Acadêmicos da Feevale desenvolvem dispositivo que produz filamento para impressão 3D

Por Jonathan da Silva

Um grupo de dez acadêmicos dos cursos de Engenharia da Universidade Feevale desenvolveu um dispositivo capaz de transformar garrafas PET em filamento para impressão 3D. Denominado Fipet, o projeto foi criado a partir de uma demanda identificada junto a uma cooperativa de reciclagem de Novo Hamburgo e busca agregar valor ao plástico descartado, ampliando as possibilidades de geração de renda para trabalhadores do setor.

A iniciativa foi desenvolvida ao longo deste semestre nos laboratórios da Universidade Feevale, durante as unidades curriculares Projeto Aplicado I e Projeto Aplicado II, sob orientação das professoras Cristine Kassick e Daiana Arnold. A proposta surgiu após uma visita dos estudantes à Univale, cooperativa de reciclagem localizada em Novo Hamburgo, onde foi identificado o desafio enfrentado pelos cooperados para obter maior retorno financeiro com a comercialização do PET.

Como surgiu o projeto

Segundo a professora Daiana Arnold, os acadêmicos observaram que o PET, um dos materiais mais abundantes na triagem de resíduos, costuma ser comercializado apenas na forma prensada, o que gera baixo retorno econômico para as cooperativas.

Diante desse cenário, o grupo definiu como objetivo desenvolver uma tecnologia acessível que permitisse agregar valor ao material reciclável. O resultado foi o Fipet, um protótipo funcional de baixo custo voltado à conversão de garrafas PET em matéria-prima para impressão 3D.

Como funciona o dispositivo

O equipamento recebe garrafas PET previamente higienizadas e realiza o corte do plástico em tiras finas e padronizadas. Em seguida, por meio de um sistema de aquecimento controlado, essas tiras são transformadas em filamento contínuo, que pode ser utilizado em impressoras 3D.

Segundo a professora Daiana Arnold, a proposta reúne simplicidade operacional e precisão técnica para possibilitar a transformação do resíduo em um produto com valor de mercado superior. “Os benefícios do Fipet vão muito além do ambiente acadêmico e se dividem em duas grandes frentes: reduz o impacto ecológico, ao desviar toneladas de plástico que teriam como destino aterros sanitários, lixões ou a poluição de oceanos; e abre um horizonte inédito de geração de renda para os catadores e cooperados”, comenta Daiana.

Impacto do projeto

Além da redução do descarte inadequado de resíduos plásticos, o projeto pretende ampliar as oportunidades econômicas para cooperativas de reciclagem. Com a tecnologia, os trabalhadores poderão produzir e comercializar filamento reciclado, produto utilizado no mercado de manufatura aditiva e impressão 3D.

A proposta também prevê a capacitação das cooperativas para utilização da própria tecnologia de impressão 3D. Dessa forma, os cooperados poderão fabricar itens como brindes, utilitários e peças de design utilizando o PET coletado nas ruas como matéria-prima.

Próximos passos

O Fipet entra agora em fase de testes e refinamento. O grupo responsável pelo projeto é formado pelos acadêmicos Mateus Becker Stoffel e Everton Gatelli, da Engenharia de Computação; Vitório Wickert, Felipe Closs Mattes, Matheus Henrique Van Der Veen, Guilherme Rocha Brandão, Carlos Felipe Dresch da Cunha e Yuri Scharlau, da Engenharia Mecânica; Daniel Muller de Araujo, da Engenharia Elétrica; e Rafael Lenhardt Diel, da Engenharia Civil.

Segundo a Universidade Feevale, a equipe estuda formas de viabilizar a replicação do dispositivo para ampliar o impacto social da iniciativa e beneficiar outras cooperativas de reciclagem da região.

Foto: Universidade Feevale/Divulgação | Fonte: Assessoria
Publicidade

Você também pode gostar

Deixe um comentário

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.