Especialistas alertam que Parkinson pode apresentar sintomas antes dos tremores

Por Jonathan da Silva

Especialistas do Hospital Moinhos de Vento têm reforçado que a doença de Parkinson pode começar com sinais discretos antes do surgimento dos tremores, o que torna o reconhecimento precoce dos sintomas um fator importante para antecipar o diagnóstico e iniciar o tratamento. Segundo o Ministério da Saúde, cerca de 500 mil brasileiros vivem com a doença, número que tende a crescer com o envelhecimento da população. Os especialistas ressaltam que que manifestações como alterações na caminhada, na escrita e no equilíbrio podem surgir antes dos sintomas motores mais conhecidos.

De acordo com o neurocirurgião do Hospital Moinhos de Vento, Alexandre Reis, a doença está relacionada à diminuição da dopamina, neurotransmissor responsável pelo controle dos movimentos. “A dopamina faz uma espécie de regulagem fina do movimento. Sem ela, o cérebro perde a capacidade de ajustar corretamente as ações motoras e passam a surgir sintomas, como tremores, lentidão progressiva, rigidez muscular e instabilidade postural, com aumento do risco de quedas. Nem todo paciente com Parkinson treme, o que é importante para evitar interpretações equivocadas”, afirma Reis.

Sinais iniciais

Antes das manifestações mais evidentes, a doença pode apresentar sintomas pouco perceptíveis, frequentemente associados ao envelhecimento. Entre eles estão a redução do balanço natural de um dos braços durante a caminhada, episódios leves de desequilíbrio, dificuldade para se levantar e alterações na escrita, que passa a ficar progressivamente menor, característica conhecida como micrografia. Segundo Alexandre Reis, essas mudanças costumam ser percebidas inicialmente por familiares ou pessoas próximas. “São mudanças discretas, mas consistentes. Muitas vezes, quem percebe primeiro é alguém próximo, não o próprio paciente”, observa o neurocirurgião. “Esse olhar atento pode encurtar o caminho até o diagnóstico”, enfatiza o especialista.

Qualidade de vida

Embora ainda não exista cura para a doença de Parkinson, o tratamento permite controlar os sintomas e preservar a qualidade de vida. A abordagem inclui medicamentos e terapias complementares, entre elas a fisioterapia.

De acordo com a chefe do Serviço de Neurologia e Neurocirurgia do Hospital Moinhos de Vento, Sheila Martins, a reabilitação desempenha papel importante desde as fases iniciais da doença. “Quando iniciada precocemente, ela pode diminuir a incapacidade causada pela doença. Ajuda a preservar a mobilidade e, principalmente, a prevenir quedas, que são uma das principais causas de complicações”, afirma a neurologista.

Ainda conforme a especialista, quedas e traumas podem acelerar a perda de independência do paciente, tornando a reabilitação contínua uma estratégia importante no tratamento. Em casos específicos e mais avançados, a cirurgia também pode ser indicada para ampliar o controle dos sintomas.

Diagnóstico precoce

Apesar de ser mais frequente entre pessoas idosas, a doença de Parkinson também pode atingir indivíduos mais jovens, em decorrência de fatores genéticos e ambientais. Para Sheila Martins, ampliar o conhecimento sobre os diferentes sintomas da doença pode contribuir para diagnósticos mais precoces e para o início antecipado do tratamento. “Reconhecer o Parkinson para além do tremor é um passo importante para lidar melhor com uma condição crônica que não implica, necessariamente, perda da autonomia. Quanto mais cedo identificamos a doença, mais cedo conseguimos intervir. E isso se traduz em mais qualidade de vida ao longo dos anos”, conclui a especialista.

Foto: Divulgação | Fonte: Assessoria
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