Corriedale amplia uso de dados genéticos na seleção da raça

Por Jonathan da Silva

A Associação Brasileira de Criadores de Corriedale (ABCC) iniciou uma agenda de trabalho para ampliar o uso de dados produtivos e genéticos nos processos de seleção da raça. Entre as ações já em andamento está uma prova de desempenho realizada em Hulha Negra, na região da Campanha gaúcha, que reúne 41 reprodutores oriundos de cabanhas do Rio Grande do Sul. A iniciativa busca gerar informações técnicas que auxiliem criadores na escolha de reprodutores, nas decisões de acasalamento e na evolução dos plantéis, com foco no fortalecimento da produção de carne sem desconsiderar a tradição da raça na ovinocultura.

Reconhecida pela dupla aptidão para produção de lã e carne, a raça Corriedale possui presença histórica na ovinocultura do Rio Grande do Sul. Segundo a ABCC, o objetivo é aproximar essa trajetória de ferramentas capazes de medir desempenho, comparar resultados e oferecer parâmetros objetivos aos produtores.

A entidade avalia que a seleção da raça passa cada vez mais pela combinação entre observação visual, conhecimento acumulado nas propriedades e dados aplicados ao campo, permitindo identificar animais com melhor desempenho produtivo.

Foco na produção de carne

O presidente da ABCC, Gustavo Velloso, afirma que a entidade pretende ampliar as ações voltadas à valorização da carne produzida pela raça. “Queremos trabalhar bastante a questão da carne e da marca da carne Corriedale. A raça representa cerca de 60% do rebanho ovino gaúcho, e esse é um fator muito importante. Por isso também estamos realizando esse primeiro teste de desempenho, com candidatos voltados à produção de carne em sistema de pastagem”, destaca Velloso.

Prova de desempenho em Hulha Negra

Uma das iniciativas acompanhadas pela associação teve início na última semana no Centro de Pesquisas da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), em Hulha Negra. A avaliação reúne 41 ovinos reprodutores da raça Corriedale, provenientes de cabanhas gaúchas, em uma prova de desempenho voltada à geração de dados produtivos e genéticos.

Durante o período de avaliação, os animais permanecem em sistema pastoril, submetidos a manejo padronizado, com alimentação predominantemente baseada em pastagem de azevém e suplementação mineral.

Critérios avaliados

Entre os indicadores analisados está o Ganho Médio Diário (GMD), que mede quanto peso o animal ganha por dia. Também são avaliadas a Área de Olho de Lombo (AOL), utilizada para mensurar o volume de músculo na carcaça, e a Espessura de Gordura Subcutânea (EGS), que indica a cobertura de gordura do animal.

De acordo com a ABCC, os dados obtidos deverão contribuir para a identificação de reprodutores com maior capacidade de produzir cordeiros com bom desenvolvimento, melhor rendimento de carcaça e carne de qualidade, oferecendo subsídios técnicos para a tomada de decisão dentro das cabanhas.

Foto: ABCC/Divulgação | Fonte: Assessoria
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