conceitos à estratégia corporativa é gerar valor real e garantir o futuro das organizações”, afirmou o dirigente.
Case do Grupo Boticário
A palestra magna de abertura foi conduzida por Thaís Lopes, gerente de Governança ESG do Grupo Boticário. Sob o tema “ESG como Estratégia de Negócio: a jornada do Grupo Boticário”, a executiva apresentou como uma corporação de 49 anos de história, faturamento de R$ 38,1 bilhões em 2025 e mais de 50 mil colaboradores consolidou a sustentabilidade no núcleo de suas operações por meio do plano “Compromissos para o Futuro”.

Segundo Thaís, a chave para transformar diretrizes institucionais em cultura corporativa foi a implementação de uma governança rigorosa, que conecta o conselho de administração às pontas da operação, vinculando o cumprimento de metas socioambientais diretamente à remuneração variável das lideranças.
“Tratamos a pauta sustentável no centro das nossas decisões de negócio, passando pelo desenvolvimento de produtos, captação de recursos financeiros e monitoramento rigoroso da cadeia de suprimentos”, destacou.
A executiva apresentou iniciativas de grande impacto, como o programa Boti Recicla, considerado a maior rede privada de logística reversa do setor de beleza no país, que conta com mais de 4,5 mil pontos de coleta, beneficia 17 cooperativas e apoia mais de 700 catadores.
No pilar social, detalhou a plataforma Empreendedoras da Beleza, voltada à geração de renda para mais de 316 mil inscritas, na qual 57% das formadas relatam aumento efetivo na receita familiar. Completam as ações a Comunidade Beleza Livre, focada no codesenvolvimento de produtos para pessoas com deficiência, e o Movimento Viva Água, voltado à conservação hídrica de bacias estratégicas que atendem 15,9 milhões de pessoas. O modelo garantiu à empresa o 1º lugar no prêmio Melhores do ESG e presença constante no Top 10 global de sustentabilidade no setor de beleza pela S&P Global.
Pilar Ambiental
O primeiro bloco temático foi dedicado às soluções de conservação natural e mitigação climática. Cristian Maciel dos Santos, gerente de Segurança, Saúde e Meio Ambiente da JTI, apresentou a estratégia ambiental da companhia amparada na política “ECO”. O executivo destacou os avanços da Unidade Processadora local, que alcançou 30% de redução no consumo absoluto de água e uma queda de 44% na intensidade hídrica por tonelada processada desde 2021, valendo-se de automação e monitoramento preditivo.

Em seguida, Débora Teixeira, gerente de Sustentabilidade Ambiental da Philip Morris Brasil, detalhou a mudança de paradigma da empresa com a transição da gestão de projetos pontuais para o conceito de “gestão da paisagem”. Apoiada por dados científicos do Projeto Auéra/EMBRAPA, a abordagem integra biodiversidade, água e clima na Região Sul, acumulando a proteção de 149 fontes de água, a restauração de 6.850 m² de mata ciliar e o apoio a mais de 20 mil pessoas no campo.
A etapa ambiental foi encerrada por Rose Floriano, consultora em sustentabilidade, que proferiu a palestra “ESG nos pequenos negócios, é possível? Desmistificar é preciso”, oferecendo um roteiro prático e acessível para que micro e pequenas empresas incorporem indicadores sustentáveis em suas rotinas de gestão.
Governança e Diretrizes Internacionais
A pauta de governança abriu espaço para o debate sobre cultura corporativa e conformidade regulatória no mercado globalizado. Letícia de Mello Pereira, gerente de Assuntos Corporativos e RH da China Brasil Tabacos (CBT), compartilhou o case “Nosso Estilo Nossa Cultura – O Estilo China que vem de dentro”, ressaltando a construção de uma identidade sólida e o engajamento do público interno.
Na sequência, Eduardo Pires Bender, da Peterson Solutions, apresentou os novos marcos regulatórios internacionais que impactam diretamente a cadeia do agronegócio e do tabaco. Bender alertou para a exigência de dados auditáveis e rastreabilidade por geolocalização previstos no Regulamento de Desmatamento da União Europeia (EUDR), o rigor da diretiva europeia EmpCo contra alegações ambientais sem comprovação e as oportunidades de descarbonização.
Pilar Social, Inclusão e Liderança
O bloco dedicado ao pilar social destacou o voluntariado, a formação profissional e o papel transformador da educação. Daiane Aguirres, analista de Responsabilidade Social Sênior da Alliance One Brasil, apresentou a trajetória de 17 anos do programa Abraço Solidário.
A iniciativa, que mobilizou mais de 35 mil horas de voluntariado e beneficiou 52 mil pessoas na Região Sul, foi recentemente reconhecida com o Prêmio Top Cidadania 2025 da ABRH-RS.
Na sequência, Marcelo Menna Barreto, coordenador de Captação da Fundação Projeto Pescar, ministrou a palestra “Não dê o peixe, ensine a Pescar!”. Celebrando os 50 anos da instituição, Menna Barreto apresentou dados da pesquisa LEPES/USP apontando que 67,4% dos egressos do programa estão empregados, sendo 92,3% no mercado formal, comprovando a eficácia do modelo na promoção da autonomia de jovens em vulnerabilidade.
Bate-papo sobre Liderança
O encerramento do evento ocorreu no espaço da Adunisc com um painel sobre o perfil da liderança em ESG na atualidade, mediado pelo jornalista Leandro Siqueira, do Grupo Gazeta de Comunicações.

Mais do que seguir fórmulas padronizadas, a sustentabilidade corporativa se constrói na vivência diária e na troca de experiências. Essa foi a principal conclusão do painel que oportunizou aos participantes um espaço para a troca de ideias e reflexões sobre a aplicação prática de diretrizes ambientais, sociais e de governança no ambiente corporativo.
Para o diretor de ESG da ACI, Cássio Arend, o conceito se concretiza na prática coletiva. “O ESG ganha vida naquilo que fizemos aqui neste evento, compartilhando experiências e boas práticas. Não existe uma receita de bolo, mas sim uma jornada de construção genuína para cada empresa”.
Foto: Rodrigo Assmann/Divulgação | Fonte: Assessoria


