O Sindicato Interestadual da Indústria do Tabaco (SindiTabaco) participou do 25º Congresso Brasileiro do Agronegócio (CBA), realizado nesta segunda-feira (10), em São Paulo pela Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), em parceria com a B3. Com o tema “Agro & Indústria – integrando e transformando o Brasil”, o evento reuniu representantes do setor produtivo, autoridades, empresas e instituições para discutir a integração entre agro e indústria, inovação, financiamento, tecnologia e os desafios econômicos e regulatórios do agronegócio brasileiro.
Na abertura, o presidente da Abag, Ingo Plöger, entregou ao vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, a Agenda Estratégica da Agroindústria Brasileira. O documento foi elaborado a partir de um estudo que avaliou mais de 80 fatores, priorizados conforme critérios de urgência, impacto e horizonte de implementação, e reúne propostas de ações de curto, médio e longo prazo.
A solenidade também contou com a participação do ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula; do secretário de Agricultura e Abastecimento do estado de São Paulo, Geraldo Melo Filho; do presidente da Sociedade Nacional da Agricultura (SNA), Antonio Mello Alvarenga Neto; da presidente da CropLife Brasil, Ana Repezza; do presidente da Faesp/Senar, Tirso de Salles Meirelles; da presidente da Embrapa, Silvia Massruhá; da presidente da OCB e do Instituto Pensar Agro (IPA), Tania Zanella; do coordenador do Grupo de Países Productores del Sur (GPS), Marcelo Regunaga; do vice-presidente de Produtos e Clientes da B3, Luiz Masagão; da senadora Tereza Cristina (PP) e do deputado federal Arnaldo Jardim (Cidadania).
Participação do setor do tabaco
Segundo o presidente do SindiTabaco, Valmor Thesing, a participação no congresso permite ao setor acompanhar as discussões e tendências do agronegócio brasileiro. “Em um ambiente desafiador, com entraves estruturais, volatilidade econômica, insegurança regulatória e necessidade de ampliar a competitividade, precisamos estar alinhados com as prioridades estratégicas e tendências do agronegócio”, afirmou o dirigente.
O congresso discutiu o papel da integração entre agro e indústria na inovação, no desenvolvimento e na transformação do setor. Entre os temas abordados estiveram também a previsibilidade regulatória, a adoção de novas tecnologias, a qualificação profissional e as condições para ampliação dos investimentos.
Inovação no agro
No primeiro painel, mediado pelo jornalista William Waack, os participantes discutiram fatores que influenciam a capacidade de inovação da agroindústria brasileira. A presidente da CropLife Brasil, Ana Repezza, destacou a importância de marcos legais e da previsibilidade regulatória para os investimentos em novas tecnologias. “Marcos legais, proteção de cultivares, inovação e previsibilidade regulatória são fundamentais para estimular investimentos das empresas que desenvolvem novas tecnologias”, ponderou Ana.
O presidente e CEO da Bosch América Latina, Gastón Díaz Pérez, abordou a complexidade do ambiente empresarial, marcada, segundo ele, por volatilidade econômica, juros altos e incertezas geopolíticas. Também tratou da aplicação de ferramentas digitais e inteligência artificial na América Latina. “Os modelos preditivos baseados em IA precisam estar associados à qualificação profissional, pois sem pessoas qualificadas, não existe o suporte humano necessário para conduzir a inteligência artificial”, afirmou Díaz Pérez.
O vice-presidente da Inpasa, Gustavo Mariano, destacou a previsibilidade regulatória como fator relacionado à redução de custos e ao planejamento de investimentos. Ele também mencionou mudanças decorrentes de novas regulamentações internacionais e a necessidade de incorporação de tecnologias aos processos produtivos. “A velocidade de adoção de tecnologias para a melhoria dos processos é o caminho para uma agroindústria forte”, expressou Mariano.
Financiamento do setor
Outro painel tratou do investimento e do financiamento do agronegócio em um cenário de volatilidade. Segundo os dados apresentados durante o evento, até junho as emissões de Cédulas de Produto Rural (CPR) somavam R$ 470 bilhões, enquanto as Letras de Crédito do Agronegócio (LCA) alcançavam R$ 560 bilhões. Os Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA) chegaram a R$ 170 bilhões, e os Certificados de Direitos Creditórios do Agronegócio (CDCA) ultrapassaram R$ 30 bilhões.
A diretora da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), Flávia Palacios, apontou a necessidade de ampliar a capacitação dos produtores e o conhecimento dos agentes financeiros sobre a atividade rural. “É necessário capacitar o produtor para compreender a análise de crédito e, ao mesmo tempo, fazer com que os agentes do mercado financeiro conheçam melhor a dinâmica da atividade dentro e fora da porteira, inclusive para identificar quais instrumentos de seguro são mais adequados para cada risco”, afirmou Flávia.
Entre os instrumentos discutidos estiveram os CRA e os Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais (Fiagros). Aproximadamente 600 mil investidores possuem aplicações em CRA, com tíquete médio de R$ 43 mil. No Fiagro, o tíquete médio é de cerca de R$ 1 mil.
A superintendente de Relacionamento com Clientes da B3, Fabiana Perobelli, explicou que instrumentos financeiros originados na atividade rural também podem integrar essa estrutura. A CPR, segundo ela, pode ser utilizada como garantia e integrar operações de CRA e outros instrumentos.
A managing director e especialista setorial da S&P Global Ratings, Julyana Yokota, abordou a relação entre volatilidade, risco, planejamento financeiro, transparência e governança. “Quando falo de governança e transparência, estou falando de acesso a instrumentos que podem oferecer opções melhores para reduzir custos”, avaliou Julyana.
Seguro rural
O seguro rural também foi tema de discussão. A superintendente de Sustentabilidade da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg), Monique Cardoso, informou que menos de 100 mil produtores rurais possuem seguro no Brasil e relacionou o cenário à ocorrência de eventos climáticos extremos mais frequentes e intensos.
Segundo ela, o seguro pode ser utilizado como instrumento de avaliação de riscos e incentivo a práticas sustentáveis. Informações climáticas também podem apoiar produtores, seguradoras, instituições financeiras e outros participantes do mercado de crédito.
Mesas redondas e homenagens
A programação do 25º Congresso Brasileiro do Agronegócio também contou com as mesas redondas “O Agro na Geopolítica” e “Novo Governo: Prioridades e Compromissos”. O evento ainda marcou a estreia do “Future Flash do Agro Brasileiro”, com apresentações sobre tendências que podem impactar o setor nos próximos anos.
O sócio-diretor da Canaplan e presidente do Conselho Estratégico de Alto Nível da ABAG, Luiz Carlos Corrêa Carvalho, recebeu o Prêmio Ney Bittencourt de Araújo – Personalidade do Agronegócio. Já a pesquisadora da Embrapa, Iêda Mendes, recebeu o Prêmio Norman Borlaug – Sustentabilidade. As homenagens foram apresentadas pelo professor emérito da FGV, Roberto Rodrigues, e pela presidente da Embrapa, Silvia Massruhá, respectivamente.
A programação foi encerrada com palestra do ex-presidente da República, Michel Temer, que abordou os desafios institucionais, econômicos e estratégicos do Brasil no tema “Caminhos para o Futuro”.


