O Consórcio Intermunicipal de Serviços do Vale do Rio Pardo (Cisvale) iniciou a mobilização dos municípios da região contemplados pelo programa federal AdaptaCidades para a aplicação da metodologia Lente Climática. A iniciativa busca reunir e organizar informações sobre ameaças climáticas, áreas e populações expostas, vulnerabilidades e capacidade de prevenção, resposta e recuperação em cada território. O trabalho será realizado de forma conjunta entre diferentes setores das administrações municipais e deverá produzir dados, mapas e indicadores para subsidiar os Planos Municipais de Adaptação à Mudança do Clima e orientar medidas diante de eventos como inundações, enxurradas, estiagens, deslizamentos, calor extremo e incêndios.
Responsável pela apresentação da metodologia, o engenheiro ambiental e membro da Câmara Setorial do Meio Ambiente do Cisvale, Roberto de Monte Baccar Pilz, explica que a Lente Climática cruza diferentes informações para identificar o risco efetivo de cada município. O processo prevê o levantamento e a triagem das fontes disponíveis, além da integração de dados históricos, territoriais, populacionais e climáticos.
A partir desse trabalho, deverão ser elaborados mapas e indicadores, identificadas áreas prioritárias e setores críticos e apontados cenários e lacunas de informação. “A Lente Climática nos ajuda a olhar o município com os ‘óculos do clima’. Não basta saber que determinado evento ocorreu; precisamos entender onde aconteceu, quem foi atingido, com que recorrência, quais estruturas estão expostas e qual é a capacidade existente para prevenir e responder. Quando organizamos essas informações, conseguimos transformar dado em diagnóstico, diagnóstico em prioridade e prioridade em medida de adaptação”, destaca Pilz.
Integração de dados
A construção dos diagnósticos dependerá da participação de diferentes áreas das administrações municipais, já que as informações necessárias estão distribuídas entre secretarias, sistemas e bases de dados. Entre as fontes previstas estão registros da Defesa Civil e do Sistema Integrado de Informações sobre Desastres (S2iD), dados ambientais e de saneamento e informações da Assistência Social sobre populações expostas e vulneráveis.
Também serão considerados registros da Saúde relacionados aos efeitos de eventos climáticos, planos diretores, dados de mobilidade e zoneamento, informações do meio rural, dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), informações de instituições de ensino e pesquisa e plataformas de risco e projeções climáticas. Entre elas estão Prepara RS, GeoRisk/Cemaden, Serviço Geológico do Brasil, AdaptaBrasil e PClima/Inpe.
Para a diretora executiva do Cisvale, Léa Vargas, a integração das informações é uma das etapas do trabalho. “Os municípios possuem muito conhecimento sobre seus territórios, mas essas informações muitas vezes estão em secretarias, sistemas e bases diferentes. Nosso papel é contribuir para que esse conteúdo seja organizado, compartilhado e transformado em uma leitura técnica comum. A resiliência começa pelo conhecimento do risco, e essa construção precisa envolver toda a estrutura municipal”, ressalta Léa.
AdaptaCidades
O Vale do Rio Pardo está entre as regiões contempladas pelo AdaptaCidades, iniciativa do governo federal voltada ao apoio à elaboração de estratégias e planos locais de adaptação. A inserção regional ocorreu após articulação do Cisvale e do Comitê Pró-Clima do Vale do Rio Pardo, que vêm tratando da resiliência climática de forma integrada entre os municípios.
O presidente do Cisvale e prefeito de Vera Cruz, Gilson Becker (PSD), afirma que o programa deve ser acompanhado pelos municípios durante a construção dos diagnósticos. “O Vale do Rio Pardo fez um movimento importante para mostrar que precisava estar inserido nessa discussão e ser contemplado pelo AdaptaCidades. Isso também é resultado do trabalho que construímos por meio do Pró-Clima e do Cisvale. Agora temos que dar toda a atenção a esse processo, mobilizar nossos municípios e aproveitar o suporte técnico disponível para conhecer melhor nossas vulnerabilidades e preparar a região. Não podemos esperar o próximo evento para começar a pensar em adaptação”, afirma Becker.
A Lente Climática passa a integrar as ações do Cisvale voltadas à adaptação climática, junto ao Comitê Pró-Clima e à Agenda Ambiental 2030. A proposta é utilizar os diagnósticos para identificar vulnerabilidades e estabelecer prioridades de planejamento antes da ocorrência de novos eventos extremos.
Precisamos conhecer cada vez melhor os riscos dos nossos territórios para agir antes, e não apenas reagir depois. O que estamos construindo é uma base para decisões mais seguras, investimentos mais eficientes e municípios mais preparados para uma realidade climática que já está presente”, complementa o presidente do Cisvale e prefeito de Vera Cruz, Gilson Becker.
Programa federal
O AdaptaCidades integra o Programa Cidades Verdes Resilientes, política federal voltada ao aumento da qualidade ambiental e da resiliência das cidades brasileiras diante dos impactos da mudança do clima. A iniciativa reúne o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), o Ministério das Cidades e o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).
O programa prevê ações para fortalecer a capacidade institucional dos entes federativos e qualificar diagnósticos, planejamento, governança e projetos de adaptação climática. A iniciativa foi estruturada para apoiar 581 municípios brasileiros, abrangendo cerca de 52 milhões de pessoas, na construção de planos e estratégias de adaptação às mudanças do clima.


