O mercado do cavalo Crioulo segue em expansão com o crescimento de modalidades esportivas voltadas a proprietários e jovens competidores, de acordo com avaliação da Trajano Silva Remates. O aumento da participação em provas como Freio do Proprietário e Freio Jovem tem ampliado a base de usuários da raça, movimentado o setor e atraído novos compradores dentro e fora do Brasil. A análise foi apresentada pelo leiloeiro e diretor da empresa, Marcelo Silva, que projeta continuidade do crescimento do segmento até meados de 2027, embora em ritmo mais moderado por fatores econômicos e políticos.
De acordo com Silva, a diversificação das provas ajudou a aproximar novos participantes do universo do cavalo Crioulo e ampliou a circulação de animais, criadores e investidores. “As provas mais voltadas aos proprietários fizeram com que a raça tivesse uma pulverização muito importante. Isso aproxima mais pessoas, aumenta o envolvimento com os animais e amplia o mercado em torno da raça”, afirmou o leiloeiro.
Internacionalização do mercado
Segundo o diretor da Trajano Silva Remates, a expansão do mercado também pode ser observada pela presença crescente de compradores estrangeiros em eventos ligados à raça. Durante a FICCC, realizada em Montevidéu, no Uruguai, Silva relatou a participação de representantes do Chile, Paraguai, Argentina, Brasil e México.
Para o especialista, o interesse internacional demonstra que o cavalo Crioulo deixou de se concentrar apenas nos mercados tradicionais da América do Sul. “Hoje já vemos negócios com o Paraguai e interesse de outros países. A raça não está mais limitada apenas a Uruguai, Argentina e Brasil. Esse é um sinal claro de que o mercado ganhou outra dimensão”, destacou Silva.
Cenário econômico
Apesar da avaliação positiva, Marcelo Silva considera que fatores como o cenário econômico, o período eleitoral e a proximidade de grandes eventos esportivos internacionais podem desacelerar o ritmo dos negócios no curto prazo. “A raça continua e continuará crescendo. Talvez em um ritmo um pouco mais lento, principalmente até meados de 2027, por causa do ambiente econômico, das eleições e de outros fatores que acabam interferindo nas decisões de compra”, explicou o leiloeiro.
O especialista também destacou a ampliação do calendário de eventos como um dos fatores que contribuíram para fortalecer o setor. Segundo ele, anteriormente os principais negócios da raça estavam concentrados em cidades como Bagé, Uruguaiana, Jaguarão, Pelotas e na Expointer. Com o aumento das provas e atividades, o mercado passou a ter maior movimentação ao longo do ano. “A associação vem fazendo uma gestão muito positiva, e a multiplicação dos eventos ajudou a dar mais movimento ao mercado. Antes eram poucos pontos de concentração. Agora, a raça anda em um ritmo muito mais amplo”, afirmou Marcelo Silva.
Nos próximos dias, a Trajano Silva Remates realizará novos leilões ligados à agenda comercial do cavalo Crioulo. De acordo com Silva, a combinação entre esporte, calendário de provas, internacionalização e liquidez deve seguir sustentando o crescimento do mercado da raça.


